Volvo C40 Recharge

Uma força tranquila

TESTE

Por João Ouro 19-11-2022 14:00

Fotos: Gonçalo Martins

Graças a tão elevada potência, o novo ‘crossover’ da Volvo faz 0-100 km/h em menos de 5 segundos, uma aceleração vertiginosa. Mas quando não se pretendam ‘performances’ dignas de desportivo prevalece a suavidade da condução e o conforto de rolamento, o silêncio. Uma força tranquila. Imensa!

SE não for pressionado, o C40 nem parece ter a potência que tem. Ou seja, numa condução normal, sem exageros, o automóvel da Volvo conduz-se de forma muito tranquila, conjugando ainda uma excelente matriz dinâmica com elevado conforto.

Quando se tenta entender as credenciais mecânicas a jogo, aí sim parece que se assiste a uma verdadeira metamorfose, com a potência conjunta dos motores elétricos, um por eixo, num total de 408 cv, a fazê-lo mover-se como se não houvesse amanhã. Quase como se fosse necessário competir com alguns desportivos e, quem sabe, deixá-los a todos para trás... O arranque instantâneo surpreende e a força de tração enviada às quatro rodas consegue arremessar o C40 em menos de 5 segundos até 100 km/h, sem queixumes de motricidade ou deslizes de aderência, nada fazendo prever que se trata de um SUV com mais de duas toneladas.

Antes de se tentar esse exercício, a condução mais regular confirma a potência (quase) escondida, embora tudo se passe sem esforço e as retomas de velocidade sejam feitas rapidamente, mesmo que nem sequer haja modos de condução diferenciados, à exceção do modo off-road por inerência da tração integral. Existe um único artifício designado por One Pedal Drive, que se pode ativar ou desligar no ecrã tátil central (no menu que controla as diversas assistências à condução), fazendo com que haja maior efeito-travão (nível único) e se obtenha uma acentuada regeneração da energia. Quando se retira o pé do acelerador há uma travagem forte imediata, efeito que pode ser útil nos trajetos mais urbanos (com um único pedal, lá está), mas cuja reação é pouco delicada. Uma questão de hábito, talvez!

Com o recurso a essa estratégia é possível baixar o consumo médio e alargar a autonomia, mas as médias mais usuais colocam-se entre 19 e 20 kWh por cada 100 km, às vezes mais, sendo possível estimar autonomias próximas dos 320 quilómetros, sem qualquer dificuldade, ou na melhor das hipóteses perto de 350 km, dependendo imenso das circunstâncias de condução, dos percursos e até da atmosfera a bordo (leia-se do uso do ar condicionado e da climatização).

Outro dado a ter em conta é que a dita energia não se evapora rapidamente quando se exige mais do potencial mecânico, parecendo até que existe um retorno quase imediato a médias mais sensatas após certos desvarios ou atitudes sem critério. Basta regressar a uma condução mais limpa e... certinha! É certo que a velocidade máxima limitada aos 180 km/h valida essa mesma perceção, sendo até estranho que exista essa espécie de linha vermelha para um modelo com esta potência. Parece quase um contrassenso, lá isso é verdade! Mais tarde, surgirá a variante Single de 231 cv (só tração à frente) e bateria de 67 kWh.

Outros pontos fortes deste C40 assentam na dinâmica, tendo um comportamento neutro a curvar, mais subvirador do que o contrário quando se põe tudo no asfalto, sendo fácil de corrigir e de segurar, apesar da extraordinária capacidade de aceleração, sem que haja deslizes, como já se disse, até pela eficácia dos pneus Continental ECO Contact6 com jantes de 19’’ (235/50 e 255/45).

A única contrariedade é dada, por vezes, pelas reações secas da suspensão no mau piso, mas isso só sucede de forma esporádica nos asfaltos rudes, já que o conforto é a palavra de ordem.

A altura e o mais elevado coeficiente aerodinâmico parecem relegados para segundo plano, sendo possível destacar a ótima insonorização e o baixo ruído de estrada, o que num modelo 100% elétrico nem sempre é fácil de evitar, uma vez que o silêncio da propulsão faz aparecer outras ressonâncias. Neste caso, não é assim, até porque o isolamento do habitáculo está bem feito e o ambiente premium contribui nessa perceção, inclusive pela boa aparência dos materiais, embora haja alguns têxteis menos vistosos, como os forros das bolsas das portas e do teto. O espaço é amplo, à frente e atrás (as portas posteriores têm abertura estreita), e a funcionalidade é garantida, inclusive com o portão automático a abrir com o pé. As cargas domésticas são longas (20 a 30 h), consoante a potência, mas num terminal de 150 kWh, bastam 40 minutos (até 80%).

O segundo automóvel 100% elétrico da Volvo é uma espécie de derivação SUV-coupé do XC40, com o qual partilha a plataforma e a maioria dos componentes, agregando dois motores elétricos (total de 408 cv) alimentados por um pack de baterias de iões de lítio de 75 kWh (capacidade útil). As prestações são rápidas, assim se queira, algo que se vê nas acelerações, a par de uma dinâmica competente, sem mazelas no conforto. Pena que a autonomia não seja mais alongada.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

VOLVO C40

Recharge

Motor
Tipo 2 Elétricos, síncronos
Potência 300 kW-408 cv/13.900 rpm
Binário 660 Nm/4350 rpm
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 75 kWh
Tempo de carga (0-80%) 8h (11 kW); 40 m (150 kW)
Transmissão
Tração Integral permanente
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,8 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,431/1,850/1,582 m
Distância entre eixos 2,702m
Mala 413+31 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 235/50 R19
Pneus T 255/45 R19
Peso 2185 kg
Relação peso/potência 5,35 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 180 km/h
Acel. 0-100 km/h 4,9 s
Consumo médio 20,7 kWh/100 km
Autonomia 415-444
Garantias/Manutenção
Mecânica 3 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão -
Bateria 30000
Imposto de circulação (IUC) 0 €

Medições

VOLVO

Acelerações
0-50 km/h 2,1 s
0-100 / 130 km/h 4,8/7,5 s
0-400 / 0-1000 m 13,2/25,2 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 1,9 s
60-100 km/h (D) 2,2 s
80-120 km/h (D) 2,8 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,9/9,4 m
Consumos
Consumo médio 20,1 kWh/100km
Autonomia 320 km

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