Mercedes-Benz CLS 220 d

Ainda a valer

TESTE

Por João Ouro 25-09-2022 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

Até ver, a Mercedes não abandona os Diesel, apesar da crescente perda de ‘popularidade’ destes. Prova dessa resiliência da marca alemã é a estreia da motorização 220 d de 194 cv no aristocrático CLS, que configura a versão mais acessível da renovada gama. Talvez se possa dizer que as notícias acerca da morte dos Diesel são exageradas, mas a agenda e os planos dos construtores não desmentem essa probabilidade. A própria Mercedes-Benz afirma que proporá apenas automóveis elétricos a partir de 2030, ao mesmo tempo que daqui a três anos (em 2025) todas as gamas contarão com as denominadas variantes zero emissões. Isso traduzir-se-á por uma transição muito rápida nos projetos de industrialização e implicará cenários diferentes no futuro.

No entanto, para já, as versões Diesel ainda mexem e podem valer a pena, pelo menos para quem necessita de fazer muitos quilómetros, até porque as motorizações a gasóleo são cada vez mais limpas e a Mercedes-Benz sabe fazê-las bem, confiando-as às gamas mais altas, como a do CLS. Na atualização da 3.ª geração deste modelo (lançada em 2018) foram feitos diversos progressos, apesar de a revisão estética ter sido apenas ligeira. Renovaram-se a grelha (que inclui pequenas estrelas incrustadas), os para-choques e as jantes (linha AMG de 20’’). Por dentro, destacam-se novos revestimentos com outras cores e combinações e diferentes molduras e frisos decorativos, conferindo uma atmosfera primada por requinte e luxo, e que pode ser enriquecida por parafernália de opcionais da mesma estirpe superior (ver ficha), ou não fosse o Mercedes-Benz CLS concorrente de Audi A7 Sportback, BMW Série 8 Gran Coupé ou Porsche Panamera.

Apesar desta posição aristocrática, a maior novidade é a inclusão na gama desta versão 220 d com o motor Diesel na configuração de 194 cv, indisponível no anterior modelo (que tinha como versão base 300 d). A modernização da mecânica permitiu baixar o ruído e as ressonâncias da acústica Diesel, a que se junta o excelente isolamento do habitáculo. Essas diferenças percebem-se na suavidade dos arranques, no menor ruído de funcionamento do bloco e na intervenção menos brusca do sistema start-stop. A função velejar da nova caixa automática 9G-Tronic contribui, ainda, para estabilizar momentaneamente a velocidade, permitindo desligar a mecânica se se aliviar o acelerador. Todos estes fatores contribuem para uma condução confortável, relaxante e de grande qualidade, sem menosprezar a atitude dinâmica, segura e pouco dada a imprevistos, apesar de se estar na presença de uma berlina com quase cinco metros de comprimento e um peso próximo das duas toneladas.

As prestações não parecem ressentir-se disso (ver ficha) e os valores reais dos consumos são invejáveis, razão pela qual o CLS se exibe como um grande estradista pela autonomia que garante. Perante um tamanho de carroçaria tão encorpado e, nesta unidade engrandecido por jantes em liga leve de 20’’, é elogiável o consumo médio entre 6,6 litros a 7,2 litros por cada 100 km, que aferimos neste teste, praticamente ao nível de modelos mais compactos.

Tendo em conta a dimensão do depósito de 66 litros, a que acrescem 23,5 litros de AdBlue, a estimativa calculada aponta para mais de 950 quilómetros entre abastecimentos. Assim, não há longe, nem distância, num modelo que se carateriza por ter um conforto digno dos melhores automóveis, quase ao nível de um Classe S, sem demérito para este último. Há alguns preceitos para que esses índices de bem-estar se registem na relação com a estrada, desde logo pela inclusão das referidas jantes de 20’’ da AMG (opcionais, por 1150 €) associadas a pneus Pirelli PZero (245/35 à frente e 275/30 atrás), e pelo recurso a suspensão pneumática, denominada na marca por Air Body Control. Todos estes componentes intervêm de forma decisiva para a elevação do conforto, o que se sente em qualquer tipo de estrada, mesmo em mau piso, e para o que contribuem igualmente os bancos bastante cómodos, tipo poltrona, e a insonorização cuidada.

Para maiores voos, nada como os modos Sport e Sport+, obtendo-se reações (bem) mais rápidas, sem sobressaltos. O tato da direção é preciso e a assistência está à medida das exigências e dos modos selecionados. Com a linha de design AMG (exterior e interior), o aspeto elitista deste coupé da Mercedes-Benz é ainda mais visível, mesmo que sob o capot esteja um convencional turbodiesel de 4 cilindros. Já conhecido doutras gamas, o revisto motor OM654 está associado à caixa 9G-Tronic, mais desmultiplicada, tendo outros ajustes e menor ruído, embora a acústica seja indisfarçável nalguns momentos de aceleração e arranque, ainda que bem atenuada pela ótima insonorização do CLS.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

MERCEDES CLS

220 d

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1950 cc
Alimentação Inj. dir. CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 194 cv/3800 rpm
Binário 400 Nm/1800-2800 Nm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 9 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. multibraços
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,988/1,890/1,429 m
Distância entre eixos 2,939m
Mala 520 litros
Depósito de combustível 66 litros
Pneus F 8jx20-245/35 R20
Pneus T 9jx20-275/30 R20
Peso 1800 kg
Relação peso/potência 9,27 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 235 km/h
Acel. 0-100 km/h 7,5 s
Consumo médio 5,6 l/100 km
Emissões de CO2 148 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/30 anos
Intervalos entre revisões 25000 km
Imposto de circulação (IUC) 259,49 €

Medições

MERCEDES

Acelerações
0-50 km/h 2,5 s
0-100 / 130 km/h 7,7 s
0-400 / 0-1000 m -
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,4 s
60-100 km/h (D) 4,5 s
80-120 km/h (D) 5,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,4/8,9 m
Consumos
Consumo médio 7 l/100km
Autonomia 943 km

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