Ford Mustang Mach-E AWD

Será mesmo Mustang?

TESTE

Por Vítor Silva Mendes 11-09-2022 17:00

Fotos: Gonçalo Martins

SUV 100% elétrico da Ford levanta sobrolhos, principalmente devido ao fato de ter Mustang no emblema. Mas a marca garante que a ‘excecional dinâmica’ do Mach-E justifica o atrevimento. Somem-se os níveis de conforto e robustez acima da média e cotas habitáveis interessantes. Trunfos para acrescentar à imagem, que é inspiradíssima.

Logo com o primeiro Mustang, apresentado na feira mundial de 1964, em Flushing Meadows, Nova Iorque, a Ford provou que era possível ganhar dinheiro com automóvel que combinasse imagem excitante e preços acessíveis. É verdade que, entre sucessos e fracassos, versões com mais e menos músculo, nem todos os Mustang eram garanhões de raça. Mesmo carregando às costas mais de cinco décadas de história, o Mustang transporta consigo imagem de sucesso que outros desportivos nunca conseguirão ganhar. Mesmo depois da decisão da marca da oval azul de propor este ícone eletrizado, imediatamente contestada por fãs, por haver risco de apagar-se a chama...

Em nome da modernidade, o construtor norte-americano empenhou-se então em virar do avesso um dos seus maiores ícones. Não só trocou os motores a gasolina, grandes, potentes e barulhentos, por elétricos que não se fazem ouvir, como o reinventou com o formato SUV da moda, o que facilitará, teoricamente, a sua afirmação comercial da fórmula. «No desenvolvimento explorámos muitas ideias, diferentes abordagens, até que foi lançado para cima da mesa o nome Mustang. E a verdade é que não demorou muito tempo para que toda a equipa percebesse que esse era o caminho a seguir para este carro», confidenciou-os por altura da estreia Amko Leenarts, diretor de design da Ford Europa.

O Mach-E não substitui o coupé nem o cabrio no catálogo da oval azul e incorpora diversos elementos tradicionais do Mustang reinterpretados na nova arquitetura, insuflada. O novo modelo da Ford tem 4,7 metros de comprimento e, por isso, nas dimensões exteriores está alinhado com Mercedes-Benz EQC e Tesla Model Y, mas maior entre eixos do que o primeiro (porque dispõe de uma plataforma exclusivamente elétrica, do tipo patim, com a bateria sob o habitáculo), e com mais qualidade do que o segundo. Desde logo, por dispor de habitáculo mais robusto e com materiais e acabamentos de nível superior. No interior, o SUV impressiona tanto pela apresentação como pela componente tecnológica, muito valorizada pela digitalização do painel de bordo, com visor de 10,2’’ para instrumentação e um enorme ecrã central de 15,5’’ do tipo tablet, onde se controla todas as principais funções do veículo: da climatização ao sistema de som, passando pelas informações de condução, sistema de navegação, computador de bordo ou a escolha dos modos de condução, entre três programas (Active, Whisper e Untamed), que interferem no desempenho, ora otimizando o consumo e o conforto, ora estimulando o comportamento e as performances desportivas, mediante a variação da resposta ao acelerador e da assistência da direção.

Aplauda-se, também, a abundância de espaço nos bancos traseiros. A colocação da bateria sob o piso do automóvel também beneficia a capacidade da mala (402 litros): rebatendo-se os encostos posteriores, cria-se compartimento com 1420 litros. Tanto EQC como Model Y têm bagageiras maiores, mas é o único ponto menos positivo da silhueta de SUV-Coupé. O desenho desportivo agrada, com uma linha de tejadilho que cai quase a pique em direção à bagageira (somem-se-lhe mais 100 litros para a colocação de objetos na mala dianteira) e, sentado nos lugares de trás, não falta altura, sobretudo nesta versão com teto panorâmico em vidro.

O acesso aos lugares da frente é ainda mais desafogado e a posição de condução, muito confortável, é baixa e bem enquadrada com todos os comandos essenciais à condução. O volante, com ótima pega e desenho inspirado no coupé com que partilha o nome, podia ter regulações mais amplas.

A versão AWD tem motores elétricos nos dois eixos, configuração responsável por quatro rodas motrizes. O conjunto liberta 351 cv e 580 Nm, o que explica a reação muitíssimo rápida ao acelerador. Esmague-se o pedal da direita e o carro dispara de forma decidida, devolvendo um zumbido entusiasmado. A direção é direta e informativa q.b. e o comportamento em estrada muito competente, estável e seguro. Mas não são só os arranques a colar-nos ao banco, as retomas são igualmente esmagadoras.

No entanto, as performances não fazem um desportivo. E os benefícios do baixo centro de gravidade e da distribuição equitativa de peso sobre os eixos não parecem suficientes. O SUV elétrico passa em curva como se fosse sobre carris, a carroçaria tem movimentos mínimos e as derivas são diminutas, apenas ligeira subviragem. Mas o que falta a este Mustang é também a leveza dos parentes mais rasteirinhos.

Alivie-se o acelerador e o motor elétrico do Mustang desacelera-o automaticamente, alimentando a bateria. Esta forte travagem regenerativa exige alguma habituação, mas não amplia apenas a autonomia do automóvel, como permite que se percorram as artérias da cidade quase sem tocar no travão.

No nosso teste ao novo SUV americano, aferimos que, em circuito misto, segundo o nível de zelo com a economia energética, percorrem-se entre 480 e 500 km com uma carga completa, o que é já um valor que pode classificar-se à prova de stresse: registámos a média de 18 kWh/100 km (que desce aumentando o tempo de condução em ambiente urbano). Os consumos em autoestrada, a 120 km/h, rondam os 21 kWh/100 km.

Automóvel do segmento da moda, SUV com estilo de coupé, o Mustang Mach-E AWD é uma experiência de condução relaxante, segura e, pretendendo-o, eletrizante, garantida pelos dois motores elétricos, com performances fantásticas para um automóvel deste gabarito, dignas de desportivo. Mas com uma autonomia de mais 450 km, sem constrangimentos. É um verdadeiro Mustang? Não tem a mesma envolvência do ‘pony car’, mas a condução com feeling e atitude desportiva estão lá.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

FORD MUSTANG

Mach E AWD 99 KWH

Motor
Tipo Elétrico, síncrono
Potência 351 cv (258 kW)
Binário 580 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 98,8 kWh
Tempo de carga (0-80%) 45 m (150 kW)
Transmissão
Tração Integral
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,712/1,881/1,597 m
Distância entre eixos 2,984m
Mala 402-1420 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 7jx19-225/55 R19
Pneus T 7jx15-225/55 R19
Peso 2182 kg
Relação peso/potência 6,2 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 180 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,1 s
Consumo médio 18,7 kWh/100 km
Autonomia 540
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão -
Bateria 8
Imposto de circulação (IUC) 0 €

Medições

FORD

Acelerações
0-50 km/h 2,6 s
0-100 / 130 km/h 6,2/9,4 s
0-400 / 0-1000 m 14,3/26,6 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,9 s
60-100 km/h (D) 3,2 s
80-120 km/h (D) 3,9 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,3/9,6 m
Consumos
Consumo médio 18 kWh/100km
Autonomia 500 km

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