Hyundai Ioniq 5

Tão bom quanto parece

TESTE

Por Vítor Mendes da Silva 31-07-2022 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

Primeiro modelo da Ioniq é uma espécie de crossover de estilo retro com os olhos postos no futuro, 100% elétrico, muito sofisticado, quase desportivo. Na versão de lançamento em Portugal com motor traseiro de 218 cv e 350 Nm de binário instantâneo, performances eletrizantes e autonomia para quase 500 quilómetros...

A Hyundai não pretende apenas posicionar-se na linha da frente das vendas na Europa. A marca sul-coreana também tem como objetivo impor-se como referência tecnológica, nomeadamente do domínio da eletromobilidade. Confirma-o com o 5, no arranque da submarca Ioniq. O objetivo é o de criar uma gama realmente ampla de automóveis de emissões nulas até ao final da presente década. O plano é ambicioso, mas se tivermos em conta este primeiro passo não será complicado acreditar que se tornará realidade. O SUVretro, que os asiáticos apresentam como bandeira do programa, tem trunfos para acelerar a fundo o ritmo da mudança de paradigma.

Concorrente do VW ID.4 (e também da Tesla, na tentativa da Tesla de democratizar o automóvel elétrico de longa autonomia), o Ioniq 5 sobressai desde logo por não perder pontos para o rival n.º 1, tanto na apresentação como na qualidade do interior, elogiando-se a maioria dos materiais e o rigor da montagem. Como o modelo alemão, o automóvel sul-coreano (só um pouco mais curto, mas mais largo do que o Santa Fe), tem 5 portas, 5 lugares e mala com capacidade mais do que suficiente: 531 a 1591 litros no Ioniq 5, 543 a 1575 litros no ID.4. Na comparação da habitabilidade, jogo mais igual.

Entre as vantagens da plataforma específica (a estreante E-GMP, com 3,0 m entre eixos) para a construção deste tipo de veículos, por não haver motor à dianteira – a unidade principal está colocada no eixo traseiro e as baterias ficam debaixo do piso –, está a possibilidade de ampliar o espaço no habitáculo, avançando alguns componentes, proporcionando fartura de centímetros livres ao nível das pernas nos lugares posteriores e a inclusão de mais compartimentos para pequenos objetos, promovendo o sentido prático.

Atrás, os assentos ainda admitem regulação longitudinal (até 135 mm) e os encostos podem inclinar-se ou rebater-se. A consola entre os bancos dianteiros, verdadeiras poltronas refrigeradas, também avança ou recua sobre uma calha com 14 centímetros. 

A apresentação é minimalista e a decoração de cores e tons suaves inspira-se na natureza, com profusão de materiais reciclados, no revestimento das portas e no tablier, nos bancos e também nos tapetes. Mas tudo com qualidade acima da média.

O painel de instrumentos é um monitor de 12’’ a cores, de resolução excecional, e a informação muda em função do programa de condução escolhido – Eco, Normal e Sport; em seletor no volante. À direita do condutor, equipamento multimédia, de topo, também em ecrã de 12”, que trabalha com o sistema operativo CarPlay da Apple e o Android Auto da Google. O interface, tátil, é intuitivo e veloz. O cockpit é despido de botões supérfluos – até o comando da caixa de velocidades está instalado na coluna de direção. Há botões físicos para operar o ar condicionado... E só. Mas não falta tecnologia a bordo, do Head-Up Display de realidade aumentada, que transforma o para-brisas num ecrã informativo durante a condução, à parafernália de câmaras, sensores e sistemas essenciais à tecnologia de condução autónoma, que é de nível 2 no SUV coreano. Opcionalmente, carregador bidirecional que permite utilizar a energia na bateria para alimentar outros dispositivos elétricos: pode fornecer até 3.6 kW de energia através da porta V2L (Vehicle-to-Load) sob os bancos traseiros ou na ficha exterior.

De série, estacionamento remoto, como os Tesla, e carregamento super-rápido (inversor que aumenta a corrente de 400V para 800V), ferramenta que existia só nos Porsche Taycan e Audi e-Tron GT. Na prática, num carregador de 350 kW, o Ioniq 5 carrega de 10 a 80% em apenas 18 minutos; ou seja, para 100 quilómetros bastam cinco minutos de carga.

Ainda inerente a esta moderna plataforma exclusiva para elétricos, também a dinâmica do Ioniq 5 pôde ser otimizada. Desde logo, pela possibilidade de alargamento da distância entre eixos e pela instalação da bateria em posição mais baixa possível, entre os dois eixos, para conseguir uma distribuição de peso próxima do ideal e um centro de gravidade baixo (apesar do formato insuflado e dos 160 mm de altura ao solo), cujo proveito reflete-se bem na excelente estabilidade do SUV. A arquitetura da suspensão, com ligações multibraços atrás, também ajuda, potenciando a agilidade sem depreciar o conforto de rolamento. A estas virtudes acrescenta-se o sistema de travagem. O condutor pode alterar o grau da travagem regenerativa para maximizar a autonomia.

Nesta versão, com a bateria maior, de 72,6 kWh de capacidade, e motor no trem posterior que gera rendimento máximo de 218 cv (350 Nm) para proporcionar ao SUV uma aceleração de 0 a 100 km/h em tão-só 7,7 segundos, enquanto a velocidade máxima é de 185 km/h, limitada para proteção da autonomia.  Neste primeiro teste ao SUV aferimos que, em circuito misto, segundo o nível de zelo com a economia energética, percorrem-se entre 450 e 500 km com uma carga completa, o que é já cifra à prova de stresse: registámos a média de 17 kWh/100 km (que desce bastante aumentando o tempo de condução em ambiente urbano). Os consumos em autoestrada, a 120 km/h, rondam os 21 kWh/100 km.

No demais, todas as credenciais reconhecidas aos elétricos modernos. Sente-se o peso do conjunto, mas a disponibilidade é imediata. As retomas são impressionantes pela rapidez e pujança, descobrindo faceta quase desportiva. Dizemos quase, porque a direção tem sempre peso, mas sem que isso acrescente maior capacidade informativa. O mecanismo é artificial, inclusive no modo Sport. Ainda assim, sublinhe-se, experiência de condução que surpreende pela positiva!

A Hyundai, no arranque da submarca Ioniq, amplia o espetro da sua gama com um produto de vanguarda na tecnologia. Automóvel inflacionado pela sofisticação, mas que vale por tudo o que acrescenta, no estilo e sofisticação, na eficiência, potência e nas performances, sem esquecer o comportamento dinâmico e ágil q.b., sem afetar o conforto. São 218 cv cheios de saúde e uma autonomia real para quase 500 km.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

HYUNDAI IONIQ

5

Motor
Tipo Elétrico, síncrono
Potência 160 kW (218 cv)
Binário 350 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 72,6 kWh
Tempo de carga (0-80%) 57 m (50 kW, CC)
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/-
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,635/1,890/1,605 m
Distância entre eixos 3m
Mala 531-1591 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 7,5jx19-235/55 R19
Pneus T 7,5jx19-235/55 R19
Peso 1985 kg
Relação peso/potência 9,1 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 185 km/h
Acel. 0-100 km/h 7,4 s
Consumo médio 17,9 kWh/100 km
Autonomia 481
Garantias/Manutenção
Mecânica 7 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Bateria 8
Imposto de circulação (IUC) 0 €

Medições

HYUNDAI

Acelerações
0-50 km/h 3,2 s
0-100 / 130 km/h 7,7/11,5 s
0-400 / 0-1000 m 15,9/26,6 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,2 s
60-100 km/h (D) 3,9 s
80-120 km/h (D) 4,3 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38,6/10 m
Consumos
Consumo médio 17 kWh/100km
Autonomia 450 km

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