BMW 420d Cabrio

Sobrevivente

TESTE

Por José Caetano 07-05-2022 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

Na segunda geração do descapotável da gama de desportivos baseada na arquitetura técnica do Série 3, a marca alemã renuncia à capota rígida retrátil, substituindo-a por uma estrutura têxtil, mas não abdica do motor Diesel, que propõe eletrificado!

A BMW acelera o plano de lançamento da segunda geração do Série 4, nome de família de desportivos baseada na arquitetura técnica (tração traseira de série, xDrive opcional, mas só nalgumas versões) da sétima geração do Série 3. Atingido o ritmo normal de produção do Coupé com duas portas e quatro lugares, a marca alemã introduz o Cabrio, que mantém as duas portas e os quatro lugares e tem a particularidade de representar uma espécie de regresso ao passado, com a recuperação da capota de lona abandonada na edição final do descapotável do Série 3, que estreou a fórmula do tejadilho rígido retrátil.

A solução manteve-se na primeira geração do Série 4 Cabrio, sustentada pelo apoio da direção da marca alemã, adepta dos argumentos a favor daquele tipo de estrutura. No entanto, logo no início do programa de conceção e desenvolvimento do automóvel novo, os fãs das capotas convencionais, têxteis, contra-argumentaram com sucesso. E este tejadilho, novo, não valoriza apenas a imagem do BMW (e da BMW!…). A qualidade da construção – leia-se materiais e montagem – beneficia a apresentação e promove o bem-estar a bordo, devido ao isolamento acústico e térmico mais do que suficientes, que combina com proteção ótima dos ocupantes (habitáculo à prova de correntes de ar!), na configuração descapotável.

Estas qualidades explicam-se. Segundo a marca de Munique, a capota têxtil é 40% mais leve do que a metálica do Série 4 Cabrio antecessor, tem diversas camadas de material têxtil, precisamente para isolar mais e melhor o interior do exterior, e integra  óculo em vidro que admite abertura e fecho elétricos e funciona como defletor de ar. Mais: a estrutura nova tem funcionamento muito rápido (BMW coberto ou descoberto em 18 s e ambas as operações podem realizar-se com o carro em movimento, à velocidade máxima de 50 km/h; já na edição anterior, com tejadilho rígido retrátil, a operação demorava 32 s e fazia-se apenas até 15 km/h). Logo, até aqui, com esta mudança, só vantagens!

Adotando a configuração descapotável do Série 4 Cabrio, com a capota colocada no interior de compartimento específico sobre a bagageira, a capacidade da mala diminui 85 litros, de 385 litros para 300. Menos mal: os encostos dos bancos traseiros admitem rebatimento, que não é complexo, para arrumação e transporte de objetos maiores em comprimento. Opcionalmente, no Série 4 Cabrio, conte-se com defletor móvel – instala-se atrás dos bancos dianteiros, sobre os dois lugares traseiros, que… elimina –, sistema Air Collar para aquecimento da nuca integrado nos apoios de cabeça do condutor e do passageiro do lado e climatização com três zonas independentes (duas à frente, uma atrás).

Mais 150 kg

Como é regra nos cabrios derivados de coupés, o peso do BMW aumenta de forma relevante (no caso, 170 kg), devido à necessidade de introdução de elementos estruturais novos, que reduzem o impacto negativo da perda de rigidez provocada pela subtração do teto metálico fixo, o que penaliza conforto, dinâmica e segurança do automóvel. Mas, além desses reforços, este Série 4 tem suspensão com regulação específica.

O Cabrio à prova tem amortecimento adaptativo (1260 €) controlado eletronicamente. O nível de firmeza é variável em função do programa de condução (Sport, Comfort, Eco Pro e Adaptive), que também influencia a resposta do motor ao acelerador, a rapidez da caixa, o funcionamento de várias assistências eletrónicas e a apresentação do painel de instrumentos (na versão de topo do BMW Live Cockpit, a Professional, este monitor tem 12,3’’ e soma-se ao ecrã de 10,25’’ do sistema multimédia).

O condutor senta-se em posição baixa e desportiva, num banco muito envolvente, o que convida a acelerar, mas este Cabrio não impressiona pelas sensações desportivas, algo limitadas pelo tato filtrado da direção e os movimentos da carroçaria nas transferências de massa, em curva. A regulação da suspensão e o peso também perturbam a agilidade e a precisão, mas nunca condicionam demasiado o desempenho dinâmico do automóvel, conduzindo-se só com o objetivo de desfrutarmos dos prazeres de um descapotável.

Diesel eletrificado

Respondendo às tendências da moda e satisfazendo a obrigação de reduzir consumos de combustível e emissões poluentes, a marca alemã eletrificou a mecânica de 4 cilindros com 2 litros. Neste sistema híbrido, o motor elétrico alimentado por uma bateria de pequena capacidade é a base de uma rede complementar de 48V e assiste a mecânica a gasolina, libertando-a de algumas funções. Assim, dispensa-se alternador, aumenta-se a suavidade do Start-Stop que silencia o Diesel em ambientes citadinos, em filas de trânsito e semáforos e disponibiliza-se uma função velejar. Tudo somado, consumo médio real de 5,7 litros, o melhor cartão de visita dos méritos da tecnologia!

O 4 cilindros com 190 cv e 400 Nm, muitíssimo bem apoiado por caixa automática de 8 velocidades com programa manual comandado sequencialmente em patilhas no volante (sistema Steptronic por 210 €), reage de forma enérgica a todos os movimentos no acelerador, comportamento que garante mais conforto e rapidez na condução. Os números das nossas medições confirmam o fôlego da mecânica, principalmente nas recuperações.

O Série 4 Cabrio, comparado com o Coupé, é melhor no conforto de rolamento e pior na dinâmica, devido a suspensão que privilegia mais o prazer na condução do que a agilidade e a precisão – e, assim, distinguem-se os descapotáveis dos desportivos. O Diesel combina disponibilidade com eficiência, por isso cumprindo o objetivo. E saúda-se a recuperação da capota têxtil, que mantém o comando elétrico, admite movimento muito mais veloz do que a rígida e não reduz o isolamento acústico, nem o térmico, devido à construção de qualidade (materiais e montagem).

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Ficha Técnica

Caracteristicas

BMW Série 4

420d Cabrio

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1995 cc
Alimentação Inj. direta CR+TGV+Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16V
Potência 190 cv/4000 rpm
Binário 400 Nm/1750-2500 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 8 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,768/1,852/1,384 m
Distância entre eixos 2,851m
Mala 385 litros
Depósito de combustível 59 litros
Pneus F 225/40 R19
Pneus T 255/35 R19
Peso 1850 kg
Relação peso/potência 9,73 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 236 km/h
Acel. 0-100 km/h 7,6 s
Consumo médio 4,9 l/100 km
Emissões de CO2 127 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 224,93 €

Medições

BMW

Acelerações
0-50 km/h 2,6 s
0-100 / 130 km/h 7,2/12,0 s
0-400 / 0-1000 m 15,2/28,2 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,6 s
60-100 km/h (D) 4,4 s
80-120 km/h (D) 5,6 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,3/9,3 m
Consumos
Consumo médio 5,7 l/100km
Autonomia 1035 km

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