Ford Puma ST Line X 1.0 EcoBoost MHEV 155 cv Auto

Animal de cidade

TESTE

Por Vítor Mendes da Silva 26-04-2022 19:00

Fotos: Gonçalo Martins

Com a variante mais potente do motor 1.0 a gasolina e uma imagem tão impactante como a desta versão desportiva ST Line X, a caixa automática com dupla embraiagem e sete relações garante o nível de funcionamento aprimorado que se adapta bem ao carácter do Ford Puma.

O Ford Puma é compacto baseado na plataforma do Fiesta posicionado na gama da oval azul entre o EcoSport e o Kuga, com o VW T-Roc produzido em Portugal e o Peugeot 2008 debaixo de olho. O modelo foi resposta à altura do construtor norte-americano ao crescimento extraordinário na procura de crossovers compactos e desportivos na Europa, propondo alternativa credível para os clientes do formato da moda que privilegiam a emoção à razão e valorizam mais o desenho do que a funcionalidade, o que não significa, atenção, falta de qualidades neste capítulo. Ao contrário, com cerca de 4,2 m de comprimento, o Puma é 20 cm mais comprido do que o Fiesta, sendo também ligeiramente mais largo e 6 cm mais longo entre eixos. Com isto, a fita métrica não revela progressos espetaculares em habitabilidade nos lugares posteriores, mas as soluções de versatilidade convencem. Vide a mala com 401 litros de capacidade mínima e com espaço adicional para arrumações sob o piso, o Ford MegaBox, que permite, por exemplo, acomodar dois sacos de golfe em posição vertical. Esta solução liberta 80 litros num espaço com 763 mm de largura, 752 mm de comprimento e 305 mm de profundidade, no qual podem colocar-se objetos até 115 cm de altura. Face ao Fiesta, que lhe serve de base, a funcionalidade sai melhorada também devida aos acessos mais práticos àquela área de carga e pela maior facilidade na entrada e saída do habitáculo.

Posição de condução

A posição ao volante é só 6 cm mais alta do que no Fiesta, automóvel com o qual o Puma partilha a plataforma e a maioria dos componentes, incluindo os bancos com ótimos apoios certificam que o condutor irá sentir-se bem amparado mesmo em estradas mais sinuosas. Os pedais são em alumínio e o punho do seletor da caixa e o volante revestidos em pele perfurada à imagem ‘racing’. Numa apreciação, a qualidade de construção e da montagem da maioria dos componentes e revestimentos é convincente, e a tecnologia a bordo harmoniza-se com a cada vez mais importante sofisticação do infoentretenimento e da conectividade. No painel de bordo, monitor de 8’’, a cores e tátil, que se combina com a instrumentação também digital, com 12,3’’ e totalmente configurável. Mas sem a apresentação moderna do Peugeot 2008, para citar apenas um rival. 

O sistema EcoBoost Hybrid do Puma, com 155 cv, associa variante mais musculada do 1.0 Turbo a máquina elétrica e rede de 48V. Este motor desempenha várias funções: arranca a mecânica a gasolina, recupera energia durante as desacelerações e as travagens, que armazena em bateria de iões de lítio e apoia o bloco térmico, exigindo-se-lhe resposta mais enérgica e rápida, mas nunca movimenta o SUV de forma autónoma. Tem outros propósitos, o de ajudar o motor a gasolina a consumir menos e o de fornecer empurrão elétrico nos regimes mais baixos através aumento pontual do débito de binário (num máximo de 50 Nm suplementares), eliminando o “turbolag” e melhorando as acelerações e as recuperações. As prestações que apurámos através das nossas medições não revelam um automóvel muito rápido, mas a verdade é que não sentimos, em nenhum momento, que o SUV fosse lenta ou estivesse submotorizada. O funcionamento da caixa automática de sete velocidades, de embraiagem dupla, facilita-o, por adaptar-se ao tipo de condução.

Motor e caixa automática ‘casam’ bem

A mecânica MHEV, denominação da Ford para sistema com duas fontes de energia, pode ser combinada com caixa de dupla embraiagem na versão de sete relações, em alternativa a boa caixa manual de seis velocidades, na gestão otimizada do funcionamento da mecânica enérgica, adequando-a ao regime ideal, ora para responder com elasticidade à pressão no acelerador, ou deixá-la operar a baixas rotações para economizar combustível. No final do nosso teste registámos uma média de 6,3 l/100 km. Doseando-se mais o acelerador e conduzindo-se em modo Eco, programa em que nota mais interventiva a tecnologia que permite recuperar e armazenar energia na desaceleração e travagem para carregar a pequena bateria de iões de lítio, não é difícil manter aquele registo mais próximo dos 6 litros redondos.

Decidida e sem hiatos entre as passagens, esta caixa automática permite ainda o comando manual-sequencial através de patilhas colocadas no volante. Estas são essenciais para melhor adaptar a resposta a um tipo de condução despachada a que propõe esta versão do Puma com 155 cv, mesmo se demora a processar algumas reduções mais bruscas – as caixas automáticas preferem trabalhar em parceria com motores de grande capacidade, com maior disponibilidade de binário que as ajude a minimizar o número de trocas. Nada que belisque as pretensões ‘racing’ do modelo.  

Puma é ‘animal’ de cidade

Além das credenciais reconhecidas da base que também serve o Fiesta, os engenheiros da marca desenharam para o Puma eixo de torção posterior mais rígido, por contar com amortecedores maiores, casquilhos exclusivos e batentes otimizados. A ideia era conter de forma eficaz os movimentos da carroçaria mais alta, potenciados em curva. E se a isto somarmos a direção ótima tanto em precisão com em “feedback” está praticamente explicada a forma brilhante como a oval azul consegue combinar neste carro o formato insuflado da moda, com todas as vantagens na condução de todos os dias, e a agilidade notável quando esticamos o ritmo. Os pneus de baixíssimo perfil (225/40 R19) que equipam esta versão talvez estejam uma medida acima…

Além dos programas de condução Normal, Eco e Sport, que alteram a resposta do acelerador, a assistência da direção e o cruise control, há mais dois modos para condições especiais. São o Slippery (Escorregadio), para superfícies de precária aderência – o acelerador tem uma resposta mais passiva e os controlos de estabilidade e de tração adotam outra afinação para garantir maior fiabilidade em pisos de neve, gelo ou lama – e o Trail (Trilho), para percursos mais acidentados, em que ajusta o sistema ABS para permitir um maior deslizamento das rodas e configura o controlo de tração para que as rodas possam rodar mais soltas. Se chegam para fazer do SUV da oval azul um especialista em todo o terreno, a resposta é não. Este Puma é ‘animal’ de cidade.

Os preços do Ford Puma ST Line X, com o motor 1.0 EcoBoost MHEV de 155 cv e caixa automática arrancam nos 30.721 €, mais 1708 euros do que a versão manual.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

FORD Puma

ST Line X 1.0 EcoBoost MHEV 155 cv Auto

Motor
Arquitetura 3 cilindros em linha
Capacidade 998 cc
Alimentação Inj. direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./12v
Potência 155 cv/6000 rpm (+16 cv )
Binário 220 Nm/3000 rpm (+ 50 Nm)
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Auto. de 7 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,5 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,207/1,805 /1,534 m
Distância entre eixos 2,588m
Mala 401-1161 litros
Depósito de combustível 41 litros
Pneus F 225/40 R19
Pneus T 225/40 R19
Peso 1280 kg
Relação peso/potência 8,25 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 205 km/h
Acel. 0-100 km/h 9 s
Consumo médio 5,8 l/100 km
Emissões de CO2 131 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 102,81 €

Medições

FORD

Acelerações
0-50 km/h 3,3 s
0-100 / 130 km/h 9,8 s
0-400 / 0-1000 m 16,3 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4 s
60-100 km/h (D) 4,1 s
80-120 km/h (D) 5,8 s
Travagem
100-0/50-0km/h 39,7/9,3 m
Consumos
Consumo médio 6,3 l/100km
Autonomia 666 km

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