Renault Twingo Electric Intens

O elétrico do povo

TESTE

Por Vítor Mendes da Silva 01-01-2022 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

Com bateria de iões de lítio de 22 kWh alojada sob os bancos dianteiros, para alimentar motor de 82 cv/160 Nm colocado em posição traseira, o citadino da marca do losango é o automóvel elétrico mais acessível em Portugal.

Ágil, divertido de conduzir, com feeling quase desportivo que resulta da combinação tração traseira e ligações ao solo com afinação mais firme, o Twingo tem na imagem de forte personalidade trunfo que o emblema francês sabe capitalizar. E na nova versão 100% elétrica, para caçar clientela no segmento dos citadinos, onde o sucesso emocional do Fiat 500 deixa margem reduzida, poucas foram as modificações operadas à carroçaria de modelo especialmente gizado para acelerar a mudança de paradigma no automóvel. Desde logo, com preço-canhão: disponível a partir de 22.200 €, é o elétrico mais acessível em Portugal.

Mais contas

Sim, o preço continua bastante elevado quando comparado com modelo idêntico equipado com o motor a gasolina de 65 cv (o Electric é cerca de 10.000 euros mais caro do que essa versão), significando que, equacionando apenas o preço de aquisição e o consumo energético, a maior rentabilidade da compra de elétrico compensará depois de percorridos muitos milhares de quilómetros. Mas façamos as contas: no citadino a baterias, ao custo da energia elétrica de rede doméstica (estimam-se 0,155 €/kWh), com consumo médio de 12,9 kWh/100 km gastam-se 2 €/100 km. Por seu turno, na versão térmica (ao preço do combustível de 1,54 € e o consumo médio real de 6 l/100 km) gastam-se 9,5 €/100 km. A diferença esbate-se, naturalmente, no abastecimento público, de acordo com os preços e as taxas de cada Operador do Posto de Carregamento. Mas apenas assim, já dá bem que pensar…

Dotado, de série, com carregador de bordo adaptativo/camaleão, o Twingo Electric pode ser ligado a qualquer ponto de corrente alternada (não suporta corrente contínua e postos rápidos), adaptando-se, automaticamente, até um máximo de 22 kW. Tempos de carga anunciados: 15 horas a 2,3 kW; 4 horas a 7,4 kW; 3h15 m a 11 kW e 1h30 m a 22 kW – neste último, consegue recuperar 80 km em 30 minutos.

Ainda nos prós, além da não produção, de forma direta, de emissões poluentes, contribuindo para melhor qualidade do ar, a condução fácil, silenciosa e despachada, cortesia da resposta instantânea à pressão no pedal da direita e acelerações de... míni foguete.

O motor de 82 cv/160 Nm (derivado dos motores síncronos de rotor bobinado utilizados no Zoe), colocado em posição traseira, transmite potência às rodas desse eixo, tal como nos Twingo a combustão, que foi lançado em 2013 com plataforma preparada para a eletrificação total, o que explica que cotas habitáveis e volumetria da mala se mantenham intactas. No Twingo Electric, o pack de baterias de iões de lítio de 22 kWh (com 96 células distribuídas por 8 módulos, pesando 165 kg), está instalado sob os bancos dianteiros, ajudando na otimização da distribuição do peso entre eixos e baixando o centro de gravidade.

Como o modelo original, o Twingo a baterias conduz-se com muita facilidade, de forma intuitiva e simples. E as baterias recarregam nas etapas de desaceleração e travagem. Também por isso o ritmo de recuperação de energia está diretamente relacionado com o tipo de trajeto. Ou seja, ao contrário do que acontece no automóvel equipado com motores de combustão, no elétrico é o pára-arranca da cidade que é mais amigo da autonomia. Empurrando o seletor da caixa para a frente temos os níveis B1, B2 e B3 de regeneração do modo D, para um máximo de desaceleração de 1,4 m/s; bem abaixo do que faz a maioria da concorrência. Neste tipo de utilização, e selecionando-se o modo ECO, que limita o rendimento do motor, consumos a rondar os 11 kWh/100 km permitem sonhar com os 200 km de autonomia declarados pela Renault. Em circuito misto, cidade/estrada e autoestrada, o consumo medido foi de 12,9 kWh/100 km, média que se traduz numa autonomia aproximada de 185 quilómetros.

De acordo com os estudos europeus, o condutor médio de um citadino faz 30 quilómetros por dia, o que significa que o proprietário de um Twingo Electric necessitaria de o colocar à carga ao fim... de seis dias! Obviamente, muitas outras variáveis há a considerar, mas a autonomia elétrica real deste pequeno Renault é, sim, uma agradável surpresa. Como as prestações e as credenciais dinâmicas. Um elétrico para todos.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

RENAULT TWINGO

Electric Intense

Motor
Tipo Elétrico síncrono
Potência 82 cv (60 kW)
Binário 160 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 21,4 kWh
Tempo de carga (0-80%) -
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo rígido (DeDion)
Travões F/T Discos ventilados/Tambores
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/8,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 3,615/1,646/1,557 m
Distância entre eixos 2,492m
Mala 180-988 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 6jx15-185/50 R15
Pneus T 6jx15-205/45 R15
Peso 1518 kg
Relação peso/potência 18,5 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 135 km/h
Acel. 0-100 km/h 12,9 s
Consumo médio 16 kWh/100 km
Autonomia 190
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão -
Bateria 8
Imposto de circulação (IUC) 0 €

Medições

RENAULT

Acelerações
0-50 km/h 3,9 s
0-100 / 130 km/h 12,6 s
0-400 / 0-1000 m 18,3 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,7 s
60-100 km/h (D) 4,7 s
80-120 km/h (D) 6,8 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,9/9 m
Consumos
Consumo médio 12,9 kWh/100km
Autonomia 185 km

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