Ford Explorer 3.0 Ecoboost Plug-in Hybrid

Bem-vindo!

TESTE

Por José Caetano 06-11-2021 07:00

A Ford, na Europa, tem SUV novo no topo da gama. Chama-se Explorer e vende-se apenas com tecnologia híbrida Plug-In. No sistema com 457 cv e 825 Nm, motor de 6 cilindros a gasolina, máquina elétrica alimentada por bateria de iões de lítio, caixa automática de 10 velocidades e tração integral. As conclusões do nosso teste.

A Ford implementou estratégia de globalização da gama que alavancou o lançamento dos automóveis mais emblemáticos da marca norte-americana na Europa. Assim, depois do Mustang, conhecemos o Explorer, o Sport Utility Vehicle (SUV) de maiores dimensões comercializado pelo fabricante de Dearborn, EUA, no lado de cá do Atlântico – no de lá, comercialmente, posiciona-se acima do Edge e abaixo do Expedition. Só por isso é bem-vindo!

Produzido desde 1990, o ano em que substituiu o Bronco no catálogo doméstico da marca da oval azul, o Explorer acumula quase oito milhões de unidades vendidas em cerca de três décadas de carreira bem-sucedida. Esta geração, a 6.ª, foi apresentada em 2019, no salão de Detroit e assenta numa plataforma de tração traseira que também admite quatro rodas motrizes (arquitetura CD6) e fabrica-se em Chicago, no Illinois (EUA). Na Europa, o SUV assume o estatuto de topo de gama e vende-se apenas com tecnologia híbrida Plug-In.

A eficiência do sistema depende, obrigatoriamente, da utilização regular do sistema de recarregamento externo das baterias. O pacote tem 13,1 kWh (utilizam-se apenas 10,3 kWh), uma capacidade que permite percorrer um máximo de 42 km de forma elétrica, um limite que deixa o Ford de fora dos incentivos fiscais disponíveis em Portugal...

Na versão PHEV do Explorer, mecânica de 6 cilindros e 3 litros a gasolina, com 363 cv e 555 Nm, máquina elétrica com 75 kW (102 cv) e 300 Nm alimentado por bateria de iões de lítio, caixa automática de 10 velocidades e tração integral. O rendimento máximo do sistema é de 457 cv e 825 Nm, o que explica as performances (quase) desportivas do SUV com cerca de 2,5 toneladas, nomeadamente a aceleração 0-100 km/h em 6 s e a velocidade máxima de 230 km/h. Depois de esgotar os 42 km do modo de condução elétrico, consumo médio de 3,1 l/100 km, de acordo com o protocolo de homologação europeu WLTP.

No entanto, também no caso do Explorer PHEV, a prática contraria a teoria, não no potencial de conduzirmos o Ford de forma elétrica, muito silenciosa e suavemente, mas na eficiência do V6 a gasolina e da tecnologia híbrida Plug-In… No nosso teste, percorremos 40 km com a mecânica térmica desligada, mas não conseguimos um consumo médio abaixo de 11 l/100 km. Este facto alerta-nos para a exigência de recarregarmos a bateria com regularidade, sob risco de comprometermos as mais-valias do sistema. E a operação nem sequer é (muito...) demorada: numa tomada doméstica, a 2,3 kW, 5.48 h. No entanto, admite-se potência maior (3,6 kW), que reduz o tempo da recuperação de 100% de carga nas baterias para 4.30 h.

Este sistema do Ford é multifacetado. Contando-se com uma bateria carregada, o Explorer pode mover-se em modo elétrico ou híbrido. O condutor seleciona o que pretende no comando EV posicionado na consola entre os bancos dianteiros. Depois de esgotada a energia, o funcionamento é sempre híbrido. Admite-se, igualmente, uma reserva de eletricidade para utilização posterior, por exemplo numa zona de acesso condicionado, além da possibilidade de alimentar o acumulador com o motor de combustão interna, mas o programa não permite ativação quando o nível de carga atinge o mínimo de 8%. No entanto, trata-se de expediente muito mais dispendioso do que a ligação a uma tomada…

Sete lugares

No Explorer PHEV, sete lugares. O espaço a bordo mais do que satisfaz, não existindo nunca condicionamento da liberdade de movimento em qualquer dos bancos das três filas, mesmo tratando-se de passageiros adultos. A capacidade da mala depende, naturalmente, da configuração do habitáculo, anunciando-se um  mínimo de 240 litros e um máximo de 2274 litros. A 3.ª fila rebate-se com facilidade, através de um sistema elétrico ativado em comandos específicos no interior do compartimento de carga. O condutor senta-se confortavelmente e tem todos os comandos ao alcance da mão e organizados de forma lógica, o que diminui os riscos de distrações, maiores nos automóveis que concentram os comandos de todas as funções nos menus e submenus dos monitores digitais dos sistemas de infoentretenimento.

O Ford também dispõe de ecrã no centro do painel de bordo – tem 10,1’’, apresenta-se na vertical e admite uma seleção tátil –, mas os programas de utilização frequente ativam-se em botões, vide controlo dos modos de ação para adaptação do chassis e da mecânica às características tanto da condução como do piso: Desporto, Eco, Normal, Escorregadio, Trilho e Neve/Areia. E soma-se-lhes o Rebocar/Transportar que otimiza a resposta de SUV com aptidões quer para o fora de estrada, quer para puxar atrelado até 2500 kg, capacidades que posicionam o Explorer no topo de categoria dominada por automóveis de marcas premium europeias – Audi Q7, BMW X5, Mercedes-Benz GLE, Volvo XC90… Os sete programas intervêm na resposta do motor ao acelerador, na atuação da caixa de velocidades, na assistência da direção e nos funcionamentos dos controlos de estabilidade e tração. E também mudam a apresentação e a informação no painel de instrumentos, igualmente digital.

Dinâmico

O Explorer, considerando as dimensões e o peso, movimenta-se bem q.b., embora não consiga aproximar-se das referências da categoria no que respeita ao desempenho dinâmico. Os méritos do Ford devem-se tanto à firmeza da suspensão, que limita os movimentos da carroçaria em curva, diminui a capacidade do amortecimento na filtragem das irregularidades do piso e aumenta a agilidade nas mudanças de direção, como ao desempenho do sistema híbrido, que proporciona muita rapidez quer nas acelerações, quer nas recuperações, com o funcionamento da caixa automática de 10 velocidades a contribuir para esta impressão positiva. Agradece-se, ainda, a potência e a resistência à fadiga dos discos do sistema de travagem.

A tração integral adapta a distribuição do binário de forma automática, acionando apenas as rodas posteriores quando o Explorer circula com aderência ótima e em reta, em autoestrada e estrada. O comprimento e a largura da carroçaria do SUV da Ford condicionam a agilidade e a facilidade de manobra em cidade, mas os norte-americanos, para apoio à condução, equiparam o automóvel com uma mão cheia de câmaras exteriores.

O Explorer não tem a apresentação luxuosa nem o comportamento refinado e suave dos SUV das marcas premium dominantes no mercado nacional, mas apresenta-se com equipamento abundante – apenas pintura metalizada entre os opcionais! – e tecnologia híbrida Plug-In moderna. O topo de gama da Ford percorre até 42 km de forma 100% elétrica, mas também não cumpre a promessa de muito baixo consumo de combustível. No demais, maioritariamente, impressões positivas.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

FORD Explorer

3.0 ECOBOOST PLUG-IN HYBRID

Motor térmico
Arquitetura 6 cilindros em V
Capacidade 2956 cc
Alimentação Injeção direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2x2 a.c.c./24v
Potência 363 cv (267 kW)/5750 rpm
Binário 555 Nm/3500 rpm
Motor elétrico
Tipo Síncrono
Potência 102 cv (75 kW)
Binário 300 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade da bateria 16,6 kWh
Módulo Híbrido
Potência 457 cv
Binário 825 Nm
Transmissão
Tração Integral permanente
Caixa de velocidades Automática de 10 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/12,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 5,062/2,004/1,778 m
Distância entre eixos 3,025m
Mala 240-635-2274 litros
Depósito de combustível 68 litros
Pneus F 255/55 R20
Pneus T 255/55 R20
Peso 2466 kg
Relação peso/potência 5,39 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 230 km/h
Acel. 0-100 km/h 6 s
Consumo médio 3,1 l/100 km
Emissões de CO2 71 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 2/12 anos
Intervalos entre revisões 20000 km
Imposto de circulação (IUC) 533,04 €

Medições

FORD

Acelerações
0-50 km/h 2,2 s
0-100 / 130 km/h 5,8/8,9 s
0-400 / 0-1000 m -
Recuperações
40-80 km/h (D) s
60-100 km/h (D) 3,0 s
80-120 km/h (D) 3,6 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38,9/- m
Consumos
Consumo médio 11,1 l/100km
Autonomia 612 km

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