Maserati Ghibli Hybrid Grandsport

Discretamente, eletrifique-se!

TESTE

Por José Caetano 08-08-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

O Ghibli, primeiro automóvel com motor a gasóleo na história da Maserati, projeta o futuro da marca do tridente: na edição-2021 da berlina, tecnologia híbrida como alternativa ao Diesel, com mecânica de 4 cilindros e 2 litros a gasolina apoiada eletricamente… Com a mudança, ganha-se ou perde-se? Primeiro teste!

O lançamento da versão Hybrid do Ghibli representa o pontapé de saída no projeto de eletrificação do automóvel da Maserati, emblema que mantém todos os investimentos previstos para os próximos anos, independentemente do impacto da COVID-19. Recordamo-lo: até 2025, promessa de mais de 2,5 mil milhões de euros para o desenvolvimento e a produção de 13 carros novos, incluindo seis com versões elétricas. No programa, MC20 e MC20 Spider, GranTurismo, GranCabrio e Sport Utility Vehicle novos (o terceiro posicionar-se-á abaixo do Levante), com motores térmicos a gasolina e gasóleo, híbrido Plug-In e, em 2022, versão 100% elétrica!

O Ghibli Hybrid em exame representa o início da implementação do programa Folgore e o prenúncio do fim da produção de versões a gasóleo (o motor V6 de 275 cv mantém- se na gama, por 118.958 €). Na berlina com mecânica de 4 cilindros e 2 litros, sistema MHEV (rede complementar de 48V). Esta tecnologia não permite que o automóvel circule de forma elétrica, mas a bateria suplementar alimenta um compressor elétrico (eBooster) que apoia o motor térmico, originando sobrepressão na alimentação que otimiza a atuação do turbocompressor.

O 4 cilindros de origem Alfa Romeo, marca que também integra o consórcio Fiat Chrysler Automobiles (FCA), também foi objeto de atualização e modernização, de acordo com a Maserati. Este 2 litros partilhado com Giulia e Stelvio é assistido por caixa automática de 8 velocidades. No sistema da ZF, programa manual ativado de forma sequencial em patilhas XXL no volante. No Ghibli Hybrid com tração traseira, autoblocante eletrónico otimiza a repartição do binário entre as rodas posteriores, melhorando-se o nível de aderência, que também beneficia com os Continental SportContact 6 muito largos (285/35), melhoram-se tanto a agilidade como a precisão na condução!

O Hybrid acelera de 0 a 100 km/h em 5,7 s, de acordo com a marca transalpina… É mais rápido do que o Diesel (6,3 s) e mais lento do que os V6 com 350 cv e 430 cv (respetivamente, 5,5 s e 4,7 s). A energia armazenada em bateria específica, teoricamente, assiste o funcionamento da mecânica de combustão interna, mas as duas versões com motores de 6 cilindros são muito mais reativas, co- -mo ilustram os números promovidos pelo fabricante que tem um tridente como emblema. Teoricamente, o sistema elétrico complementar de 48V também reduz o consumo, por diminuir o esforço da mecânica nas fases de carga. Anuncia-se média de 8,5 l/100 km, registo que não iguala os 7 litros declarados para o turbodiesel que sai de cena, mas não conseguimos melhor do que 11,3 l/100 km. E este registo, que excede até os 11 l/100 km homologados para a versão com 350 cv, não confirma a redução prometida de 20% no consumo de gasolina, comparando-se o 4 cilindros com o V6, motor maior e mais guloso.

O recurso a mecânica mais pequena reflete-se, negativamente, na dimensão sonora do Ghibli, mesmo se a Maserati anuncia otimização do sistema de escape, precisamente com o objetivo primeiro de torná-lo mais expressivo. O 4 cilindros não tem a melodia desportiva do 6 cilindros e, assim, experiência menos estimulante. Todavia, não valorizando muito a performance, mais do que satisfaz em rapidez, agilidade, conforto, precisão e segurança.

Na versão GrandSport, apresentação desportiva, amortecedores controlados eletronicamente (Skyhook) – a firmeza regula-se em comando próprio na consola entre os bancos dianteiros, à esquerda do seletor da caixa. Complementarmente, sistema de modos de condução. O I.C.E. privilegia a eficiência, por baixar o consumo, pelo menos no plano teórico, enquanto Sport acelera o ritmo da ação. Nos dois, através da eletrónica, adapta-se o funcionamento de controlo de estabilidade, escape, motor (incluindo kick-down e limite de rotações) e transmissão, aumentando-se ou diminuindo- se a reatividade dos vários sistemas do automóvel. A diferença nota-se, mas os V6 são mais sensíveis.

No Ghibli Hybrid, sistema de travagem com discos potentes e resistentes à fadiga: 34,9 m na medição 100-0 km/h é registo ótimo, considerando as mais de 1,8 toneladas de automóvel que também tem novidades no equipamento. A marca, na modernização da berlina de 4 portas introduzida em 2013 e atualizada em 2017, concentrou-se nos apoios eletrónicos à condução e na conectividade. Na edição-2021 do Maserati, equipamento multimédia novo com monitor a cores de 10,1’’ no centro do painel de bordo (substitui ecrã com 8,4’’), que admite seleção tátil de programas, como acontece nos smartphones. É compatível com os sistemas operativos Apple CarPlay e Android Auto e estreia conetividade que disponibiliza acesso a assistentes pessoais (Alexa e Google).

O Ghibli, na edição-2021, está mais bem isolado do exterior, o que melhora o bem-estar a bordo, e tem duas mãos cheias de apoios à condução, incluindo regulador de velocidade ativo, manutenção no centro da faixa de rodagem, reconhecimento de sinais, controlo dos ângulos mortos nos retrovisores exteriores... O Hybrid tem apontamentos decorativos que garantem maior diferenciação – pinças dos travões, grelhas laterais da ventilação e raio do logotipo no pilar traseiro da carroçaria em azul. No GrandSport, para-choques, faróis, farolins e equipamentos novos.

A Maserati comemorou 105 anos em 2020. A marca vive momento de alguma turbulência, devido à acumulação de resultados dececionantes, mas mantém-se o investimento de 2,5 mil milhões de euros em 13 automóveis até 2025, incluindo seis com versões elétricas! O Ghibli é o primeiro híbrido. A tecnologia MHEV impressiona pouco, por não beneficiar de forma significativa tanto o consumo como as performances. Valem quer o pontapé de saída, quer o acesso a marca tão exclusiva por menos de 100.000 €.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

MASERATI GHIBLI

Hybrid Grandsport

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1995 cc
Alimentação Injeção direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 330 cv/5750 rpm
Binário 450 Nm/4500 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 8 vel
Chassis
Suspensão F Ind. multibraços
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,7 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,971/1,945/1,461 m
Distância entre eixos 2,998m
Mala 500 litros
Depósito de combustível 80 litros
Pneus F 8,5jx20-245/40 ZR20
Pneus T 8,5jx20-285/35 ZR20
Peso 1878 kg
Relação peso/potência 5,69 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 255 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,7 s
Consumo médio 8,5 l/100 km
Emissões de CO2 192 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 3 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/3 anos
Intervalos entre revisões 15000 km
Imposto de circulação (IUC) 239,37 €

Medições

MASERATI

Acelerações
0-50 km/h 2,1 s
0-100 / 130 km/h 6,1 / 9,4 s
0-400 / 0-1000 m 9,4 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,4 s
60-100 km/h (D) 4,5 s
80-120 km/h (D) 5,3 s
Travagem
100-0/50-0km/h 34,9/8,5 m
Consumos
Consumo médio 11,3 l/100km
Autonomia 707 km

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