Mercedes-Benz E 300 de Station

Transição tecnológica

TESTE

Por José Caetano 22-05-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

A Mercedes-Benz, na edição nova do Classe E, combina passado, presente e futuro do automóvel na Europa! Na versão 300 de, sistema híbrido Plug-In com mecânica Diesel ‘apoiada’ por motor elétrico. Esta carrinha, utilizando-a bem, percorre cerca de meia centena de quilómetros sem emissões de gases de escape.

Na indústria automóvel, para acelerar uma mudança de paradigma que tem como objetivo principal a renúncia ao consumo dos combustíveis fósseis muito poluentes, cumpre-se período indispensável de transição tecnológica, com coabitação de sistemas de propulsão. Os híbridos Plug-In (carregamento externo da bateria), mecânicas de combustão interna apoiadas por motores elétricos e programas de condução sem quaisquer emissões de gases de escape, são fórmula com impacto positivo na promoção dos níveis de eficiência.

A capacidade dos PHEV não é consensual, multiplicando-se as críticas à complexidade, peso e pouca eficiência de tecnologia que condutores a mais utilizam deficientemente, por ignorarem a obrigatoriedade de carregamento das baterias para desfrutarem do potencial enorme do sistema… Assim, despreza-se a vantagem da assistência elétrica à mecânica térmica, negligencia-se a possibilidade de percorrer dezenas de quilómetros livres de emissões poluentes, principalmente em ambientes urbanos, e sobrecarrega-se o motor de combustão interna, com consumos a aumentarem em vez de diminuírem.

Recentemente, relatório de associação britânica que analisa o impacto dos transportes no meio ambiente informou que as emissões de CO2 dos PHEV são duas vezes maiores do que os números reivindicados pelos fabricantes, precisamente devido à displicência dos proprietários de lobos em pele de cordeiro que valem cada vez mais vendas.

Copo meio vazio  

No primeiro teste à edição nova do Classe E, uma atualização importante do W213 que os alemães introduziram na Europa durante a primavera de 2016, optámos pela versão do copo meio vazio e arrancámos com a bateria sem energia, de forma a percebermos o impacto da decisão no consumo! A Mercedes- Benz promete uma média de 1,6 l/100 km, gastámos 4,7 litros… Depois, noite muito bem dormida, carrinha ligada à corrente (conta com cabo que admite potências até 7,4 kW, mas alimentámo-la a 2,3 kW durante 5 horas) e conseguimos 2,8 l/100 km, percorrendo meia centena de quilómetros eletricamente, o que impõe alguma moderação em todos os movimentos no pedal do acelerador.

A modernização do Classe E incluiu otimização do sistema híbrido, de forma a torná-lo muito mais inteligente. A eletrónica encarrega- se da gestão do funcionamento, adaptando-o, automaticamente, a cada momento da condução, sempre em função do nível de carga da bateria. Drive, Charge, Drive & Charge, Boost, Gliding Mode e E-Drive são os modos apresentados num submenu do ecrã do sistema multimédia, que tem as mesmas dimensões do monitor digital da instrumentação: 12,3’’. Este equipamento integra a tecnologia MBUX da Mercedes- Benz, com o assistente pessoal que permite a ativação de diversas funções do automóvel através de instruções vocais. E funciona!

Antes de acelerarmos, concentremo-nos noutra novidade: para aumento do conforto, Pack Energizing emite fragâncias, muda a iluminação do interior para valorizar o bem-estar no automóvel e até conta com programa PoweNap para melhorar a qualidade do repouso nas paragens para carregamento da bateria! Infelizmente, os prazeres pagam-se: 4300 €.

Eficiente e poderoso  

O sistema híbrido do Classe E não é apenas eficiente… Combinando os 194 cv do Diesel partilhado com a versão 220 d (194 cv e 400 Nm) com os 122 cv e os 440 Nm do motor elétrico, encontram- se 306 cv e 700 Nm sob o pedal do acelerador. Por isso, o nível das performances não espanta, com promessa (cumprida!) de aceleração 0-100 km/h em 6 segundos e velocidade máxima de 250 km/h (limitada eletronicamente). No entanto, cautela e caldos de galinha: privilegiando a disponibilidade de energia à eficiência, o consumo aumenta de forma exponencial, mesmo dispondo- -se de mecânica a gasóleo… Esta tecnologia está a perder popularidade, mas ainda vale muitas vendas na Europa, o que explica a manutenção do «300 de» ao lado do «300 e» a gasolina (320 cv) na gama para o Velho Continente!

O 300 de tem caixa automática de 9 velocidades 9G-Tronic com comando Direct Select próximo do volante, além de patilhas para ativação sequencial do programa manual. A versão em exame dispõe de tração traseira, mas há versão com quatro rodas motrizes (4Matic), por 75.400 €. Globalmente, a carrinha comporta-se muito bem, embora o conforto de rolamento sobressaia mais do que a dinâmica na condução, o que também não surpreende, considerando as dimensões e o peso (mais de 2,1 toneladas, com 123 kg a corresponderem só a bateria).

Nos Classe E PHEV, precisamente devido às dimensões da bateria, bagageiras com menos capacidade: 480 a 1660 litros em vez de 640/670 a 1820 litros. Perde-se, ainda, a hipótese de regularmos a inclinação dos encostos dos bancos posteriores. Todavia, o conforto e a qualidade do interior são excecionais. E a atualização introduzida em 2020 valorizou-os muito, devido à profusão de equipamentos, incluindo assistências à condução. Entre as muitas novidades, volante com quatro superfícies táteis para ativação muito mais intuitiva e rápida de quase duas mãos cheias de funções e programas do automóvel. E, assim, mantendo-se os olhos na estrada, aumenta-se a segurança.

A fórmula PHEV acelera o ritmo de eletrificação do automóvel. Vive-se período de transição tecnológica e a Mercedes-Benz, com o Classe E 300 de, abre a porta ao futuro, por permitir-nos adaptação muito fácil à condução de um modelo alimentado apenas por baterias, que tem particularidades importantes… Por outro lado, desconfiando- se das vantagens do progresso, sob o capot, existe mecânica de combustão interna a gasóleo. E à lista de qualidades da carrinha soma- -se a autonomia de mais de 1000 km!

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Ficha Técnica

Caracteristicas

MERCEDES E

E 300 de STATION

Motor térmico
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1950 cc
Alimentação Injeção direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 194 cv/3800 rpm
Binário 400 Nm/1600-2800 rpm
Motor elétrico
Tipo -
Potência 122 cv
Binário 440 Nm
Bateria -
Capacidade da bateria 13,5 kWh
Módulo Híbrido
Potência 306 cv
Binário 700 Nm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 9 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. multibraços
Suspensão T Ind. Multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,945/1,852/1,476 m
Distância entre eixos 2,939m
Mala 480-1660 litros
Depósito de combustível 50 litros
Pneus F 8jx18-245/45 R18
Pneus T 9jx18-275/40 R18
Peso 2145 kg
Relação peso/potência 7 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 250 km/h
Acel. 0-100 km/h 6 s
Consumo médio 1,6 l/100 km
Emissões de CO2 42 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/30 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 224,93 €

Medições

MERCEDES

Acelerações
0-50 km/h 2,1 s
0-100 / 130 km/h 5,9 s
0-400 / 0-1000 m 14/25,7 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,5 s
60-100 km/h (D) 3,0 s
80-120 km/h (D) 4,5 s
Travagem
100-0/50-0km/h 34,8/9,2 m
Consumos
Consumo médio 2,8 l/100km
Autonomia 1063 km

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