Renault Mégane R.S. Trophy

Já há poucos assim…

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 15-05-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

Não tenhamos ilusões, pois serão cada vez menos num futuro próximo: por “culpa” da necessidade de eletrificação, desportivos com o carisma mecânico do Mégane R.S. Trophy estão (mesmo!) em vias de extinção. Carisma que, felizmente, se manteve nesta atualizada geração em que a Renault se focou no retoque da imagem exterior e em somar uma visão mais digitalizada e tecnológica ao habitáculo.

Historicamente, a Renault Sport (R.S.) sempre nos habituou a criações bem emotivas, mesmo tendo por base modelos aparentemente desprovidos de “alma”, caso das diversas gerações de Clio e Mégane. E em que o atual Mégane R.S. Trophy (deixando o radicalíssimo Trophy-R fora desta equação) perpetua uma ligação umbilical entre o homem e a máquina, com poucas cedências ao conforto, mesmo somando a versatilidade permitida por uma carroçaria de 5 portas – aqui mais larga para suportar o aumento das vias, pneus e jantes maiores e até mesmo a arquitetura diferenciada do eixo dianteiro de pivot independente.

Visualmente, são as “expressões óticas” que mais diferenciam esta segunda fase de vida do desportivo lançado em 2017, com nova disposição interior dos grupos de iluminação, com as principais diferenças a surgir nos elementos traseiros. À frente, a Renault manteve os três focos de luz na zona mais inferior (a fazer lembrar uma bandeira xadrez). Já no interior, o destaque vai para o novo quadrante da instrumentação, agora totalmente digital num monitor de 10,2 polegadas, com diversos cenários e visualizações que não só variam segundo o modo de condução selecionado, como permite a personalização da informação projetada, caso de temperatura e pressão do óleo. Na consola central mora agora um também novo sistema multimédia num monitor tátil vertical de 9,3’’, não só de mais fácil interação e navegação, mas acima de tudo com gráficos bem mais modernos e atraentes, com elucidações várias das diversas tecnologias ao serviço do condutor, como travagem autónoma, indicação de sinais de trânsito ou assistente de faixa, mas cima de tudo com os pormenores mais ligados à condução. Assim, os grafismos de personalização da sonoridade de escape, atuação do sistema de rodas traseiras direcionais (4Control), resposta do motor ao acelerador e mesmo a tonalidade da iluminação do habitáculo e tipo de grafismo da instrumentação, estão agora expressos de modo não só mais atraente como simples de interagir/selecionar.

Com a nova gama, o Mégane R.S. passa a estar disponível na versão “normal” e nesta Trophy, se bem que agora ambas contem com a especificação de 300 cv do bloco 1.8 turbo a gasolina. O Trophy, 5500 € mais caro, distingue-se pelas especificações técnicas verdadeiramente direcionada para uma condução sem compromissos, por apresentar amortecimento mais firme (25% à frente e 30% atrás), barra estabilizadora mais rígida, diferencial mecânico do tipo Torsen no eixo dianteiro motriz, assim como sistema de travagem Brembo com discos bi-material. A nota de escape, rouca e com rateres nas desacelerações, é sempre um apontamento sensorial que contribui com mais “lenha” para a fogueira emotiva! Ou seja, este é daqueles automóveis que nasceu… para o que é!

Com esta atualização de gama, são também diferentes os modos de condução, agora apenas três de base (Save, Sport e Race) a que se junta a possibilidade de personalização do modo My Sense. Os opcionais bancos desportivos em Alcantara parece que nos deixam a pilotar numa posição mais rebaixada e ligada à estrada, sentindo-se ainda melhor cada abanão e sacudidela por parte da suspensão extremamente rígida (amortecimento fixo) que nos deixa perceber que o Trophy não é a melhor companhia no uso quotidiano. Mas por que este é mesmo um carro focado numa condução de “faca nos dentes”, despertando sensações fortes a cada pisar mais efusivo do acelerador, com resposta nervosa do motor – não obstante a existência de um pouco de turbo lag na entrega da sobrealimentação – sempre acompanhado pelas efusivas notas de escape. Tudo devidamente controlado pelo mordaz eixo dianteiro, casando a aderência motriz com o trabalho do autoblocante, numa incessante busca de eficácia e precisão direcional. Com uma essência mecânica e visceral, a exigir força de braço e concentração, como se quer num carro que apresenta todos os requisitos para fazer boa figura num track day! Até porque a agilidade do chassis conjugada com o trabalho e reatividade do eixo traseiro direcional, tal como a resistência do sistema de travagem, são qualidades que chegam a impressionar para um carro de série, o mesmo se passando com o peso e consistência colocada no pedal de travão, sem pingo de artificialismo – devido à essência, os discos bi-material precisem de aquecer um pouco, o mesmo se passando com os pneus Bridgestone Potenza S001, para o melhor rendimento deste conjunto.

O modo Race continua intimamente ligado às mais fortes emoções, desligando os controlos de tração e de estabilidade e tornando verdadeiramente intenso o comando da caixa automática em modo manual/sequencial através das patilhas de generosas dimensões solidárias com a coluna de direção. Não foi esquecida a função de arranque otimizado (launch control), onde mesmo com um patinar (controlado) das rodas dianteiras se consegue obter os 5,7 s de 0-100 km/h, excelente registo para um carro de tração dianteira. Aliás, a atitude da caixa automática (não obstante de apenas seis curtas relações), sempre rápida nas trocas, conjuga-se com a nota de escape para intensificar o verdadeiro pendor emotivo que é guiar este automóvel.

O Mégane R.S. Trophy está longe de ser a mais amistosa companhia quotidiana, mas continua a ser um carro com total foco na condução rápida, precisa, certeira e apaixonada. Gastador (de combustível) e sem concessões, é um dos restantes puros e duros. Para que serve? Para ser pilotado!

Preço:

Renault Mégane R.S. Trophy – 49.600 €

Preço da Unidade Ensaiada – 52.700 €

Opcionais presentes na unidade ensaiada:

Pintura metalizada Amarelo Sirius – 1600 €

Bancos desportivos Recaro em pele e Alcantara – 1500 €

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Ficha Técnica

Caracteristicas

RENAULT MÉGANE

R.S. TROPHY

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1798 cc
Alimentação Inj. direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 300 cv/6000 rpm
Binário 420 Nm/2400 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Pivot independente
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,3 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,364/1,875/1,435 m
Distância entre eixos 2,669m
Mala 294 litros
Depósito de combustível 50 litros
Pneus F 245/35 R19
Pneus T 245/35 R19
Peso 1501 kg
Relação peso/potência 5 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 260 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,7 s
Consumo médio 8,1 l/100 km
Emissões de CO2 184 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 20000 km
Imposto de circulação (IUC) 239,37 €

Medições

RENAULT

Acelerações
0-50 km/h 2,7 s
0-100 / 130 km/h 5,7 / 8,5 s
0-400 / 0-1000 m 14 / 25,3 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,3 s
60-100 km/h (D) 2,6 s
80-120 km/h (D) 3 s
Travagem
100-0/50-0km/h 34,6 / 8,7 m
Consumos
Consumo médio 9,6 l/100km
Autonomia 520 km

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