Seat Leon ST 1.5 eTSI DSG FR

Arrojo funcional

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 09-05-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

Tanto por dentro como por fora, a carrinha Leon segue o arrojado caminho de modernização tecnológica, conectividade e minimalista inaugurado pela berlina de 5 portas. Soma-lhe os pergaminhos familiares firmados por uma das maiores bagageiras do segmento, com 620 litros de capacidade.

Anova Leon Sportstourer (ST) acompanha bem a linguagem estética estreada na 4.ª geração do Leon. A carrinha que agora chega ao mercado acrescenta 27,4 cm à berlina, todos eles ganhos atrás do eixo traseiro, o que permite criar amplo espaço de carga, cujos 620 litros a colocam no pódio do segmento. Tudo sem afetar a fluidez de uma estética definida por diversos vincos e em que destacamos, à partida, a faixa luminosa que confere originalidade e reforço de personalidade à vista traseira.

Com este esticar de dimensões, a Leon ST atinge respeitosos 4,642 m de comprimento (acréscimo de 9,3 cm face à carrinha da anterior geração), se bem que a ligeira redução da altura permite definir novas proporções, totalmente focadas numa atitude dinâmica, mesmo quando parada.

Abrindo portas, percebe-se que houve mais trabalho concetual do que apenas o esticar da carroçaria, com janelas laterais traseiras de maiores dimensões, bem como superior altura útil do assento do banco até ao tejadilho a contribuir não só com mais espaço para quem viaja atrás, como a criar interior mais luminoso e desafogado ou ajudar o condutor em matéria de visibilidade.

Mas os méritos da bagageira não se ficam pelos 620 litros, extensíveis aos 1600, números referenciais entre a concorrência. A chapeleira desliza facilmente sobre calhas laterais e enrola-se com um simples toque, ao passo que o rebatimento das costas do banco traseiro pode ser operado a partir da mala – este surge na funcional proporção 40/20/40, permitindo o transporte de objetos mais compridos na zona central, sem afetar a ocupação dos lugares laterais. O recurso à (extensa) lista de equipamentos opcionais permite somar outros talentos de funcionalidade, caso do Pacote Arrumação (116 €) que inclui gaveta sob o banco do passageiro e a possibilidade de criar duas plataformas de carga a diferentes alturas, através de piso duplo. Por baixo da volumosa bagageira é ainda possível encontrar espaço para alojar uma roda suplente (68 €).

Abrir ou fechar a tampa da mala são ações que podem ser facilitadas com o opcional mecanismo elétrico (437 €), possível de acionar quer seja pelo comando à distância, quer através do pedal virtual sob o para-choques. A tudo isto pode ainda ser somada uma rede divisória de carga (147 €) e uma tomada de 230V na bagageira (107 €), igual às fichas domésticas.

Ao volante, o condutor nem sente estar a conduzir uma carrinha, tal a cumplicidade sentida com o automóvel. O ambiente é quase todo ele digital, do painel de instrumentos (comandado no volante) ao monitor central tátil (de série, com 8,5’’, sendo o de 10’’ da unidade testada parte do opcional sistema de navegação), o que levou à quase total abolição de comandos físicos. Por isso, o condutor deverá dedicar algum tempo a estudar a melhor forma de navegar e interagir pelos diversos menus e funcionalidades (muitas!) para que, quando a conduzir, as distrações sejam diminutas. Vale que a maioria dos botões virtuais do sistema multimédia são de generosa dimensão, mas nem sempre é fácil ir direto à função pretendida.

Fora do monitor ficaram, felizmente, teclas de acesso direto ao controlo da temperatura da climatização independente e volume do rádio, mas que ainda assim são táteis (e não rotativos...) e pecam por não ser iluminados, o que muito dificulta a ação sobre os mesmos, à noite... E lamenta-se, pois a restante conceção de iluminação ambiente do habitáculo está muito bem conseguida, não só através do opcional “Luz Interior LED”, que além da paleta de cores permite escolher quais as zonas a iluminar; mas principalmente pela faixa a toda a largura do tablier (sob o vidro frontal) e que se prolonga pelas portas, criando cenário futurista. Essa faixa luminosa nas portas (e quase ao nível dos olhos) é ainda utilizada para dar vida a alertas de segurança, caso do aviso de presença de veículo em ângulo morto ou, estando a viatura estacionada paralela à via, a luz pisca à passagem de outros veículos na estrada, para que haja cautela na abertura das portas.

As ajudas à condução são outro dos pontos fortes da nova geração Leon, que ganha ainda mais força pela forma como interagem entre si. É o caso do trabalho entre sistema de navegação e reconhecimento de sinais de trânsito, que se aliam com o lado mais ecologicamente correto desta versão eTSI. Como? O motor 1.5 turbo a gasolina de 150 cv trabalha com rede interna de 48 V e sistema de desativação de cilindros, só possível devido à presença de pequena bateria de iões de lítio, alimentada por regeneração energética (durante desaceleração) e dando pequeno contributo em aceleração, mediante motor elétrico (mild hybrid). Tudo ligado pela caixa DSG de 7 velocidades. Assim, mediante o acompanhamento preditivo da navegação, o Leon ST sugere que o condutor desacelere face à proximidade de rotundas ou limites de velocidade mais baixos. Aliviando o pé do acelerador, o motor pode desativar dois (em carga parcial de aceleração) ou a totalidade dos cilindros (o motor desliga-se em andamento, mesmo em autoestrada), quase sem perceção do condutor.

Não obstante os 150 cv e o nível de equipamento FR, com amortecimento firme (que pode ser variável, por 704 €), a condução nada tem de agressiva, sendo antes pautada pela fluidez, estabilidade e precisão da resposta direcional. Assim, este conjunto tem o condão de aliar boas performance a consumos que podem ser contidos (a rondar 6,5 litros) aproveitando-se o potencial eTSI.

A nova Leon ST, espaçosa por dentro e com bagageira agigantada, é excelente e funcional enquanto concorrente de Renault Mégane ST ou Peugeot 308 SW. Some-se interior inovador e minimalista, quase 100% digitalizado, com a marca espanhola a apostar forte nas novas tecnologias de apoio à condução e a incluir a conectividade que move as novas gerações. Este 1.5 eTSI associa a performance à suavidade e gastos contidos permitidos pela solução mild hybrid.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

SEAT LEON

ST 1.5 eTSI DSG FR

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1498 cc
Alimentação Inj. direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 150 cv/5000-6000 rpm
Binário 250 Nm/1500-3500 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 7 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,2 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,642/1,799/1,437 m
Distância entre eixos 2,684m
Mala 620-1600 litros
Depósito de combustível 45 litros
Pneus F 7,5jx17-225/45 R17
Pneus T 7,5jx17-225/45 R17
Peso 1410 kg
Relação peso/potência 9,4 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 217 km/h
Acel. 0-100 km/h 8,7 s
Consumo médio 5,6 l/100 km
Emissões de CO2 133 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 4 anos ou 80.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 137,14 €

Medições

SEAT

Acelerações
0-50 km/h 3,1 s
0-100 / 130 km/h 8,7 / 14 s
0-400 / 0-1000 m 16,4 / 29,8 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4,8 s
60-100 km/h (D) 4,5 s
80-120 km/h (D) 5,8 s
Travagem
100-0/50-0km/h 34,7/8,9 m
Consumos
Consumo médio 6,8 l/100km
Autonomia 661 km

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