Kia Ceed SW PHEV

‘Todo-o-serviço’

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 14-02-2021 09:00

Fotos: Gonçalo Martins

Aceitando carregamento elétrico externo, a bateria permite circular quase 60 km (reais) sem pingo de gasolina, pelo que não será apenas pelo preço que a carrinha Ceed se destaca: os custos de utilização são realmente baixos. Solução que poderá entusiasmar empresas, aproveitando-se os benefícios fiscais para PHEV

No cenário atual, de indecisões sobre qual a fonte energética mais indicada para animar o automóvel enquanto (mero) meio de transporte (gasolina, gasóleo ou eletricidade), a opção por híbridos com carregamento externo (plug-in) tem vindo a emergir, em particular entre a cada vez mais importante franja dos automóveis de serviço, pois são muitas as benesses fiscais para empresas, na aquisição e nos custos de utilização. Estes são, precisamente, duas das maiores qualidades da mais recente proposta da Kia no mercado nacional, com a estreia desta opção PHEV na Ceed SW, que utiliza conjunto base já conhecido de outros modelos da marca e do grupo Hyundai, aliando motor 1.6 a gasolina de injeção direta (105 cv) a unidade elétrica de 61 cv, animada por energia armazenada em bateria de iões de lítio de 8,9 kWh que permite carregamento externo em tomada doméstica ou posto público, com ambos os cabos propostos como equipamento de origem. A plataforma do Ceed dispõe de local próprio, sob o banco traseiro, para albergar bateria destas dimensões (e peso: 117 kg), sem que afete a volumetria da bagageira na sua área superficial, ocupando apenas um dos compartimentos com alçapão sob o piso (o mais próximo das costas do banco traseiro), mantendo-se os restantes e muito úteis, como o mais próximo da tampa da mala, que é ideal para guardar os cabos de carregamento, também assim permitindo libertar todo o espaço para outras cargas.

Com a bateria a 100% – ligada a tomada doméstica uma carga completa demora cerca de 4h30, podendo ser agendada para períodos de tarifário mais baixo – não é complicado à Ceed PHEV cumprir 58 km em modo zero emissões, se utilizada maioritariamente em circuito citadino, aproximando-se dos 60 km anunciados. Autonomia elétrica que, na maioria dos casos, será suficiente para percursos de utilização quotidiana, em que esses 60 km terão um custo aproximado de 1,3 €.

O sistema híbrido da Ceed pode ser gerido pelos modos de condução EV (que força a deslocação só com motor elétrico, caso exista carga na bateria), HEV (módulo híbrido faz a gestão automática face à velocidade, pressão no acelerador e carga existente) ou ainda Sport (para entrega total dos 141 cv e 265 Nm, em performances que resultam mais do que satisfatórias, como aferimos nas nossas medições). Uma das falhas do sistema é a inexistência de função que permita resguardar parte da carga da bateria para posterior utilização (por exemplo, para cidade e a velocidades mais baixas), ficando essa autogestão apenas a cargo do modo HEV. Outra das opções será acionar o modo de condução Sport que, forçando a atuação do motor a gasolina, este vai também carregando a bateria. Ou seja, há ainda margem para evolução no sistema híbrido.

Voltando ao uso quotidiano: depois de se sumirem os cerca de 60 km de autonomia da bateria – o consumo elétrico rondará os 15 kWh/100 km – a Ceed SW PHEV acresce média de 2,7 l/100 km de gasolina para percorrer os primeiros 100 km após uma carga. Se se continuar a rolar sem voltar a carregar, o consumo vai subindo até pertos dos 4,5 l/100 km ao fim de 250 km (recorde- se: apenas com uma carga total externa). Outro facto: em ritmo de autoestrada, o consumo médio de combustível ficará entre os 6 e os 6,5 l/100 km. Neste cenário, recomendamos vivamente acionar o modo de condução Sport, não só para preservar a bateria para percursos mais citadinos e favoráveis à utilização puramente elétrica, como a Ceed PHEV ganha perfil bem mais condizente com as velocidades e requisitos de autoestrada. Porque, circulando- se em modo HEV, estando o sistema formatado para poupar, o motor 1.6 GDi parece estar em constante luta entre esforço e contenção, com diversas reduções por parte da caixa automática de dupla embraiagem, de 6 velocidades, que não dispõe de comandos no volante. Ora, havendo solução para este problema, o ideal será mesmo circular em Sport.

O sistema híbrido tende a preservar, pelo menos, 10% da bateria, capacidade a partir da qual deixa de indicar autonomia para circular apenas em modo elétrico. Será com estes 10% que se permite a utilização híbrida convencional, com aproveitamento da energia das travagens e desacelerações, circulação ligeira em modo elétrico (não aguenta acelerar até aos 120 km/h como quando com carga na bateria), mas sendo ainda possível adicionar a potência da unidade elétrica ao motor térmico nas acelerações mais fortes. Não existe forma de regular a capacidade regenerativa e o tato do pedal de travão poderia ser um pouco menos elástico.

O interior do Kia Ceed, pautado por construção rigorosa, oferece nesta versão única de equipamento para o PHEV completo rol de utilidades, caso do sistema de navegação, câmara traseira para ajuda a manobras ou acesso mãos livres, a que se aliam a iluminação exterior LED e diversas ajudas à condução. Tudo com o intuito de simplificar a condução e fazer desta uma proposta que pisca fortemente o olho às empresas.

Os quilómetros realizados ao volante deste PHEV, envolvendo todo o tipo de cenário de ação, serviram para aferir o quão completa é a estreante proposta da Kia em segmento onde os custos são pedra basilar. Este conjunto mecânico permite utilização suficientemente fluída no quotidiano, mostrando que não são necessárias as elevadas potências que encarecem outro tipo de propostas – se o objetivo passa por poupar e não acelerar... Esta carrinha cumpre a 100% as funções familiares (espaço e mala), o equipamento é completo (sem luxos ou opções de personalização, é certo...) e a solução mecânica oferece versatilidade e custos de utilização extremamente contidos. Face aos tempos que se aproximam, pós-crise pandémica, o processo de racionalização parece fundamental...

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Ficha Técnica

Caracteristicas

KIA CEED

SW PHEV

Motor térmico
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1580 cc
Alimentação Injeção direta
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 105 cv/5700 rpm
Binário 147 Nm/4000 rpm
Motor elétrico
Tipo -
Potência 61 cv (44,5 kW
Binário 170 Nm
Bateria Iões de lítio (8,9 kWh)
Capacidade da bateria
Módulo Híbrido
Potência 141 cv
Binário 265 Nm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Auto, dupla embraiagem, 6 vel
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. Multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,605 / 1,800 / 1,465 m
Distância entre eixos 2,65m
Mala 437-1506 litros
Depósito de combustível 37 litros
Pneus F 6.5x16 - 205/55 R16
Pneus T 6.5x16 - 205/55 R16
Peso 1601 kg
Relação peso/potência -
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 180 km/h
Acel. 0-100 km/h 10,8 s
Consumo médio 1,3 l/100 km
Emissões de CO2 29 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 7 anos ou 150.000 km
Pintura/Corrosão 3/8 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 137,14 €

Medições

KIA

Acelerações
0-50 km/h 3,4 s
0-100 / 130 km/h 9,6 / 15,8 s
0-400 / 0-1000 m 17 / 30,8 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4,4 s
60-100 km/h (D) 5,2 s
80-120 km/h (D) 6,8 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,1 / 9,2 m
Consumos
Consumo médio 4,4 l/100km
Autonomia 840 km

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