Honda Crosstar Hybrid

Concerto ao ar livre

TESTE

Por Ricardo Jorge Costa 03-02-2021 09:00

Fotos: Gonçalo Martins

O Honda Crosstar, modelo utilitário com imagem do tipo crossover baseado no Jazz, distingue-se pela grelha dianteira, a maior altura ao solo (37 mm, para totais 152 mm), além de ser mais largo (31 mm) e de dispor de barras do tejadilho, proteções inferiores da carroçaria em plástico e a possibilidade de o tejadilho ser pintado em cor contrastante à da carroçaria. Acrescenta-se a posição de condução ligeiramente mais elevada e, no resto, o Crosstar é igual ao Jazz novo.

Tal como a nova geração do Jazz, o gémeo aventureiro Crosstar propõe-se ao público exclusivamente com motorização híbrida, que associa mecânica a gasolina de quatro cilindros e 1.5 litros, e unidade elétrica com uma bateria de muito pequena capacidade a alimentá-la, e ainda um gerador.

A potência máxima do sistema é de 109 cv e este dispõe de três modos operativos, totalmente automáticos, durante a condução: EV Drive (100% elétrico, ativado por defeito no arranque e a baixa solicitação de energia ao motor térmico), Hybrid Drive (unidades gasolina/elétrica em comunhão de esforços, quando a exigência de potência aumenta) e Engine Drive (configuração mais eficiente a velocidades mais altas, quase exclusiva com motor de combustão, em que o elétrico só pontualmente intervém). 

O funcionamento híbrido é correto, promove a suavidade e a condução serena – e por consequência a eficiência no consumo de combustível, que poderá manter-se com facilidade abaixo da fasquia de 5 litros/100 km médios - e confere performances satisfatórias ao veículo, disponibilizando boa elasticidade e velocidades de cruzeiro altas sustentadas. Nas acelerações mais fortes, o desempenho peculiar da caixa automática e-CVT de velocidade única pode tornar-se mais incómodo, pelo arrasto e o aumento de sonoridade que provoca ao motor térmico.

Este é apenas mais um argumento para o privilégio à moderação da condução do veículo, que se estende à dinâmica proporcionada pelo chassis, não especialmente ágil em curva e mudanças de direção, mas sem beliscar a estabilidade e a segurança. A direção é bem assistida e os travões competentes.

Por dentro

O interior é muito espaçoso e prático, à imagem do modelo antecessor, mas modernizou-se e está mais aprazível. Os bancos dianteiros têm uma nova estrutura e o estofo mais denso, e nos posteriores o forro mais espesso 24 mm. A posição do pedal do travão foi reajustada para facilitar o movimento do pé e a regulação do volante permite erguê-lo mais 2 graus e o seu curso em profundidade foi aumentado.

Destas correções resulta uma posição de condução confortável e correta, sobre-elevada, propiciando maior flexão das pernas (aqui ressalvando-se os que preferem sentar-se mais baixo ao volante), e uma visibilidade ótima para a frente, beneficiando das amplas dimensões do para-brisas e da janela das portas dianteiras e dos pilares anexos serem muito estreitos. Para a retaguarda, pelo contrário, o campo de visão estreita-se sobremaneira, sugerindo-se o recurso ao auxílio dos sensores de estacionamento (de série nas versões mais equipadas).

O espaço a bordo é generoso, sobrando quase sempre em todas as cotas habitáveis, em todos os lugares, e até a passageiros de maior estatura.

Ao invés, a bagageira perde significativos 50 litros para a do modelo substituído, com 304 litros de capacidade (VDA). No entanto, a utilização é facilitada pelo acesso a baixa altura do solo (62 cm) e as formas regulares do compartimento. Acrescenta-se um pequeno compartimento em alçapão que pode ser útil para guardar pequenos objetos. Rebatendo os bancos traseiros, o volume de carga aumenta para 1205 litros e a superfície resultante é quase plana. O Crosstar partilha o peculiar sistema de elevação dos assentos dos bancos traseiros do Jazz, para posição vertical (como os de cinema), permitindo transportar objetos altos… em pé.

Ainda no interior, a instrumentação é igualmente nova, agora exibida num ecrã digital de sete polegadas (de série em todas as versões) e o sistema de infoentretenimento foi modernizado e projetado num monitor tátil de nove polegadas. A tecnologia Honda Connect dispõe de funcionalidades como ponto de acesso Wi-Fi, compatibilidade com sistemas CarPlay e Android Auto ou reconhecimento de instruções por voz (como os Mercedes-Benz MBUX ou assistentes Alexa, Google e Siri).

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Ficha Técnica

Caracteristicas

HONDA JAZZ

Crosstar Hybrid

Motor térmico
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1498 cc
Alimentação Injeção direta
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 98 cv/5500-6400 rpm
Binário 131 Nm/4500-5000 rpm
Motor elétrico
Tipo Síncrono permanente
Potência -
Binário -
Bateria Iões de lítio
Capacidade da bateria
Módulo Híbrido
Potência 109 cv
Binário 253 Nm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 1 velocidade
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,1 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,090/1,725/1,556 m
Distância entre eixos 2,52m
Mala 304-1200 litros
Depósito de combustível 40 litros
Pneus F 185/60 R16
Pneus T 185/60 R16
Peso 1253 kg
Relação peso/potência 11,3 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 173 km/h
Acel. 0-100 km/h 9,9 s
Consumo médio 4,8 l/100 km
Emissões de CO2 110 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica -
Pintura/Corrosão -
Intervalos entre revisões -
Imposto de circulação (IUC) -

Medições

HONDA

Acelerações
0-50 km/h 3,3 s
0-100 / 130 km/h 9,5/16,5 s
0-400 / 0-1000 m 16,9/31,8 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4,5 s
60-100 km/h (D) 5,6 s
80-120 km/h (D) 7,3 s
Travagem
100-0/50-0km/h 39 / 9,6 m
Consumos
Consumo médio 4,7 l/100km
Autonomia 851 km

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