Peugeot e-208 GT

Leão elétrico

TESTE

Por João Ouro 22-01-2021 19:42

Fotos: Gonçalo Martins

A adesão à mobilidade elétrica cresce de forma exponencial e a oferta de modelos ‘zero emissões’ alarga-se a vários segmentos. Na gama 208, eis o ‘rugido’ dessa nova vaga...

A tendência alarga-se e os construtores apostam cada vez mais no caminho da eletrificação. A Peugeot não é exceção, propondo na gama 208 a variante puramente elétrica designada por e-208, que se constitui como alternativa às versões térmicas a gasolina e Diesel. As vantagens residem na pretensa economia do consumo (medida por kWh) e no baixo custo de utilização, embora o preço de entrada não seja nada acessível, uma vez que se está na presença de um utilitário do segmento B com valores entre 32.150 € (Active) e 37.750 €, neste último caso para a versão com o extenso equipamento GT, exatamente o que está na unidade em ensaio. Para se ter uma ideia, o nível GT é único para o e-208 e está acima do GT Line (com faróis full-LED e câmara de marcha-atrás), acrescentando a grelha frontal específica na cor da carroçaria e a parte inferior do para-choques a preto brilhante, além de jantes em liga leve de 17’’, bancos em Alcantara e couro, navegação (ecrã 10’’) e acesso mãos-livres, entre outros itens. Nada falta, como se observa na ficha técnica, incluindo dispositivos de segurança como o alerta de faixa de rodagem com correção automática de trajetória e/ou o aviso de ângulo morto, além do controlo de tração, todos desligáveis. Elétrico, elétrico, mas tão protetor como os demais modelos e ainda mais exclusivo!

O argumento ecológico está em cima da mesa, claro, assim como a experiência da propulsão estritamente elétrica, à qual se adere sem preconceitos: silenciosa, confortável e rápida. Às vezes é preciso estar mais atento aos outros utentes da estrada e a certos movimentos inesperados, uma vez que o fraco ruído acima dos 30 km/h (zumbido artificial até essa velocidade) faz com que este 208 possa parecer invisível, quase como um automóvel espião que se movimenta sem ser visto ou sem ser escutado. Não é improvável que haja olhares de surpresa ou interrogações do tipo – com os diabos, de onde é que este apareceu?! Se por fora os decibéis são baixos, no habitáculo isso também acontece e o conforto acústico é elevado. Todavia, a suspensão tem reações firmes e o ruído de rolamento deveria ser inferior (Michelin Primacy4 e jantes de 17’’). Lacunas que não anulam a apreciação positiva, embora já tenhamos guiado outros elétricos em que o ambiente exterior fica mesmo lá... fora.

Isso entende-se pela estrutura e tamanho deste pequeno leão, que se destaca pela facilidade a manobrar e pela ótima dinâmica, sendo o condutor mimado com um pequeno volante desportivo (dos melhores) para tatear com precisão a estrada e definir as trajetórias de forma rápida. Contudo, a altura do volante face ao painel de bordo tem de ser negociada para se ler melhor os dados no ecrã, que agrega várias animações gráficas e projeção do tipo holográfica.

A plataforma é comum à da dos restantes 208 (e-CMP, menor peso, melhor aerodinâmica e redução da resistência), embora inclua afinações especiais nas suspensões. A dinâmica é eficaz e o comportamento está ao nível dos melhores Peugeot, apesar da tal firmeza do amortecimento, permitindo grande eficácia e confiança a curvar. Sem sobressaltos, sem dúvida – e com uma travagem exemplar! Como noutros Peugeot existem três programas (Eco, Normal e Sport) e a escolha de cada um deles é importante para o consumo e para a autonomia mais do que nas versões de combustão, sendo no modo Sport que este leão mostra toda a sua raça..., mas também aquele em que se revela mais voraz no consumo de energia.

A resposta é imediata assim que se pressiona o pedal do acelerador (8,1 segundos até aos 100 km/h) e as retomas de velocidade acontecem de forma... repentina (60-100 km/h em 4,7 s). Ainda nas prestações, contrapondo ao modo Sport, o modo Eco submete-as à poupança de preciosos kWh. É mais rentável adotar essa estratégia em cidade, otimizando a regeneração de energia em frequentes pára-arranca e onde a velocidade é mais baixa. O modo que resta, Normal, digamos que normaliza a condução para um andamento fluído, sem hesitações.

O consumo regista valores a partir de 13,5 kWh/100 km (cerca de 2 €), embora seja fácil ficar acorrentado à média de 15,8 a 16 kWh/100 km (2,50 €). Não é muito, mas em autoestrada ou em estrada aberta – e a maior velocidade –, o gasto de energia é volátil e a carga diminui num instante. Faz falta a indicação da percentagem da respetiva carga da bateria de 50 kW (sob o piso, volume de 220 litros, refrigerada a líquido), que só aparece quando se liga à tomada, mesmo que se tenha sempre a indicação da autonomia no painel de bordo e também se possa ver no monitor central o fluxo de energia e a regeneração das travagens e das desacelerações. O modo B amplia esses efeitos e trava mais o e-208 quando se retira o pé do acelerador, alargando-se assim a autonomia.

Com a bateria a 100%, o cálculo mais frequente do computador de bordo é de 310 km. Pela certa, entre 280 e 300 km de autonomia. Contudo, dependerá do trajeto, do tipo de condução e do modo selecionado. Com 55% de carga, a estimativa indicada é de 160 km.

Nalguns casos, os tempos de recarga são muito longos, noutros nem tanto (a 100 kW, até 80% cerca de 30 minutos). Com a oferta da wallbox específica de 7,4 kW (monofásico) pela Peugeot, a operação demora cerca de 7h30, enquanto num terminal de 11 kW é de 5h15. Outros exemplos: num posto semirrápido de 22 kW, estivemos 37 minutos para abastecer de 55-89% (gasto de 16,4 kWh a 0,163 €), mas numa ficha doméstica normal a recarga completa atingirá 25-30h, baixando para 16h numa tomada reforçada Green Up Legrand. No final, restará a convicção de que vale a pena esperar.

O preço (ainda) é elevado, mas à parte desse contratempo tudo o resto vale muito a pena, embora também se tenha que ter paciência com o tempo estimado para as recargas domésticas, neste caso nunca inferior a 16h (tomada Green Up Legrand) e perto de 30h numa ligação convencional a 2,3 kW. Mas há alternativa mais rápida: com wallbox específica de 7,4 kW (oferta da Peugeot a clientes particulares), a operação diminui para 7h30m. A autonomia efetiva colocar-se-á entre 280 e 320 km, mas tudo dependerá do percurso e do pé direito! Elogios inevitáveis à dinâmica e à facilidade de condução, assim como ao silêncio da propulsão elétrica, a que se junta o conforto e as elevadas prestações.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

PEUGEOT 208

e-208 GT

Motor
Tipo Síncrono, íman permanente
Potência 136 cv/3673 às 10.000 rpm
Binário 260 Nm/300-3673 rpm
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 50 kWh
Tempo de carga (0-80%) -
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática, 1 velocidade
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção c/barra Panhard
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,055/1,745/1,430 m
Distância entre eixos 2,54m
Mala 265-309 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 6,5jx17 - 205/45 R17
Pneus T 6,5jx17 - 205/45 R17
Peso 1530 kg
Relação peso/potência 11,25 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 150 km/h
Acel. 0-100 km/h 8,1 s
Consumo médio kWh/100 km
Autonomia 340
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite km
Pintura/Corrosão -
Bateria 8 anos ou 160.000 km (70%)
Imposto de circulação (IUC) 0 €

Medições

PEUGEOT

Acelerações
0-50 km/h 2,9 s
0-100 / 130 km/h 8,1 / 14,9 s
0-400 / 0-1000 m -
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,4 s
60-100 km/h (D) 4,7 s
80-120 km/h (D) 6,4 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,9 / 9,6 m
Consumos
Consumo médio 15,8 kWh/100km
Autonomia 300 km

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