BMW X1 sDrive16d

Corte e costura

TESTE

Por Ricardo Jorge Costa 20-12-2020 09:15

Fotos: Gonçalo Martins

Com uma imagem cada vez mais polida e sofisticada de estradistas dinâmicos e confortáveis, os modernos crossovers, como o BMW X1, raramente saem do asfalto, apesar de disporem de características estruturais, mecânicas e tecnológicas para arriscaram incursões fora de estrada. Mas quando o motor não é mais do que um económico e parco em potência Diesel de três cilindros, e se dispensa a tração integral, assume- se que os terrenos revoltos e escorregadios ficam fora do âmbito do SUV mais compacto da gama X do construtor alemão, cuja segunda geração, estreada em 2015, foi recentemente modernizada.

De qualquer modo, o X1 com este motor a gasóleo de 1,5 litros e de 116 cv, enfrenta a preceito todos os ambientes rodoviários por onde circule, exibindo performances satisfatórias com o elevado contributo da ótima transmissão automática de sete velocidades. A gestão eficiente criteriosa que esta caixa faz do rendimento do bloco tricilíndrico Diesel garante prestações adequadas a uma utilização quotidiana e eclética – quer em cidade, estrada ou autoestrada – do crossover, tornando a sua condução bastante agradável. Esta virtude é otimizada através da possibilidade de recurso ao botão do programa Experiência de Condução, para escolher entre um dos três perfis de condução (Comfort, Sport e Eco) que afetam a resposta do acelerador, o peso da direção e os pontos de engrenagem da caixa automática. O modo Eco, que ajuda a reduzir o consumo e as emissões, desliga o motor da transmissão a velocidades de cruzeiro entre 50 e 160 km/h, o que significa que, nessas circunstâncias, o X1 se desloca pela sua própria inércia,, permitindo conter o gasto médio de gasóleo até 5,8 l/100 km, sem especial zelo pela poupança.

No resto, o amortecimento afinado, com privilégio à estabilidade, e por isso não excluindo alguma secura na filtragem das irregularidades mais pronunciadas do piso, a direção precisa e comunicativa e a travagem eficaz contribuem para uma dinâmica geral de bom nível. Todavia, devido ao centro de gravidade mais alto – devido à distância ao solo (18,3 cm) –, o novo X1 não exclui movimentos laterais da carroçaria em passagens mais rápidas em curva mais significativos do que os de uma berlina ou carrinha.

As evoluções mais relevantes trazidas pelo recente restyling referem-se ao design e concentram-se na dianteira do veículo, onde o para-choques, os faróis e a grelha são novos, maiores dos que os do modelo original de 2015 – data de lançamento da geração atual do X1. Na secção traseira também há mudanças, mas mais subtis, instalando-se aí um para-choques redesenhado e com mais ampla superfície pintada na cor da carroçaria, e ainda novos faróis com padrão de iluminação distinto do anterior. Além disso, há também quatro novos conjuntos de jantes de liga leve e mais três cores metalizadas para a pintura da carroçaria: Jucaro Beige, Misano Blue e (este) Storm Bay. As alterações no interior são restringidas a pequenos elementos decorativos e a novos materiais de revestimento de bancos e painéis das portas.

Sem evoluções, a habitabilidade, que se posiciona num patamar de referência na classe, disponibilizando amplo espaço para as pernas para os passageiros nos lugares traseiros, e beneficiando ainda da sobre-elevação dos assentos em relação aos dianteiros (+1,7 cm) para desimpedir a sua linha de horizonte e gerar o efeito de anfiteatro tão apreciado por quem se senta atrás.

Estes bancos permitem deslocar-se 13 cm (sobre calhas longitudinais) e, assim, aumentar o espaço para as pernas ou a capacidade da bagageira que, em configuração normal, totaliza 505 litros – ou um máximo de 1550 litros com os encostos dos bancos traseiros rebatidos – na proporção 40:20:40.

Outra qualidade no X1 é a dos materiais utilizados no interior, principalmente nesta versão com linha de acabamento superior, xLine Business, em que o painel de bordo é revestido, quase na íntegra, a couro, e o que resta apresenta-se com plásticos aborrachados de muito boa qualidade. Tudo num cenário geral com uma imagem moderna e apelativa, e dominado pelo monitor digital tátil ao centro, cimeiro ao tablier, que pode ser controlado a partir o habitual comando rotativo iDrive localizado na consola entre os bancos da frente.

O preço a rondar os 40 mil euros desta versão de entrada na gama Diesel do X1 é restritivo para a maioria dos clientes particulares portugueses. Lamenta-se, porque este crossover compacto alemão é um ótimo automóvel, em que até o motor comedido na capacidade, arquitetura e potência não fica a destoar. Aliás, a economia que permite torna-se quase depreciável num investimento tão inflacionado.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

BMW X1

sDRIVE16d

Motor
Arquitetura 3 cilindros em linha
Capacidade 1496 cc
Alimentação Injeção direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./12 v
Potência 116 cv/4000 rpm
Binário 270 Nm/1750-2250 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 7 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,447/1,821/1,598 m
Distância entre eixos 2,67m
Mala 505 - 1550 litros
Depósito de combustível 51 litros
Pneus F 225/55 R17
Pneus T 225/55 R17
Peso 1575 kg
Relação peso/potência 13,6 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 190 km/h
Acel. 0-100 km/h 11,5 s
Consumo médio 5,1 l/100 km
Emissões de CO2 133 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 147,21 €

Medições

BMW

Acelerações
0-50 km/h 3,3 s
0-100 / 130 km/h 11,7 s
0-400 / 0-1000 m 17,9 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 5,6 s
60-100 km/h (D) 7,1 s
80-120 km/h (D) 9,2 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,4/8,8 m
Consumos
Consumo médio 5,8 l/100km
Autonomia 879 km

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