Volante desportivo forrado a pele. Faixas decorativas no capot, na grelha e nas laterais da carroçaria, incluindo tejadilho e espelhos a vermelho (Pack Chili Red) A transmissão automática de 8 velocidades, da Aisin, tem comando sequencial a partir do seletor, incluindo modo S desportivo. As trocas são (sempre) muito rápidas... Ao lado do interruptor ‘start’ (a vermelho; liga o motor), estão as teclas do controlo de tração e dos modos de condução (de Green a Sport) Na configuração Sport, as respostas do motor, direção e transmissão são alteradas e todas as reações são mais ‘imediatas’. Som irresistível! Há vários menus de bordo e é possível efetuar a ‘leitura’ gráfica da entrega instantânea da potência e do binário (no ecrã central) O acesso é funcional, embora o vão de entrada esteja numa posição elevada. A abertura não é assim tão prática e as portas são pesadas Bancos do tipo ‘bacquet’ com forro a pele (Carbon Black JCW) e Alcantara. Há apoio extensível para as pernas e as zonas laterais são mais ‘apertadas’ A distância até aos encostos da frente é ampla, acima da do Mini de 5 portas. Os vidros com proteção solar são mais escuros atrás (’pack’ Chili) O sistema de travagem foi ampliado e conta com pinças de cor vermelha. As jantes em liga leve de 19’’ também são especiais (pneus 235/35) Tração 4x4 com autoblocante à frente Grande mecânica, grande... dinâmica! Versão John Cooper Works passa a debitar 306 cv Como nos demais Clubman, o acesso à área de carga é feito através de duas portas que abrem em separado. Luzes LED e duas saídas de escape, em baixo

Mini Clubman JCW All4

Transfiguração

TESTE

Por João Ouro 22-06-2020 14:50

Fotos: Gonçalo Martins

A variante John Cooper Works da carrinha Clubman em teste, cuja altura ao solo baixa 10 mm face às normais, acrescenta ainda uma série de modificações que a tornam muito especial e verdadeiramente extraordinária.

Essa transfiguração é operada a vários níveis, mas entre os aspetos principais destaca-se a revisão do motor 2.0 a gasolina de injeção direta (twin-scroll) cuja potência aumentou para 306 cv, em vez dos anteriores 231 cv, e bem acima do Cooper S de 192 cv. Esse patamar de potência foi atingido através de uma relação de compressão mais baixa (9,5:1), outros injetores e um turbocompressor de maiores dimensões, tendo sido ainda alterada a admissão e colocados outros pistões e bielas, além do reforço da cambota, assim como a inclusão de outro sistema de escape (filtro de partículas incluído) e refrigeração melhorada com dois radiadores e ventilador mais potente. Tudo melhor! Não é por isso estranho que a performance obtida por este Clubman JCW seja avassaladora, valorizada pela potência mas também pelo binário máximo, que cresceu dos anteriores 350 Nm/1450-4500 rpm para 450 Nm a partir das 1750 rpm.

A aceleração é impressionante, como se vê no arranque até 100 km/h, um pouco acima do valor anunciado (4,9 s), mas ainda assim bastante imediato. Quase de perder o fôlego, face ao empurrão que é dado para diante, explicando bem as credenciais a jogo e o sistema de tração integral ALL4, cuja ação é efetuada através de embraiagem multidisco, enviando binário para as rodas traseiras sempre que há perda de aderência à frente. No eixo dianteiro a Mini optou por colocar um diferencial autoblocante (mecânico), maximizando a eficácia da tração a curvar e projetando outra confiança para as velocidades que são possíveis de alcançar (250 km/h com limitador).

É claro que se está na presença de um automóvel mais subvirador do que o contrário, mas essa deriva não é acentuada, embora a pressão seja forte, como é óbvio. Para aguentar tão grande potência (e excecionais prestações...), o chassis obteve vários ajustes e a rigidez aumentou, incluindo novos casquilhos e reforço dos suportes do motor.

O conjunto da suspensão também adota molas e amortecedores mais firmes e a carroçaria está mais próxima do asfalto, como já se referiu. Nada foi deixado ao acaso e não há bailados inesperados, mesmo nos momentos de maior urgência/exigência, inclusive nos troços rápidos e mais sinuosos, entendendo-se aí a mais-valia da sigla JCW. Não é apenas um símbolo, mas uma espécie de tuning que realmente conta, implicando ainda o sistema de travagem, este com discos ventilados de maior diâmetro e largura (ambos os eixos). Em opção, a versão em causa também adota pneus Continental Premium Contact6 235/35 e jantes em liga leve de 19’’ (incluídos no pack Chili, por 3800 €), conjunto que contribui para a eficácia deste Clubman em estrada, mas sem atenuar a firmeza ou diminuir o ruído de rolamento, especialmente nos pisos irregulares, aí com batidas secas e um certo desconforto, apesar da excelente envolvência por parte das bacquets. É esse o preço (habitual) que se paga por um modelo deste género. Firme e hirto! Por vezes em demasia, compensando depois com o estímulo inerente da condução. Aliás, a força de todo o agregado mecânico é muito evidente, ainda mais se se configurar o programa Sport, aí quase frenético e com uma acústica a que é difícil resistir (tons a vermelho nos ecrãs e possibilidade de ter mostradores desportivos no display central). As rápidas trocas de caixa são mesmo viciantes e os rateres em desaceleração ainda mais. A precisão dos movimentos dada pela direção entusiasma quase tanto como a capacidade em devorar o asfalto, face à resposta pronta em todos os regimes. Um autêntico predador, sem dúvida!

O modo Sport transfigura ainda mais todas as reações e a afinação apressa não só o temperamento do motor 2.0 como as leis da transmissão automática (Steptronic, com launch-control), esta última a permitir transições rápidas, sem hesitações e com ação sequencial nas patilhas junto ao volante ou no próprio seletor. Perante esta sensação de autêntica correria, a firmeza garantida pela suspensão e pelos pneus é bem-vinda, sem deslizes ou desacertos, mesmo se a estrada estiver molhada ou muito escorregadia. O sistema ALL4 também permite essa segurança e a travagem está à altura das exigências, num compromisso estável e eficaz, como se vê através dos 36 metros a partir de 100 km/h.

Face às prestações, os consumos não são exagerados, mas não é fácil baixar dos 9,5 l a 10 l/100 km, e isto com andamentos moderados, sem excessos, na maior parte do tempo com os modos Green ou Normal ativados. Na afinação Sport, a transfiguração é igualmente explícita ao nível do consumo, com médias desde 11 a 12 l/100 km.

Esta versão John Cooper Works (JCW) da carrinha Clubman é muito especial, quer ao nível da imagem, quer em termos mecânicos. É possível guiá-la de forma pacata, sem exageros, mas o motor 2.0 de 306 cv também permite enorme desassossego, graças às elevadas prestações e à forma rápida como progride, a que se junta ainda uma belíssima acústica desportiva. O resto do conjunto está bem afinado para tão grandes exigências.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

MINI CLUBMAN

JCW_All4

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1998 cc
Alimentação Inj. direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 306 cv/5000-6250 rpm
Binário 450 Nm/1750-4500 rpm
Transmissão
Tração Integral (ALL4)
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. Multilink
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,3 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,266/1,800/1,441 m
Distância entre eixos 2,67m
Mala 360-1250 litros
Depósito de combustível 48 litros
Pneus F 8jx18 - 225/40 R18
Pneus T 8jx18 - 225/40 R18
Peso 1625 kg
Relação peso/potência 5,3 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 250 km/h
Acel. 0-100 km/h 4,9 s
Consumo médio 8,1 l/100 km
Emissões de CO2 161 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 239,37 €

Medições

MINI

Acelerações
0-50 km/h 2,3 s
0-100 / 130 km/h 5,4 s
0-400 / 0-1000 m 10,9 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 0 s
60-100 km/h (D) 3,7 s
80-120 km/h (D) 4,8 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,9/8,8 m
Consumos
Consumo médio 9,7 l/100km
Autonomia 495 km

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