Seat Leon TGI 1.5 Evo FR

Dá-lhe gás!

TESTE

Por Ricardo Jorge Costa 13-06-2020 16:00

Fotos: Gonçalo Martins

Nas tecnologias alternativas eficientes e sustentáveis que garantem igualmente uma economia real na relação entre os custos de abastecimento e de aquisição do automóvel, há vida além das motorizações eletrificadas, híbridas e alimentadas exclusivamente a bateria. Em Portugal, só se conhece (bem) outro combustível mais rentável do que os tradicionais (gasolina e gasóleo), o gás de petróleo liquefeito, vulgo GPL, combinado com a gasolina nos motores.

Contudo, a Seat há alguns anos que acena com outra proposta de combustível no nosso país, pelas mais-valias económicas resultantes do custo de utilização do veículo, por via do preço inferior do gás natural comprimido (GNC) comparativamente aos combustíveis dominantes. Também em dualidade com a gasolina nas motorizações que o fabricante espanhol denomina de TGI, e de que a marca catalã já tem gama abrangente em modelos compactos: Ibiza, Arona e Leon.

No entanto, em Portugal, ao contrário de em Espanha, a rede de abastecimento de GNC é diminuta. A Seat insiste na viabilidade desta solução alternativa à corrente elétrica que se está a estabelecer na indústria automóvel e já iniciou conversações com a empresa Dourogás, numa tentativa comum de ampliar a rede de postos em território nacional.

Prova deste empenhamento do construtor de Martorell, o Leon substitui o motor 1.4 TGI de 110 cv por mais moderno, potente, 1.5 TGI de 130 cv, de quatro cilindros, turbo e injeção direta, que pode funcionar tanto a gás natural como a gasolina, com 130 cv e um binário máximo de 200 Nm entre 1400 e 4000 rpm, apregoando-o com vantagens no custo de utilização, que são reais.

O arranque faz-se sempre a gasolina, mas o propulsor muda rapidamente para GNC, e assim se mantém até que este se esgote. Após o que começa a alimentar-se a gasolina. Não há permuta automática ou induzida pelo condutor. A passagem de um combustível ao outro é impercetível. Não há ruído ou alteração evidente do rendimento do motor, apenas um indicador luminoso no painel de instrumentos. O motor 1.5 TGI tem muito boas prestações, incluindo a baixos regimes, em nada afetadas na utilização de GNC. A mecânica está associada, nesta unidade, a caixa de velocidade automática de dupla embraiagem DSG, de sete velocidades, cuja sexta e sétima têm desmultiplicações mais longas em prol da eficiência.

Esta versão do Leon não tem nada na estética que a diferencie de outra do modelo, apenas o painel de instrumentos, que inclui um mostrador do nível de gás no depósito, no lugar onde nas versões normais está o termómetro do líquido de refrigeração do motor. Além desta diferença, apenas uma outra: no pequeno ecrã digital, ao centro do mesmo painel, acrescenta-se a informação da autonomia do veículo, a funcional com cada um dos combustíveis e a total. Além do motor bifuel, a bagageira é a única modificação no Leon, com sacrifício, na versão TGI, de significativos 105 litros da sua capacidade, em comparação às demais da gama – 275 litros em vez de 380 litros na configuração normal. Deve-se à ocupação daquele espaço por dois novos depósitos em fibra de carbono aí colocados, a que acresce um terceiro construído em aço de alta resistência.

No total, os tanques têm uma capacidade de 17,3 kg de GNC, garantindo ao Leon TGI uma autonomia de 440 km, anunciada pela Seat, segundo o cálculo de consumo médio de 4,1 kg/100 km em ciclo WLTP, embora neste teste tenhamos aferido 5,2 kg/100 km, o que corresponde a apenas 332 km de autonomia, exclusivamente com o motor alimentado a esse combustível.

A este trio de depósitos de GNC junta-se o depósito de gasolina, muito mais pequeno do que é comum no Leon, apenas de 9 litros, que adiciona cerca de 130 km (128 km) à autonomia do veículo, ainda de acordo com as medições que efetuámos, de 7 l/100 km, praticando uma condução em ciclo misto e sem especiais preocupações com o consumo. Em suma, pode percorrer-se cerca de 460 km com todos os depósitos cheios.

É um combustível residual em Portugal e certamente continuará a sê-lo no futuro mais ou menos longínquo. Com pena da Seat e de muitos condutores que poderiam beneficiar de uma rentabilidade realmente superior das versões (TGI no fabricante espanhol) a gás natural comprimido (GNC) através de um preço competitivo e acima de tudo de uma maior economia de utilização, por via do custo bastante inferior deste combustível comparativamente aos tradicionais.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

SEAT LEON

1.5 TGI FR

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1498 cc
Alimentação Inj. direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 130 cv/5000-6000 rpm
Binário 200 Nm/1400-4000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 7 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,3 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,282 / 1,816 / 1,459 m
Distância entre eixos 2,636m
Mala 275 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 225/45 R17
Pneus T 225/45 R17
Peso 1334 kg
Relação peso/potência 10,26 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 206 km/h
Acel. 0-100 km/h 9,9 s
Consumo médio 4,1 l/100 km
Emissões de CO2 98 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 4 anos ou 80.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 136,72 €

Medições

SEAT

Acelerações
0-50 km/h 3,5 s
0-100 / 130 km/h 10,1 s
0-400 / 0-1000 m 17 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4 s
60-100 km/h (D) 5,1 s
80-120 km/h (D) 6,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35/8,9 m
Consumos
Consumo médio 7 l/100km
Autonomia 460 km

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