BMW Z4 sDrive20i

Encantador

TESTE

Por João da Silva 21-02-2020 10:10

Fotos: Gonçalo Martins

O BMW Z4 é um automóvel encantador. É a minha opinião. Disse-o a algumas pessoas. Algumas concordaram sem reservas, outras não. Houve quem me dissesse que «sim, é encantador, mas é muito baixinho e por isso tenho dificuldade em entrar e sair do habitáculo, que até é apertado». Ok, respeito, há quem tenha dificuldade em baixar-se/levantar- se ou aqueles que devido à altura ou largura se sentem mais apertados. Mas perde encanto por isso?, questiono. «Não...». Houve também quem me dissesse que «sim, é encantador, mas só tem dois lugares...». Certo, dois lugares não servem as necessidades de toda a gente, mas estamos a falar de encanto, não de funcionalidade... «Pois, se virmos as coisas desse prisma...». Adiante. Podia continuar a reproduzir discussões sobre o Z4 para justificar o título desta peça, mas seria redundante, pois apesar dos vários aspetos práticos e funcionais menos consensuais que me foram apontados ao descapotável bilugar da BMW (tal como noutros roadsters), e com a maioria dos quais racionalmente concordo, ninguém me disse que o Z4 não é encantador. E é-o para quem o vê, como (sobretudo) para quem o conduz.

O design da 3.ª geração do Z4 é moderno, mantendo o charmoso perfil clássico de capot alongado e traseira muito curta. À frente, sobressai a redesenhada grelha dupla em forma de rim da BMW que perdeu os frisos verticais, exibindo agora pontilhado cromado que tem sido alvo de muitas críticas e que nos remete para frase célebre: «Deixem que falem mal, desde que falem…»

Por outro lado, muitos têm sido os aplausos pelo abandono do tejadilho rígido retrátil da geração anterior em detrimento de capota em lona com funcionamento totalmente elétrico – o mecanismo abre e fecha a cobertura em 10 segundos e pode ser feita em andamento até 50 km/h, pelo que é pouco provável que sejamos apanhados por mais do que alguns pingos de chuva mesmo em caso de súbita bátega –, que dobra em Z quando ocupa o seu espaço, atrás do habitáculo, não beliscando a volumetria da bagageira (281 litros, independentemente de a capota estar colocada ou recolhida, uma das vantagens das coberturas em lona face aos tejadilhos retráteis). Gostámos do regresso à solução têxtil, pois aquilo que se perdeu em isolamento acústico, ganhou-se, lá está, em encanto.

Entramos para o habitáculo e encontramos posição de condução rente ao chão, mas muito cómoda e envolvente, não sendo maçadora ao fim de alguns quilómetros. O banco é confortável e ergonómico (desportivos M, opcionais) e inclui inúmeras regulações, incluindo extensor de assento, ferramenta particularmente importante para manter os níveis de conforto em viagens mais longas. À nossa volta, os níveis de qualidade são os que conhecemos nos modelos mais recentes da marca alemã, ou sejam, elevados. Materiais e acabamentos são de excelente qualidade e há diversas soluções para arrumação de pequenos objetos, ainda que as bolsas nas portas continuem estreitas e o espaço sob o apoio de braços central seja demasiado exíguo, albergando pouco mais do que um telemóvel (em local específico) e um pequeno molho de chaves. Contudo, atrás dos bancos, há uma rede a quase a toda a largura do habitáculo onde se podem guardar alguns objetos. Mas atenção, é uma rede, pelo que o que lá pusermos fica à vista (a prudência aconselha a esvaziar ao abandonar a viatura. Nota, ainda, para o importante aparato tecnológico deste Z4, que integra o monitor central tátil em posição muito elevada na consola central (estando esta ligeiramente dirigida para o condutor), o que facilita a sua visualização e utilização sem desviar os olhos da estrada, e painel de instrumentos digital, que perdeu os clássicos mostradores redondos, mas que em compensação oferece muita informação.

Premindo o botão de arranque que acorda o 4 cilindros sobrealimentado de 2 litros e 197 cv, uma sonoridade agradável massaja-nos os ouvidos, preparando-nos para experiência de condução que tanto pode ser relaxante como entusiasmante, pois os 197 cv, quando puxados com vontade, são mais que suficientes para garantir acelerações e retomas rápidas e, ainda mais importante, condução divertida. O motor sobe com vivacidade até ao red-line, sendo bem gerido pela versátil caixa automática oito relações, suave em Drive e nervosa em Sport. Empolgados pelo delicioso som do escape, fortemente ampliado por exigentes pisadelas no acelerador, começamos a avaliar a capacidade dinâmica do Z4 (com suspensão desportiva na versão que guiámos) numa estrada sinuosa e com piso impecável. Ao fim de duas ou três curvas, não temos dúvidas do bom compromisso entre conforto e dinâmica deste Z4, muito mais brando do que o anterior, mas ao mesmo tempo mais fácil de guiar e mais comunicativo com o condutor, em suma, tão competente que consegue ser até mais radical. E isso também encanta!

O BMW Z4 está maior, mais confortável e mais requintado, o que torna um automóvel mais amigável de utilizar do que na geração anterior, mais apertada e rija como um cepo. Mas o novo Z4 é muito mais do que bom-trato, convencendo, também, pelo fator diversão que se espera de um roadster, mesmo em versão de entrada na gama equipada com motor de apenas 197 cv. Nenhumas dúvidas temos de que quem puder pagar mais de 50 mil euros por um automóvel descapotável de dois lugares ficará muito bem servido com este Z4 sDrive20i.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

BMW Z4

sDRIVE20i

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1998 cc
Alimentação Injeção direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 197 cv/4500-6500 rpm
Binário 320 Nm/1450-4200 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Duplos triângulos
Suspensão T Ind. Multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,324/1,864/1,304 m
Distância entre eixos 2,47m
Mala 281 litros
Depósito de combustível 52 litros
Pneus F 225/50 R17
Pneus T 255/45 R17
Peso 1480 kg
Relação peso/potência 7,51 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 240 km/h
Acel. 0-100 km/h 6,6 s
Consumo médio 7,1 l/100 km
Emissões de CO2 139 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 204,21 €

Medições

BMW

Acelerações
0-50 km/h 2,4 s
0-100 / 130 km/h 6,6 s
0-400 / 0-1000 m 14,7/27 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,1 s
60-100 km/h (D) 4 s
80-120 km/h (D) 4,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 33,8/8,8 m
Consumos
Consumo médio 8 l/100km
Autonomia 650 km

Conte-nos a sua opinião 1

TJ Barros
21-02-2020 11:04

tanto dinheiro por um carro que parece (sem ofensa) um fiat 124 spider

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