Porsche Cayenne Coupé

Desportivo, sim!

TESTE

Por José Caetano 22-02-2020 11:35

Fotos: Gonçalo Martins

O Cayenne alavancou o crescimento da Porsche, que não deixou de alimentar desde a introdução do original, em 2002. Os fãs mais conservadores da marca alemã demoraram a compreendê-lo, mas o movimento de rutura iniciado em 2002 é a base do sucesso atual do fabricante do consórcio VW, com recordes após recordes de produção e vendas. Em 2017, lançamento da 3.ª geração do Sport Utility Vehicle (SUV). Mais recentemente, expansão da gama com variante nova, com silhueta do tipo Coupé. Comparada com o automóvel de que deriva, não tem apenas imagem mais atlética e emocional, devido ao desenho específico da traseira e às proporções exclusivas. Também possui muitos conteúdos e recursos próprios que originam impressões sensoriais e de condução diferenciadoras q.b.! Confirmámo-lo durante este primeiro teste.

Tecnicamente, Coupé igual ao Cayenne. O SUV assenta na plataforma MLB do consórcio VW, arquitetura fabricada com quase tanto aço como alumínio. A suspensão nos dois eixos é multibraços e dispõe de amortecimento ativo PASM. Considerando quer o peso do automóvel, quer a potência do motor, a Porsche socorreu-se de sistema de travagem mordaz, que inclui quatro discos ventilados de grande diâmetro. Ainda entre os equipamentos, tecnologia de quatro rodas direcionais, com as posteriores capazes de movimentarem-se na direção contrária das dianteiras até 80 km/h, o que reduz o diâmetro de viragem. Acima daquela velocidade, para promoção da estabilidade a alta velocidade, as quatro rodas giram de forma solidária, no mesmo sentido. PASM extra (2207 €), 4D Chassis Control de série.

Comparado com o Cayenne, o Coupé tem mais 13 mm de comprimento e menos 20 de altura. As dimensões exteriores e a linha descendente do tejadilho na parte traseira da carroçaria não condicionam a liberdade de movimentos no habitáculo, com quatro ou cinco lugares, dependendo da configuração dos bancos posteriores, nem limitam demasiado a capacidade do compartimento de carga, mas perde-se volume: 625 litros em vez de 770. Ainda nos lugares de trás, o rebaixamento dos assentos (30 mm) eliminou a hipótese de adoção do mecanismo para regulação longitudinal que ganha centímetros para as pernas dos passageiros, mas o espaço é suficiente em todas as direções.

Comparando versões equivalentes, o Coupé é mais pesado do que o Cayenne (explica-o a introdução de reforços nos pilares da carroçaria para progressos da rigidez), mas os alemães desenvolveram Pacote Desportivo que emagrece o automóvel, mas engorda a fatura paga pelo proprietário (13.653 €). Como elementos mais diferenciadores, jantes de 22’’ e tejadilho em fibra de carbono, em vez do teto panorâmico em vidro instalado de série. A combinação diminui a altura da carroçaria ao solo, de 21 mm para 19 mm e baixa o centro de gravidade, o que beneficia bastante o comportamento do automóvel.

No Coupé, ao contrário do que acontece no Cayenne, encontra-se aileron móvel na secção traseira do tejadilho. Este apêndice aerodinâmico eleva-se 135 mm, atingindo os 90 km/h, movimento que aumenta a pressão descendente sobre o eixo traseiro, de forma a agarrá-lo mais à estrada, para mais estabilidade a alta velocidade, conduzindo-se em estrada e autoestrada (atenção aos limites, que transpomos rapidamente). A asa adaptativa integra o Porsche Active Aerodynamics (PAA), que também é de série. Como complemento, na frente do automóvel, na grelha e lateralmente, existem lamelas ativas que controlam as entradas de ar – abrem de forma automática para melhorar a refrigeração do intercooler e do radiador e fecham para menos resistência ao rolamento.

No Cayenne Coupé, V6 3.0 com injeção direta e sobrealimentação turbo. A mecânica é reativa aos movimentos do acelerador, independentemente dos regimes, o que explica a rapidez de automóvel com mais de 2,1 toneladas. O motor tem funcionamento suave e sonoridade que estimula os sentidos, com o sistema de escape a contribuir para esta impressão desportiva! O escalonamento da caixa automática de 8 velocidades adapta-se bem às características de motor com filtro de partículas que garante o cumprimento das normas antipoluição na Europa e conta com programa manual que controlamos de forma sequencial em patilhas no volante. O sistema inclui start-stop e função de movimento à vela – estabilizando a velocidade, para redução dos consumos, o carro rola por inércia.

No volante, à direita, em baixo, encontra-se o comando dos modos de ação integrados no Pacote Sport Chrono. No mesmo seletor, mas ao centro, ativa-se o Sport Response, sistema que convoca a potência máxima do V6 biturbo e permite arranques de 0 a 100 km/h em menos de 6 segundos, registo que ilustra as credenciais desportivas de SUV inédito…

Ativando os programas Normal, Sport, Sport+ e Individual, adaptam-se a velocidade de resposta do motor ao acelerador, a rapidez de passagem das relações, a atuação do sistema de quatro rodas motrizes, que privilegia a tração traseira, a firmeza do amortecimento, etc. Alguns dos sistemas também dispõem de comandos autónomos (vide suspensão). Adicionalmente, ganham-se um cronómetro no centro do painel de bordo e um menu Performance no monitor do info-entretenimento.

A experiência de condução do Cayenne Coupé é muito gratificante. Na categoria, não há automóvel melhor… Os 340 cv do V6 são suficientes, mas não esgotam os limites de chassis preparado para as exigências dos motores mais potentes. As 2,1 toneladas notam- -se, mas a atuação combinada de amortecimento variável, quatro rodas direcionais e tração integral garantem precisão, rapidez e segurança nos percursos mais sinuosos, impressionando o rolamento mínimo da carroçaria em curva, nas transferências de massa, habitualmente enormes em carros com este porte. As reações (previsíveis!) aproximam-se das de carros leves e pequenos. Não menos relevante: conforto ótimo, devido à capacidade do amortecimento na filtragem do piso. E o Cayenne Coupé também é Porsche na rapidez e no tato da direção ou na capacidade dos travões.

O Cayenne sustentou o crescimento da Porsche, ganhando depressa o estatuto de automóvel mais vendido de marca que percebeu muito precocemente o potencial comercial de formato que representa cerca de 40% das vendas de automóveis novos no Velho Continente. Entretanto, com o aparecimento do Macan, passou de n.º 1 para n.º 2. O Coupé baseado na 3.ª geração do Sport Utility Vehicle (SUV) não tem apenas imagem mais desportiva do que o modelo de que deriva, devido à silhueta da carroçaria. No comportamento, este peso pesado (quase 5 metros de comprimento, mais de 2,1 toneladas), aproxima-se muitíssimo das capacidades dinâmicas desportivas que conhecemos de carros tão potentes, mas mais leves e pequenos. Deve- -o ao motor V6 3.0 biturbo e à capacidade de chassis com recursos técnicos e tecnológicos acima da média.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

PORSCHE CAYENNE

Coupé

Motor
Arquitetura 6 cilindros em V
Capacidade 2995 cc
Alimentação Injeção direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2x2 a.c.c./24v
Potência 340 cv/5300-6400
Binário 450 Nm/1340-5300
Transmissão
Tração Integral permanente
Caixa de velocidades Automática de 8 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. multibraços
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/12,1
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,931/1,983/1,676 m
Distância entre eixos 2,895m
Mala 625-1540 litros
Depósito de combustível 75 litros
Pneus F 9jx20-275/45 R20
Pneus T 10,5jx20-305/40 R20
Peso 2105 kg
Relação peso/potência 6,19 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 243 km/h
Acel. 0-100 km/h 6 s
Consumo médio 11,8 l/100 km
Emissões de CO2 215 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 720,95 €

Medições

PORSCHE

Acelerações
0-50 km/h 2,4 s
0-100 / 130 km/h 5,8 s
0-400 / 0-1000 m 14,0/25,5 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,8 s
60-100 km/h (D) 3,1 s
80-120 km/h (D) 3,9 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38,4/9,8 m
Consumos
Consumo médio 13,2 l/100km
Autonomia 568 km

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