Abarth 595C Esseesse

Em nome do pai

TESTE

Por Vítor Mendes da Silva 09-02-2020 09:10

Fotos: Gonçalo Martins

Abarth é sinónimo de eficácia maximizada e exclusividade, valores deste 595C Esseesse, que homenageia as origens do fabricante, evocando os tempos em que os kits de preparação, concebidos para aumentar as performances das viaturas de produção em série, representavam o ADN da marca que Karl Abarth fundou há 70 anos.

O Abarth 595 Esseesse não tem tanto tempo, o primeiro foi apresentado em 1964, preparado com a ajuda de um carburador Solex 34 PBIC e um especial coletor de admissão, fundido com a tampa da válvula numa só peça em liga leve, para esticar a potência a já muito respeitáveis 32 cv. E foi um sucesso estrondoso junto dos entusiastas dos automóveis desportivos italianos. De tal forma que, em 2009, o badge Esseesse volta a figurar na carroçaria do novo Abarth 500, lançado em 2008, avisando para a presença de um kit de preparação que aumentava a potência do motor para 160 cv, modificando a configuração da suspensão, rebaixada com molas Eibach, sistema de travagem, etc.

Agora, dez anos depois, o icónico topo da gama do pequeno escorpião está de volta, com motor de 180 cv, o mais potente de sempre. No novo 595C Esseesse, sistema de travagem dianteiro Brembo de altas performances, que assegura notável resposta e perfeito comportamento dinâmico, graças aos discos perfurados e ventilados e às pinças de travões sobredimensionadas. Segundo a marca, o sistema consegue realinhar as pastilhas dos travões com a superfície de travagem dos discos para rápida dispersão do calor e melhor capacidade de resposta da viatura em travagem.

Igualmente de série, o filtro de ar específico BMC e suspensões traseiras Koni FSD (Amortecimento de Frequência Seletiva). No exterior, jantes em liga leve de 17’’ Supersport com novo acabamento Branco Racing, faixas laterais Abarth, revestimento dos retrovisores exteriores e defletores dianteiro e traseiro a condizer.

No cockpit o destaque vai para os bancos desportivos Sabelt 70 com costas em carbono e para os pedais também em carbono. Os bancos são fantásticos, mesmo se a posição de condução está longe de ser a ideal num desportivo. Mas aí pouco há a fazer, resta-nos aceitar que vamos sentados numa posição demasiado alta e que isso é culpa da estrutura do carro. O mesmo acontece com a falta de espaços para arrumar o básico (carteira e telemóvel) ou com a bagageira onde cabe apenas um trólei de viagem.

Este carro é para outras andanças, com as pistas e os track days debaixo de olho. Notamo-lo assim que rodamos a chave e ouvimos o ronco do 1.4 Turbo com 180 cv, sobretudo quando, ainda a frio, pressionámos o botão Sport no tablier: modo de condução que altera a assistência da direção (para bastante mais pesada e direta), ajusta os controlos de tração e de estabilidade para ação menos expressiva, atrasando a intervenção e alterando a força do motor a mé regimes, através da variação da pressão do turbo. A disponibilidade do 1,4 litros é incrível; o carro acelera com vontade e também recupera bem. A caixa manual de 5 velocidades está bem escalonada (a 1.ª relação é curta para tanto ímpeto no arranque). E, mesmo que o seletor seja impreciso, o correto escalonamento permite retirar o máximo rendimento de motor cujo timing ideal de passagem de caixa situa-se a 3000-4000 rpm, faixa em que o turbo se encontra cheio e no auge do seu débito.

E se acelera bem, curva melhor. O mesmo amortecimento seco que pode causar algum enfado aos ocupantes (e até ao condutor...) no piso irregular, sendo diminuta a capacidade dos amortecedores em absorverem a energia, revela-se quando guiamos o escorpião mais depressa, aproveitando o temperamento venenoso de míni com motor capaz de 225 km/h e 0 a 100 km/h em menos de 7 segundos! No pequeno Esseesse tudo ajuda para que o foco na condução produza trajetórias rápidas e precisas, com o autoblocante a cravar as rodas dianteiras ao interior das curvas, gerando crescente de confiança para que se aumente a velocidade. Com a vantagem de se manter adormecido o controlo de estabilidade (impossível de desligar), criando fluidez em condução realmente rápida.

O novo volante tem visual e pega ótimos, com aplicações em alcantara e carbono, não obstante a inclinação excessiva do mesmo. Já o comando da caixa anexa rapidez à suavidade e os pedais estão bem localizados. O motor tem nervo de sobra para deixar o pequeno escorpião a cuspir fogo e a deliciosa sonoridade de escape não deixa ninguém indiferente em espalhafatosas acelerações. Aí está homenagem à medida de ícone com mais de cinco décadas de história.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

ABARTH 595

C Esseesse

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1368 cc
Alimentação Injeção multiponto, turbo
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 180 cv/5750 rpm
Binário 250 Nm/3000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 5 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/9,5 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 3,657/1,627/1,485 m
Distância entre eixos 2,3m
Mala 185 litros
Depósito de combustível 35 litros
Pneus F 7jx17-205/40 R17
Pneus T 7jx17-205/40 R17
Peso 1110 kg
Relação peso/potência 6,1 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 205 km/h
Acel. 0-100 km/h 6,7 s
Consumo médio 6 l/100 km
Emissões de CO2 171 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/8 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 171,32 €

Medições

ABARTH

Acelerações
0-50 km/h 3 s
0-100 / 130 km/h 6,9 s
0-400 / 0-1000 m 14,8 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 3,9 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 3,9/5,2 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 5,4/6,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,7 m
Consumos
Consumo médio 7,8 l/100km
Autonomia 488 km

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