Os bancos em tecido são confortáveis e o ambiente interior adota a tonalidade Azul Navy. Nota-se que existe muita atenção ao detalhe e a perceção de qualidade é elevada Atrás, a distância até aos encostos da frente não é muito ampla. O lugar ao meio é apertado. A posição elevada dos bancos facilita o acesso No centro do painel surge a indicação gráfica acerca da ativação do sistema que permite manter o CX-30 dentro da faixa de rodagem No ecrã central é possível observar o fluxo de energia a cada momento, inclusive do apoio elétrico e da função de desativação dos cilindros A transmissão manual é de seis velocidades e o acerto é preciso, apesar da 5.ª e da 6.ª mais longas, algo que se reflete ao nível das recuperações A área da mala é funcional e a zona de entrada tem acesso largo e prático. Já a abertura automática do portão (de série) é um bocadinho lenta O posto de comando é ergonómico e a posição ao volante está bem centrada, incluindo ajustes fáceis de operar. Destaque para a qualidade dos acabamentos no tablier, em cima, e nas zonas das portas e da consola À esquerda do volante (mais abaixo), conjunto de teclas operativas do controlo de tração, sensores de parque e do sistema ‘start-stop’ O funcionamento do bloco 2.0 é suave em todos os regimes. Não é demasiado ‘preguiçoso’, mas certas recuperações são lentas Para SUV, o centro de gravidade é baixo, aproximando a dinâmica do CX-30 da de uma berlina compacta, como o Mazda3. Também o conforto de rolamento está em ótimo plano Comportamento eficaz e fácil controlo em curva Consumo médio ‘real’ de 7 litros por cada 100 km SUV compacto estreia motor a gasolina ‘mild-hybrid’ Óticas traseiras LED e portão da bagageira de abertura elétrica. À frente, as luzes adotam função automática para a ativação de máximos

Mazda CX-30 2.0 Skyactiv-G Evolve

Irmão do meio

TESTE

Por João Ouro 05-01-2020 18:05

Fotos: Gonçalo Martins

Sem retirar protagonismo a outros modelos da marca, a chegada do CX-30 ao portefólio da Mazda é de extrema importância, tratando-se de um modelo que se encaixa numa categoria que está em crescimento acelerado. Por outro lado, reúne atributos bastante interessantes, tendo medidas exteriores acima das do CX-3 e abaixo das do CX-5, mesmo que o aproveitamento dessas dimensões no habitáculo até pudesse ser melhor, pelo menos se se comparar com alguns dos (possíveis) concorrentes diretos, como é o caso do Qashqai da Nissan ou do 3008 da Peugeot, por exemplo.

Refira-se que o espaço à frente é amplo e envolvente, inclusive na zona do posto de condução, o qual tem posição corretíssima e bem centrada, com ajustes fáceis e comandos à mão, ladeado por materiais/forros de qualidade, onde sobressai o rigor da montagem e a perfeição dos acabamentos, nomeadamente no topo do tablier, na consola e nos apoios das portas. Existe essa perceção de qualidade em vários detalhes e o nível de equipamento Evolve contribui para a atmosfera de conforto que existe a bordo. Tipicamente... Mazda!

Até ao final de 2019, sem custo adicional, as versões de lançamento acrescentaram ainda a abertura/fecho por comando elétrico do portão da bagageira (um bocadinho lento a operar...), sensores acústicos à frente e atrás e câmara traseira para auxílio nas manobras de estacionamento, além de vidros escurecidos à retaguarda e jantes em liga leve de 18’’, estas associadas a pneus Bridgestone Turanza 215/55.

Ainda no domínio do conforto e das dimensões, interessa dizer que o CX-30 aproxima-se muitos doutros adversários de peso, como o já referido Qashqai, por exemplo, inclusive na capacidade da bagageira (430 litros úteis), cujo acesso é funcional, graças à entrada desimpedida e à altura em que se encontra a plataforma de carga. É certo que a versatilidade dessa zona até podia ser superior, ainda para mais num SUV, mas o rebatimento assimétrico dos encostos traseiros está contemplado e a posição mais elevada dos assentos facilita a entrada e a saída dos passageiros. O ângulo de abertura das portas não é grande, mas não há dificuldades por aí, sendo mais evidente a dimensão avantajada do túnel traseiro, a meio, em baixo, certamente prejudicial à vida de um possível 3.º passageiro atrás. A distância até às costas dos bancos da frente nem sequer é má, mas há melhor dentro da categoria e, por vezes, é exigível que essa amplitude seja negociada com os utentes da frente. Pouco grave, tanto mais se essa discussão se colocar no âmbito familiar. Outro reparo diz respeito à dimensão estreita do óculo traseiro, limitando um pouco a visão à retaguarda por parte do condutor, em estrada, embora isso seja atenuado nas manobras de parque pela câmara posterior, a qual projeta as imagens no ecrã central, este último com grafismo e funções melhoradas face aos anteriores dispositivos da marca.

Base do Mazda3 e motor híbrido

O CX-30 é baseado na plataforma da 4.ª geração do Mazda3, integrando novas assistências à condução, nomeadamente a que diz respeito à manutenção automática da faixa de rodagem (com controlo atempado por parte da direção caso haja desvio não autorizado...), além de recorrer aos mais habituais avisos de ângulo morto e de colisão frontal, assim como à travagem automática em caso de emergência, neste caso com deteção de peões. Estes sistemas estão bem ajustados à avaliação que é feita da condução, muito confortável, aliás, sendo possível ativar o cruise-control adaptativo, que regula a distância para os veículos que seguem à nossa frente. De série, o head-up display é outra mais-valia (com vários dados projetados no para-brisas à frente do condutor), mas é a própria genética do CX-30 que contribui para a eficácia em estrada (peso e centro de gravidade baixos), algo que se vê nas reduzidas oscilações em curva e nos movimentos controlados da carroçaria.

Menos SUV, mais berlina, talvez até porque a altura ao solo não está assim tão acima do Mazda3, por exemplo, e isto apesar da imagem crossover. A suspensão é confortável q.b. e não há reações excessivamente firmes, mesmo nos pisos irregulares, a par da boa resposta por parte dos Bridgestone, sem que o ruído de rolamento seja elevado.

A grande suavidade da condução é devida à mecânica M Hybrid a gasolina, com apoio de motor-gerador elétrico (bateria extra de iões de lítio de 24V) que permite baixar consumos (6,9 l/100 km) e emissões, recuperando a energia das desacelerações e travagens. A desativação de cilindros é outra tecnologia pouco comum nesta classe e também traz vantagens nesse domínio, atuando de forma impercetível e... silenciosa. Aliás, a serenidade acústica é transversal à natureza do novo bloco 2.0, de baixo ruído e isento de vibrações.

Nota final para a direção, que é precisa e rápida, gerando confiança.

Do ponto de vista racional, o novo CX-30 é um excelente produto, projetando a estreia da Mazda no segmento C dos SUV compactos. O formato é consensual e as dimensões estão bem ajustadas às necessidades familiares, embora o interior pudesse ser mais amplo, pelo menos face à concorrência. Na versão testada há alguns trunfos que importa destacar, desde o baixo ruído e suavidade do bloco Skyactiv-G, passando pelos consumos equilibrados, até à própria qualidade da condução, inclusive do tato da direção

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Ficha Técnica

Caracteristicas

MAZDA CX-30

2.0 SKYACTIV-G EVOLVE

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1998 cc
Alimentação Injeção direta (M Hybrid)
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 122 cv/6000 rpm
Binário 213 Nm/4000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Barra de torsão
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,395/1,795/1,540 m
Distância entre eixos 2,655m
Mala 430 - 1406 litros
Depósito de combustível 51 litros
Pneus F 7jx18 - 215/55 R18
Pneus T 7jx18 - 215/55 R18
Peso 1320 kg
Relação peso/potência 10,8 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 186 km/h
Acel. 0-100 km/h 10,6 s
Consumo médio 6,2 l/100 km
Emissões de CO2 141 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 3 anos ou 100.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 204,21 €

Medições

MAZDA

Acelerações
0-50 km/h 3,9 s
0-100 / 130 km/h 11,2 s
0-400 / 0-1000 m 17,6 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 7,4 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 10,3/14,5 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 13,7/22 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,8/9,2 m
Consumos
Consumo médio 6,9 l/100km
Autonomia 739 km

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