Ford Ranger Raptor

Americana na Europa

TESTE

Por João da Silva 31-12-2019 18:25

Fotos: Gonçalo Martins

A imagem nova Ford Ranger Raptor é tudo menos discreta, sendo amiúde motivo de olhares de admiração e de agrado, bem como de inúmeros comentários, a esmagadora maioria de aprovação pela escolha. Não me desfiz e agi como se o carro fosse meu, pois mal algum vem ao mundo com uma inofensiva omissão como esta.

O design agressivo é desde logo conferido pela nova grelha em preto – inspirada na primeira pick-up de alta performance construída em série, a Ford F-150 Raptor –, que domina o espaço entre os faróis de xénon de alta intensidade e as barras de proteção montadas no para-choques dianteiro, onde estão integrados os faróis de nevoeiro em LED e as condutas de ar do tipo cortina, que pretendem melhorar o fluxo aerodinâmico ao longo da carroçaria. Os guarda-lamas dianteiros alargados e fabricados em material compósito foram concebidos para resistir aos danos decorrentes da condução fora de estrada, bem como autorizar maior curso da suspensão e pneus de grandes dimensões, enquanto os estribos laterais em alumínio com acabamento exclusivo antiderrapante (também negro) foram especificamente desenhados para impedir a projeção de pedras na traseira da pick-up, sendo que incluem pontos de drenagem para evitar a acumulação de areia, lama ou neve.

Solução que resulta nas enlameadas margens de alguns ribeiros que atravessámos comodamente sentados nos ótimos bancos em couro e camurça a que a Ford chama «Premium», designação a que não objetamos, por serem cómodos e ergonómicos, além de exibirem elevada qualidade de fabrico, característica, refira-se, extensível ao restante habitáculo, que conta com diversas costuras a azul e apontamentos em couro.

A posição de condução, naturalmente elevada, é correta e muito pouco cansativa, o que é incomum neste género de veículos. O volante, revestido a pele perfurada e com o logótipo Raptor gravado em relevo, tem uma marca vermelha ao centro que remete para a competição e que nos ajuda a perceber a posição da direção quando conduzimos fora de estrada. É no volante que estão posicionadas as patilhas em magnésio para efetuar trocas manuais da transmissão automática de 10 velocidades igual à que utiliza a F-150 Raptor…

Construída em aço de alta resistência, ligas de alumínio e materiais compósitos para otimizar a durabilidade e o peso, esta moderna transmissão está acoplada ao motor de 4 cilindros e de 2 litros a gasóleo que serve a gama Ranger, mas que nesta versão Raptor surge sobrealimentado por dois turbos que sobem a potência para 213 cv e o binário máximo para 500 Nm. Confessamos que ficámos um pouco céticos sobre a capacidade desta mecânica para oferecer prestações interessantes face a considerável massa rolante de 2585 kg, mas a verdade é que a condução resulta fluida e rápida quanto baste para entusiasmar, sobretudo no modo de condução Sport, em que a rotação do motor sobe para oferecer respostas mais imediatas à pressão no pedal do acelerador.

E é nesse modo que melhor se sente todo o potencial de aceleração do motor, bem como um ronco pronunciado que, confessamos, chega a ser empolgante, sobretudo num estradão de terra por onde se possa acelerar à vontade, deixando um ciclone de poeira atrás de nós. Enfim, brincadeiras de gente crescida... Nas nossas medições, ficámos 0,5 s abaixo do anunciado pela marca nos 0-100 km/h (10,5 s) e também satisfeitos com o desembaraço das recuperações. Já nos consumos, afastámo-nos ligeiramente do valor oficial (8,9 l/100 km), mas nada de exageradamente grave: 10,9 l/100 km.

Registe-se, ainda, que a Raptor tem tração integral inserível, dispondo de redutoras (4L) de acionamento eletrónico, tal como é o sistema Terrain Management System, que tem seis modos de condução: «Normal», em que é dada prioridade ao conforto, economia de combustível e facilidade de condução; o já referido «Sport», para condução mais rápida e dinâmica em estrada; «Relva/Terra/Neve», para maior eficácia e segurança em fora de estrada e superfícies desniveladas; «Lama/Areia», que ajusta a resposta do veículo para otimizar a tração e o impulso em superfícies altamente deformáveis; «Pedra», especificamente para pisos lentos e pedregosos, onde é fundamental contar com um controlo suave e «Baja», que ajusta a resposta para a performance de condução fora de estrada a alta velocidade, tal como fazem os pilotos na famosa Baja 1000.

Além de tudo isto, há ainda controlos de descida com forte inclinação e de estabilidade com função de antirrolamento da carroçaria e ainda de apoio ao reboque.

Com todo este arsenal de dispositivos, bem como outras evoluções técnicas face a outras versões da gama Ranger, como o sistema de travagem com quatro discos ventilados de 332 mm de diâmetro, os dianteiros com 32 mm de espessura e os posteriores de 24 mm, ou os amortecedores de alta performance produzidos pela especialista Fox, com soluções tecnológicas herdadas da competição, a Raptor revela desempenho superior fora de estrada, até porque também tem distância ao solo 5 cm mais elevada do que as versões convencionais (num total de 28 cm), maior altura de passagem a vau (85 cm) e ângulos específicos de TT mais favoráveis, com os de ataque (32º) e saída (24º) ampliados em três graus (3º). Colocámos a pick-up da Ford em situações fora de estrada que consideramos exigentes para o utilizador comum, embora não extremas, e o resultado foi uma eficácia à prova de crítica.

Para isso também contribuem os pneus BF Goodrich All-Terrain (285/70 R17), de série, especificamente concebidos para alcançarem o melhor desempenho em terrenos pouco consistentes (lama, neve, areia, pedras soltas), mas que por vezes trazem alguma trepidação ao habitáculo, sobretudo a baixa velocidade.

Não que isso condicione os níveis de conforto, os quais são elevadíssimos, seja qual for o terreno de utilização. Chega até a impressionar como atravessa buracos profundos em estradões de terra sem transmitir a energia do impacto ao interior. Tendo em conta estrutura e peso, o desempenho dinâmico da Ranger Raptor é razoável, embora exista sempre algum rolamento importante da carroçaria em curvas de maior apoio, o que condiciona de certa forma a fluidez da condução. Agora se a levarmos para um estradão de terra, com a traseira a deslizar na contra brecagem, ui…, é diversão garantida!

A Ford Ranger Raptor é uma pick-up pouco convencional e exclusiva, piscando o olho aos apaixonados pelos exemplares americanos deste género, dos quais a F-150 Raptor é uma das mais apreciadas. Imagem apelativa, elevadíssima eficácia em todo-o-terreno ligeiro (especialmente em areia e pedra solta), muita tecnologia e equipamento e prestações interessantes são argumentos fortes desta proposta que tem muito pouco de racional. Até pelo preço…

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Ficha Técnica

Caracteristicas

FORD Ranger

RAPTOR

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1996 cc
Alimentação Injeção direta CR, biturbo, interc.
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 213 cv/3750 rpm
Binário 500 Nm/1750-2000 rpm
Transmissão
Tração Integral inserível
Caixa de velocidades Automática de 10 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção c/ ligação Watt
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/12,9 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 5,363/1,860/1,873 m
Distância entre eixos 3,22m
Mala -
Depósito de combustível 80 litros
Pneus F 285/70 R17
Pneus T 285/70 R17
Peso 2585 kg
Relação peso/potência 2,1 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 170 km/h
Acel. 0-100 km/h 10,5 s
Consumo médio 8,9 l/100 km
Emissões de CO2 281 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 53,69 €

Medições

FORD

Acelerações
0-50 km/h 3,5 s
0-100 / 130 km/h 10 s
0-400 / 0-1000 m 17,1 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4,4 s
60-100 km/h (D) 5,4 s
80-120 km/h (D) 7,2 s
Travagem
100-0/50-0km/h 40/11 m
Consumos
Consumo médio 10,9 l/100km
Autonomia 734 km

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