No centro do painel de bordo, monitor de 8,8’’ do sistema multimédia, a cores e tátil. Mostradores desportivos, como nos BMW A caixa automática de 8 velocidades integra modo manual ativado sequencialmente em patilhas no volante Em automóvel tão ‘rico’, paradoxalmente, painel de instrumentos ‘pobre’, principalmente ao nível do grafismo, desinspirado Materiais dos revestimentos e acabamentos de qualidade, ‘imagem de marca’ (bem!) protegida. Comando Sport ativa o programa de condução mais desportivo Info-entretenimento gere-se facilmente, ao contrário do que acontece nos sistemas Toyota. Integra tecnologias modernas de conectividade, ‘vide’ Apple CarPlay e Android Auto Mecânica de 6 cilindros arrumada longitudinalmente sob o ‘capot’. O turbo garante-lhe disponibilidade desde muito baixo regime A mala tem 290 litros e, desde o exterior, abre-se apenas a partir do comando à distância. Já no interior, há acesso entre os bancos Posição de condução baixa e desportiva. Banco e volante têm regulações amplas. O condutor dispõe de apoios de qualidade e tem todos os comandos fundamentais ao alcance da mão Gazoo Racing ‘assina’ 5.ª geração do desportivo Direção informativa facilita a inserção em curva e o controlo do automóvel em movimentos que ‘testam’ os limites do chassis No Supra, repartição quase equitativa do peso pelos eixos e chassis competente e, por isso, muito tolerante aos erros. Entre as qualidades, pneus Michelin hiperaderentes em jantes de 19’’ No programa da Toyota, como prioridade, a diversão na condução Como nos antecessores, motor dianteiro e tração traseira Casamento de conveniência com a BMW na origem de desportivo excitante O difusor integra as duas ponteiras do escape, laterais, e os pontos luminosos (LED) das luzes de marcha-atrás e nevoeiro, todos ao centro

Toyota GR Supra

Um alemão de quimono

TESTE

Por José Caetano 14-12-2019 18:25

Fotos: Gonçalo Martins

O nome Supra é património protegido, por designar desportivo da Toyota com adeptos em todo o Mundo. Percebemo-lo percorrendo páginas de fãs na Internet, hiperativas desde as primeiras notícias sobre a produção de geração nova, que remontam a 2012, quando a marca nipónica anunciou a extensão da parceria com a BMW iniciada em 2011. No plano, ao lado do desenvolvimento da tecnologia da pilha de combustível (fuel cell), antecipando o futuro da eletrificação do automóvel, figurava a conceção de desportivos. Teoricamente, somando as competências dos dois pesos pesados, mais hipóteses de sucesso. Na prática, concentrando-nos no produto e ignorando os conservadores resistentes às mudanças – ou as vozes dos Velhos do Restelo – idem, aspas, aspas!

O Supra desenvolvido em paralelo com o Z4 não é um Toyota sucedâneo de um BMW! Não! No entanto, indiscutivelmente, trata-se de um alemão de quimono. Antecipando conclusão, neste teste, encontrámos muitas mais vantagens do que desvantagens. Socorrendo-se dos alemães, os nipónicos produziram carro excitante que honra história com início em 1978. Nas duas primeiras gerações, tratava-se de derivado do Celica. O corte do cordão umbilical registou-se em 1986, por ocasião do lançamento do A70. Até 2002, quando o modelo foi descontinuado, consequência da perda rápida da popularidade da espécie, A80 em 1993.

Mas, acelere-se até… 2019. No A90, manutenção de todas as características que associamos ao Supra, da tração às rodas traseiras ao motor dianteiro com arquitetura de 6 cilindros, dos dois lugares no cockpit ao desenho disruptivo – é-o muito mais no exterior do que no habitáculo, onde as impressões digitais da BMW são claríssimas no hardware e no software, com o sistema de info-entretenimento como expressão máxima do impacto dos alemães no projeto liderado por Tetsuya Tada, com a colaboração do presidente da marca, Akio Toyota, fã de desportivos com capacidade (re)conhecida como… piloto!

Mantendo-nos no habitáculo, no centro do painel de bordo, monitor de 8’’ a cores. No ecrã com comando tátil para seleção de menus, elegem-se as informações apresentadas (estas funções também podem realizar-se em seletor rotativo na consola entre os bancos, como acontece nos BMW, ao lado do botão que ativa o modo de ação mais desportivo, Sport). Os comandos da climatização ou dos vidros também são iguais aos de diversos modelos da marca alemã. Já a instrumentação digital (conta-rotações no centro do mostrador digital) e o volante têm desenhos específicos. Os bancos possuem apoios excecionais e regulações elétricas. A posição de condução baixa combina com a orientação desportiva do Supra e é possível adaptá-la quer à morfologia, quer às preferências individuais.

Os acessos ao cockpit não são amplos, o desenho e as formas da carroçaria penalizam a visibilidade, devido à superfície vidrada reduzida e a capacidade e o número de compartimentos para arrumações também figuram na lista de fraquezas do Supra. A bagageira tem 290 litros, mais nove do que a mala do Z4, que é um roadster, e pode abrir-se desde o exterior apenas no comando à distância. Em contrapartida, chega-se-lhe a partir do interior, entre os bancos, devido à ausência de separador, descontando a barra anti-aproximação montada imediatamente atrás dos encostos (liga as torres da suspensão posterior e melhora a rigidez do chassis, beneficiando, diretamente, tanto a estabilidade como a precisão em curva).

O Supra não belisca a imagem da qualidade da Toyota na qualidade dos materiais e da montagem. Pelo contrário, à vista, pelo menos, apenas revestimentos de… primeira! O equipamento também é ótimo: à venda no nosso País, encontra-se apenas esta versão Legacy, que tem só a pintura metalizada como opcional. O pacote Supra Safety integra todas as assistências eletrónicas modernas, do regulador de velocidade ativo com função Stop & Go (e, assim, condução muito mais relaxada em engarrafamentos e semáforos) à travagem automática com reconhecimento de ciclistas e peões, do alerta de saída involuntária da faixa de rodagem (capacidade de atuação na direção entre as competências) à leitura de sinais de trânsito.

Divertido e rápido

Desenvolvido pela Gazoo Racing, a divisão responsável pelas atividades desportivas da Toyota nos Mundiais de Ralis (WRC) e Resistência (WEC) e no Super GT, campeonato superpopular no Japão, o Supra encontra-se equipado com o mesmo motor do BMW Z4 M40i. Esta mecânica de 6 cilindros em linha posicionada na frente do automóvel, longitudinalmente, tem 3 litros de capacidade, combina a injeção direta com a distribuição variável e a tecnologia da sobrealimentação turbo, conta com filtro de partículas para descontaminação otimizada dos gases de escape e é apoiada por caixa automática de 8 velocidades. O sistema possui controlo de arranque, modo de condução por inércia (só funciona com o pé direito fora do pedal do acelerador e o programa Sport inativo!) e função manual ativada de forma sequencial em patilhas no volante ou no seletor arrumado na consola entre os bancos.

No Supra, dois modos de condução, Normal e Sport. O sistema intervém no amortecimento, na assistência da direção elétrica, na sensibilidade de resposta do motor ao acelerador e, ainda, na sonoridade do escape, mais impactante no programa desportivo. O chassis integra suspensões independentes nos dois eixos com amortecedores comandados de forma eletrónica (AVS), o que permite regulação da firmeza, sistema de travagem com discos sobredimensionados (Brembo) e diferencial ativo no eixo posterior que distribui o binário entre as rodas traseiras de acordo com as necessidades de tração.

Dinamicamente, Supra (quase...) irrepreensível, por cumprir a promessa de diversão na condução! Comparado com os quatro antecessores, espartanos, o Toyota novo é muito mais refinado – no conforto acústico e de rolamento ou no equipamento, por exemplo. Existem máquinas mais excitantes na categoria, sim, mas este desportivo compacto, potente e veloz impressiona de forma muito positiva na agilidade, na estabilidade e na precisão, mesmo aproximando-nos do limite da aderência. O funcionamento pouco intrusivo da eletrónica beneficia-o e esta característica sublinha a qualidade excecional da base do Toyota, que transmite confiança ao dono do volante, após adaptação ao temperamento de máquina que também tem direção informativa e rápida, travões potentes e resistentes à fadiga, suspensão tolerante q.b. em pisos degradados e irregulares, etc. No passado, os Supra eram (muito!) mais exigentes e menos previsíveis.

A mecânica comporta-se otimamente desde baixo regime, reagindo com prontidão a todos os movimentos no pedal do acelerador. Todavia, fá-lo de forma linear e progressiva, não explosiva, característica que não agrada a todos os adeptos de desportivos. O comportamento da caixa de 8 velocidades contribui para este desempenho, no modo automático. No manual, sensações melhores quer nas acelerações, quer nas recuperações! O Toyota é só 40 kg mais leve do que o Z4. Logo, coupé e roadster também são semelhantes nas performances. Nos dois casos, os números entusiasmam. 

A90 é o nome de código da 5.ª geração do Supra, a 1.ª desenvolvida em parceria com a BMW. O desportivo de dois lugares é menos espartano e imprevisível do que os quatro antecessores. Trata-se de qualidade, não de defeito! O Toyota conduz-se depressa com muita segurança, com chassis, caixa e motor a proporcionarem-nos performances e reações excitantes, que combinam com as linhas empolgantes da carroçaria. E conduz-se bem no quotidiano, devido à capacidade da suspensão.

Ler Mais

Ficha Técnica

Caracteristicas

TOYOTA SUPRA

GR

Motor
Arquitetura 6 cilindros em linha
Capacidade 2998 cc
Alimentação Inj. direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c/24 v
Potência 340 cv/5000-6500 rpm
Binário 500 Nm/1600-4500 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. Multibraços
Travões F/T Discos ventilados (348/345 mm)
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,379/1,854/1,292 m
Distância entre eixos 2,47m
Mala 290 litros
Depósito de combustível 52 litros
Pneus F 9jx19-255/35 R19
Pneus T 10jx19-275/35 R19
Peso 1570 kg
Relação peso/potência 4,6 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 250 km/h
Acel. 0-100 km/h 4,3 s
Consumo médio 7,5 l/100 km
Emissões de CO2 170 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 7 anos ou 160.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 565,89 €

Medições

TOYOTA

Acelerações
0-50 km/h 1,8 s
0-100 / 130 km/h 4,5 s
0-400 / 0-1000 m 17 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,9/3,7 s
60-100 km/h (D) 3,8/5,1 s
80-120 km/h (D) 6,5/10,3 s
Travagem
100-0/50-0km/h 32,4 m
Consumos
Consumo médio 13,3 l/100km
Autonomia 390 km

Conte-nos a sua opinião 0

TESTE