Renault Clio TCe 130 EDC RS Line

Elogiável mundo novo!

TESTE

Por João Ouro 08-12-2019 18:10

Fotos: Gonçalo Martins

Sem romper com o padrão do design exterior da geração cessante do Clio, preservando-lhe elementos estéticos como os puxadores traseiros dissimulados no cimo das portas, os farolins traseiros horizontais ou mesmo os traços identificativos das secções dianteira e posterior da carroçaria, a Renault gerou uma autêntica revolução ao nível da conceção técnica, com a adoção de nova plataforma, e nos interiores, nestes com uma ainda mais notória modernização, do desenho, à tecnologia, passando pela qualidade de construção e a ergonomia.

Comecemos precisamente pelo habitáculo, elogiando os revestimentos e os materiais aplicados, e ainda estreia de muito mais sofisticado sistema de infoentretenimento, agora exibido e controlado em mais moderno e amplo ecrã digital instalado no centro do tablier (de 7’’ a 9,3’’, este último em opção e com navegação integrada). No monitor tátil controla-se a maioria das funcionalidades de bordo, desde a multimédia à navegação, e mesmo todas as configurações ligadas ao programa de modos de condução.

Mas há críticas a fazer. O Clio continua a ser apertado nos lugares posteriores, evoluindo muito pouco em habitabilidade, condicionalismo relevante que poderá deixá-lo menos bem na comparação com a principal concorrência. Mas isso serão medidas a tirar em futuro confronto.

A verdade é que o novo Clio não tinha espaço por onde crescer... no interior. Isso deve-se ao facto de o modelo contrariar a tendência de crescimento exterior dos automóveis, que é quase transversal aos segmentos. O Clio V mede menos 1,4 cm de comprimento do que o antecessor e é 3 cm mais baixo, e a própria plataforma nova tem menos 6 mm entre eixos do que a predecessora – outra invulgaridade nos tempos que correm. Perante estes constrangimentos percebem-se os que afetam a comodidade dos passageiros, principalmente nos lugares posteriores, onde aos ocupantes poderá ser-lhes indispensável negociar o espaço para as pernas com os vizinhos da frente.

Ao invés, nos bancos da frente não há apertos. O condutor vai bem instalado e com todos os comandos à mão – tanto o referido monitor novo do tipo tablet no topo do tablier, e todos os instrumentos dedicados à condução, desde o painel diante de si, ao volante, pedais e seletor da caixa corretamente enquadrados. Além de que a posição de condução é fácil de ajustar através das regulações do volante e do banco, e só a visão à retaguarda depara-se algo condicionada pela estreiteza do óculo posterior, e principalmente se nos bancos de trás os ocupantes tiverem estatura elevada ou instalando cadeiras de criança. Também pouco prático é o tamanho das bolsas das portas, muito estreitas, apesar de existir espaço suficiente na consola central para objetos pessoais, assim como local apropriado para recarregar por indução os telemóveis (os aparelhos compatíveis).

No que se refere à qualidade dos revestimentos, em especial na zona do tablier e consola, a fasquia foi elevada. Os plásticos, a maioria rígidos, são bastante satisfatórios e a montagem geral igualmente, alinhando o Clio pelas referências médias-altas da sua classe.

Motor Renault-Daimler

O motor de 4 cilindros de injeção direta a gasolina e turbo, debita 130 cv, tem excelentes prestações e é pouco ruidoso, funcionando otimamente em toda a faixa de rotações sempre bem coadjuvado pela caixa automática de dupla embraiagem e sete velocidades, ainda que esta seja mais rápida e eficiente em altas.

Ativando-se o modo Sport do programa de condução há vitamina extra para o agregado mecânico e para a condução, sobressaindo a agilidade e a estabilidade proporcionadas pelo chassis, cujas suspensões têm amortecimento equilibrado – promovem a dinâmica sem afetar o conforto. Animado pelo motor anérgico, o Clio progride com ligeireza, neutralidade e sem grande subviragem. Quando esta sucede, o ESP cumpre a sua missão.

A estrutura da plataforma CMF-B com 85% de peças novas (permitirá futuras soluções eletrificadas) fez diminuir o peso face ao antecessor (em média, cerca de 50 kg), com afinações diferenciadas por se tratar de modelo equipado com motor a gasolina, neste caso desenvolvido e produzido em parceria com a Daimler, utilizado, entre outros, nos Classe A e B da Mercedes-Benz.

A boa aderência mecânica do Clio é beneficiada pela dos pneus Continental Eco-Contact 6 (205/45 com jantes de 17’’), sem evitarem algum ruído de rolamento excessivo no mau piso.

A direção é (obviamente) nova, embora até pudesse ser mais precisa nas abordagens rápidas (e menos artificial), ao mesmo tempo que a assistência foi melhorada, algo que se percebe nas manobras, sendo fácil estacionar com o auxílio de tantas câmaras e sensores acústicos (Pack Vision 360º).

Os consumos não são exagerados, sendo possível atingir valores médios de 7,3 a 7,7 l/100 km no modo My Sense, mas igualmente acessível atingir o patamar dos 9 litros, bastando abandonar a moderação no acelerador. Com o modo Eco consegue-se conter os gastos, existindo ainda a função Coaching que ensina a poupar. Elogiável!

Eis o melhor Clio de sempre! É a Renault que o afirma e não está longe da verdade, tendo em conta a verdadeira revolução projetada nesta 5.ª geração. Por fora, a imagem não se distancia muito da do anterior modelo, mas toda a conceção é 100% nova (plataforma, suspensões e mecânicas), sendo possível destacar a modernidade dos equipamentos e o novo mundo do interface a bordo. É exatamente por aí que se vê o grande avanço! A dinâmica é eficaz e o motor TCe 130 só merece elogios.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

RENAULT CLIO

TCe 130 EDC RS LINE

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1333 cc
Alimentação Inj. direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 130 cv/5000 rpm
Binário 240 Nm/1600 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 7 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Tambores
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,050/1,440/1,798 m
Distância entre eixos 2,583m
Mala 391-1069 litros
Depósito de combustível 42 litros
Pneus F 6,5jx17-205/45 R17
Pneus T 6,5jx17-205/45 R17
Peso 1248 kg
Relação peso/potência 9,6 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 200 km/h
Acel. 0-100 km/h 9 s
Consumo médio 5,7 l/100 km
Emissões de CO2 129 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 5 anos ou 100.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 136,72 €

Medições

RENAULT

Acelerações
0-50 km/h 3,4 s
0-100 / 130 km/h 8,7 s
0-400 / 0-1000 m 13,8/16,4 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,6 s
60-100 km/h (D) 4,9 s
80-120 km/h (D) 5,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38/9,6 m
Consumos
Consumo médio 7,6 l/100km
Autonomia 552 km

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