Alfa Romeo Giulia 2.2 D B-Tech AT8

Se dúvidas houvesse…

TESTE

Por Ricardo Jorge Costa 12-10-2019 09:00

Fotos: Gonçalo Martins

A versão B-Tech do Giulia vem acabar com as dúvidas, se as houvesse, sobre a pretensão, a vocação e as atribuições desportivas da berlina de segmento médio (D) da Alfa Romeo, e um dos modelos topo de gama, alinhado com o SUV Stelvio.

No exterior do automóvel destacam-se detalhes exclusivos negros – friso da grelha frontal, a moldura dos vidros traseiros, espelhos retrovisores, saídas de escape e as jantes específicas de 18’’ com tampas dos cubos monocromáticas, e ainda os emblemas na porta da bagageira.

No interior, o botão de start e stop do motor em preto (normalmente é vermelho) integrado no volante em pele e bancos dianteiros têm regulação elétrica, enquanto, em opção exclusiva para esta edição B-Tech, uma aplicação metalizada com o emblema Alfa Romeo para a soleira das portas.

A imagem é impactante. Aponta aos alfistas, apreciadores inveterados do carácter desportivo da marca italiana e de alguns trejeitos tão específicos dos seus automóveis, do que ao público comum deste segmento, e ainda mais ao que pretensamente a Alfa Romeo apela, os premium dominados por alemães. Mas há mais do que a estética racing e o visual carregado de emoção no Giulia, que assume, ainda, regresso ao conceito do modelo original produzido entre 1962 e 1978. O comportamento dinâmico é uma referência na classe e deverá encher de orgulho os alfistas. Deve-o ao chassis competente e à conceção que garante a repartição equitativa do peso entre eixos (característica própria de desportivos), e ainda a leveza fundamental à otimização da dinâmica e das performances e não só, da eficiência do consumo de combustível. Para isso contribui a aplicação extensiva de materiais leves e ultrarresistentes, como o alumínio, em toda a estrutura, plataforma e motor, mas também na carroçaria (portas, capot, cavas das rodas), na suspensão e nos componentes periféricos, como as pinças dos travões. Na transmissão acrescenta-se até o luxo de um material compósito, a fibra de carbono.

Após a seleção do conhecido programa de condução «dna» da Alfa Romeo no modo Dynamic (D), que afina o desempenho dos parâmetros do motor, da direção e dos travões, para otimizar as prestações do veículo, torna-se difícil regredir para os modos básicos (Natural ou N) e de eficiência do consumo (Advanced Efficient ou A), e é naquele que as referidas qualidades do chassis são mais requeridas pelas performances do modernizado motor Diesel de 190 cv (no final de 2018). Bloco de 4 cilindros e 2,2 litros, sempre pronto a subir de rotação, com acelerações enérgicas desde baixos regimes. Todavia, há uma lacuna que não se compadece com o avanço tecnológico dos Diesel: o excesso de ruído do funcionamento da mecânica, demasiado audível no habitáculo, onde também chegam vibrações (a ignição através do sistema start-stop é disso exemplo).

Para mais rápidas retomas de velocidade (ver ficha técnica) conta-se com os préstimos da transmissão automática de 8 velocidades, com escalonamento correto, célere nas passagens e mais desportiva se selecionada nas patilhas (metálicas) no volante.

A agilidade é a mais-valia desta berlina e o seu comportamento eficaz, com aquela sensação de bom desportivo de estar sempre colado à estrada. Não há perdas de motricidade em carga ou de aderência em curva e a direção precisa. A capacidade de travagem também merece elogios, como se comprova nos escassos 36 metros que demora a imobilizar-se a partir de 100 km/h.

A posição de condução é correta, com o volante e os pedais bem centrados, e o banco a garantir boa sustentação lombar e ainda multiregulações elétricas.

O ambiente a bordo prima por uma elegante inspiração desportiva, mas misturando materiais de qualidade e superfícies de tato suave (no tablier e na consola) com outros mais sofríveis (para pretenso posicionamento premium). O monitor de bordo de 8,8’’ está devidamente orientado para o condutor, mas alguns reflexos de luz dificultam a sua leitura.

As berlinas de marcas premium, principalmente as alemãs, podem ter um comportamento em estrada mais eclético, elevando o dinamismo e o conforto de rolamento a um nível inalcançável para o Alfa Romeo Giulia, mas este pretenso (pelo menos assumido) concorrente italiano tem o mérito de ser a referência no desempenho (mais) desportivo, ainda que depreciando a comodidade que é padrão (e bem apreciada) neste segmento. O motor Diesel de 190 cv e a caixa automática têm prestações que cumprem com as atribuições dinâmicas do chassis.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

ALFA ROMEO GIULIA

2.2 D B-TECH AT8

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 2143 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 190 cv/3500 rpm
Binário 450 Nm/1750 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 8 vel.
Chassis
Suspensão F Triângulos duplos
Suspensão T Eixo Multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,8 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,643/1,860/1,436 m
Distância entre eixos 2,82m
Mala 480 litros
Depósito de combustível 52 litros
Pneus F 255/50 R19
Pneus T 255/50 R19
Peso 1520 kg
Relação peso/potência 8 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 230 km/h
Acel. 0-100 km/h 6,9 s
Consumo médio 5,5 l/100 km
Emissões de CO2 129 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/8 anos
Intervalos entre revisões 20000 km
Imposto de circulação (IUC) 238,6 €

Medições

ALFA ROMEO

Acelerações
0-50 km/h 2,3 s
0-100 / 130 km/h 7 s
0-400 / 0-1000 m 15 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,5 s
60-100 km/h (D) 4,1 s
80-120 km/h (D) 5 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,5 /9 m
Consumos
Consumo médio 6,6 l/100km
Autonomia 788 km

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