Quem não se lembra da estreia da Mercedes-Benz no segmento dos compactos em 1997 com o Classe A. Duas décadas depois, a família alarga-se de forma sucessiva e o êxito nem sequer abranda com a multiplicação da espécie: do A para o B, depois para o CLA Coupé de 2013, a que se junta a variante Shooting Brake (tipo carrinha), e até ao pequeno crossover GLA. Para todos os gostos!
Agora é a vez do lançamento da 2.ª geração do CLA Coupé (4 portas), cujo desenvolvimento é decalcado dos avanços efetuados pela 4.ª geração do Classe A (2017-2018), partilhando com este a plataforma MFA II (tração à frente), todas as tecnologias no domínio das ajudas eletrónicas à condução, assim como as novidades relativas aos sistemas de infoentretenimento. Com destaque para a atmosfera moderna a bordo (ecrãs digitais, comandos gestuais e instruções por voz, por exemplo) e para o portefólio dos equipamentos, incluindo muitas opções e vários pack extra.
Nesses aspetos, a Mercedes-Benz assume uma diferença óbvia na categoria, quase sem igual entre os concorrentes das marcas premium. E no caso do CLA, o desenho e o formato da carroçaria também são outras diferenças a apontar, tendo melhorado a imagem face ao antecessor, mas sem perder esse lado desportivo tão peculiar, ainda mais se se optar pela linha AMG (3700 €), a qual acrescenta alguns pormaiores, tanto por fora (grelha, escape duplo, faróis LED e jantes de 18’’), como por dentro (bancos e volante em pele, além de teto, pilares e tapetes a preto).
As dimensões exteriores diferem pouco do antecessor, mas há ligeiros progressos na habitabilidade (devido à maior distância entre eixos), algo que se percebe no espaço atrás, mesmo que se mantenha um lugar do meio apertado (túnel intrusivo) e teto em forma descendente, o que o prejudica ao nível da altura. Nada de grave, sendo quase surpreendente os centímetros que existem para as pernas até aos encostos da frente e a largura entre portas, embora o referido habitat seja ideal, como se antevê, apenas para dois passageiros. À maneira dos Coupés...
A volumetria da mala baixou 10 litros, mas o aproveitamento do espaço foi melhorado, assim como o acesso, mesmo que a operação de fechar o portão através da pega interior (quase incrustada) não seja prática. A rever, mais uma vez!
Em relação ao habitáculo destaca-se a qualidade geral dos materiais (forros, tecidos e montagem), sem esquecer todo o interface a bordo (luzes incluídas) e a ampla personalização ou configuração dos ecrãs digitais, os quais projetam inúmeros dados e informações. Sem igual e como acontece em toda a família...
Tanta sofisticação quase faz esquecer que se está perante uma versão equipada com motor Diesel de 1461 cc, agora de 116 cv (antes 109 cv) e com a matriz originária da Renault. Não há mal nisso, até porque a nova caixa automática 7G-DCT de dupla embraiagem (da Mercedes-Benz) parece ajustar-se muito bem à mecânica, tal a forma como aproveita o ímpeto a baixo regime e a faz progredir em todas as circunstâncias. Só é pena que a acústica seja tão, tão... Diesel, num ruído pouco dissimulado ao ralenti, a frio e nas acelerações bruscas. Não há como evitar esse sintoma, embora as prestações estejam de acordo com o enunciado da potência e do binário, sem que haja derivas ou arrastamento excessivo por parte da caixa 7G-DCT, mesmo que em certas condições (arranque, a baixa rotação e com trocas rápidas) possa hesitar, ser menos assertiva ou suave . Nada de mais.
O motor não exibe atitudes descompassadas, mesmo se pressionado fortemente, embora se possa pressentir a limitação da potência, em especial quando se configura o modo Sport. Aí percebe-se que este CLA pode sprintar bem, mas é mais um maratonista do que um velocista, algo que até é corroborado pelo baixo consumo, quase sempre com médias de 5,8 a 6,3 litros por 100 km. E isto sem estratégias ou cuidados redobrados, embora se possa escolher o programa ECO para aumentar a eficiência. Melhor.
Outro dado importante diz respeito à competência dinâmica, graças à otimização do chassis e das suspensões, embora o conjunto das ligações ao solo (inclusive os Pirelli Cinturato P7) não evitem reações firmes em asfalto degradado, aí com atitudes secas, algo ampliado pelas jantes em liga leve de 18’’ da AMG. É talvez o custo a ter pela essência mais desportiva, a qual se compreende melhor na baixa posição de condução e no excelente apoio (e conforto) dado pelos bancos tipo bacquet. E, neste caso, forrados a pele e Alcantara com pespontos a vermelho.
Este novo CLA tem vias mais largas do que o antecessor e as barras estabilizadores foram revistas, a par do software do ESP. A direção exibe uma ótima precisão (tato direto q.b.) e a inscrição em curva é eficaz, mais subviradora do que o contrário. De igual modo, a travagem é competente, mas a assistência (ativa) à eventual transposição de faixa é, por vezes, muito brusca, como sucede no A.
Pressentem-se as limitações do turbodiesel 1,5 litros se se exagerar em troços sinuosos exigentes, embora a mecânica obtenha bom aproveitamento dos 116 cv. E na forma como o CLA progride em estrada ninguém suspeitará acerca da unidade que está no capot. Se a imagem conta, este modelo é um desses casos.
É difícil resistir à imagem do CLA Coupé, cuja aparência poderá colocá-lo num patamar acima da categoria em que se inscreve. Mas, como é óbvio, trata-se de um compacto originário da família Classe A, apesar das diferenças visíveis e do tamanho mais próximo do... Classe C. A chancela premium é dada pela qualidade geral, pela tremenda digitalização a bordo e pelos equipamentos propostos, ainda mais se se acrescentar a linha AMG. Nem a natureza mais rude da mecânica 1.5 Diesel afeta esse cenário, sendo de elogiar o ímpeto face à potência prevista.