Com DS 4 e DS 5 fora de cena, por registarem níveis reduzidíssimos de procura, mantendo-se o DS 3 no portefólio até à introdução de sucessor, que fará parte de uma geração 100% nova de modelos, num ambicioso programa de lançamentos, inaugurado com o 7 Crossback, em 2017.
Agora, capítulo novo nesta corajosa viagem ao mundo mais exclusivo e requintado das marcas de maior prestígio por parte de emblema jovem, idealizado com o objetivo de propor alternativa credível aos fabricantes alemães, e que ganha forma com a apresentação de um modelo mais compacto, o 3 Crossback, concorrente de Audi Q2 ou Mini Countryman.
Com 4,12 metros de comprimento e as proporções mais apreciadas do mercado automóvel, com carroçaria larga, de ombros largos, e elevada em relação ao solo, e ainda com a possibilidade de dispor de rodas de grandes dimensões, o SUV chique baseia-se na nova plataforma do consórcio francês para modelos do segmento B (CMP), arquitetura que é também a base do vindouro Peugeot 208, e que permite a compatibilidade com motorizações elétricas. Esta plataforma é também mais leve (menos 40 kg em média, graças a materiais inovadores como aço de ultra alto limite elástico, o alumínio ou os materiais compostos), oferecendo uma maior modularidade em comprimento largura, altura e diâmetro das rodas. Nesta versão Performance Line, de série, belíssimas jantes de 17’’ Dubai. Casam bem com as linhas da carroçaria que são extremamente irreverentes, disruptivas, e ajudam a sublinhar esta espécie de posicionamento à parte na categoria dos SUV/crossovers compactos, apontando a clientela mais jovem e elitista, que valoriza (muito!) todas as questões de imagem. Entre os elementos diferenciadores, originais puxadores de portas destacáveis. Um must!
Com tudo isto, se é automóvel consensual, já são outros quinhentos…
No interior com lotação para cinco é possível arrumar sem apertos de maior três adultos de estatura média nos bancos posteriores e exibe-se a mesma receita de irreverência, bom gosto decorativo e... pormenores a rever: os elevadores dos vidros colocados na consola central, a centímetros do comando do travão de parque (elétrico), que pode acionar-se sem querer.
Gostámos da posição de condução e dos bancos (quase) desportivos, bem como da generalidade dos materiais e do rigor nos acabamentos. Nota-se bem a preocupação do Grupo PSA em demarcar a DS dos restantes emblemas do consórcio francês. E fá-lo com sucesso!
Sob o capot, pequeno motor a gasolina 1,2 litros e 130 cv que surpreende pela suavidade, elasticidade e resposta pronta nos regimes baixos e médios (entrega com tudo desde as 1500 rpm até perto do red line) que resulta em retomas de velocidade convincentes. Com elevado binário (ao nível de um Diesel de maior cilindrada), não falta força ao mil-e-duzentos a gasolina do Grupo PSA, sobrealimentado, dotado de tecnologia de injeção direta e de arquitetura compacta de apenas 3 cilindros, não é apenas motor despachado, mostrando que também sabe poupar; segundo as médias de consumo realizadas nos nossos testes, valores reais de 7 l/100 km...
Depois, para usufruto de motor pequeno cheio de saúde, a suspensão do DS 3 apresenta definição que beneficia o bom compromisso entre conforto e eficácia do comportamento, filtrando de forma competente as irregularidades do piso. Deste amortecimento que é macio para carro com aura quase racing, mas que se exige a pequeno SUV/crossover pensado para autorizar incursões light por caminhos alternativos, resultam alguns movimentos da carroçaria que empurram levemente a frente ao curvar de forma mais apressada. Mesmo assim, rápido a responder como se quer nas viragens, o que faz com que nunca o sintamos um carro pesadão.
O DS3 Crossback é um automóvel estável e seguro, mostrando boa aderência ao asfalto, e com travões eficazes e rápidos nas desacelerações/imobilizações de emergência.
Construído sobre plataforma 100% nova, o novo modelo da DS é um pouco menor que o C4 Cactus, mas oferece habitáculo com espaço q.b. para cinco ocupantes e bons 350 litros na bagageira. Contudo, o recém-chegado DS3 Crossback tem no design, nas mecânicas e no apuro do habitáculo os seus maiores trunfos. Com este pequeno grande 3 cilindros 1.2 turbo a gasolina de 130 cv, associado à ótima caixa automática de 8 velocidades, tem posicionamento algo elitista, que as boas prestações e a agradabilidade desta mecânica simples podem compensar.