Mercedes-Benz B 200 d

Um B de classe A

TESTE

Por João da Silva 06-05-2019 09:47

Fotos: Gonçalo Martins

Há muito para analisar na abordagem nova da Mercedes para o Classe B. Vejamos: embora tenham sido vendidas milhões de unidades das duas gerações anteriores deste modelo (1,9 milhões só na Europa) que a marca alemã classifica como um Sports Tourer, a verdade é que a sua imagem nunca foi consensual. E tanto assim é que a Mercedes operou uma verdadeira transformação no design do B, tornando-o num clone insuflado do Classe A, esse sim unanimemente reconhecido como uma estampa de automóvel.

Ora, isto leva-nos a uma questão: se os dois automóveis estão tão parecidos, não será redundante tê-los a ambos no catálogo? Certamente que os especialistas da Mercedes fizeram todas as contas possíveis e imaginárias para o justificar – porque é a rentabilidade económica que tudo justifica –, mas isso não faz com que desapareça aquela sensação que algumas pessoas nos verbalizaram durante o tempo que testámos o novo Classe B: «este só tem mais espaço na mala, não é?».

Não, não é. Pese embora encontremos idênticas soluções de estilo, o tejadilho é mais alto, o que se traduz numa maior superfície vidrada e, aponte-se já, a posição de condução mais elevada 90 mm do que no Classe A, o que naturalmente melhora a visibilidade geral.

Entretanto, face à anterior geração, o B cresceu em comprimento, largura e na distância entre eixos (mais 26, 10 e 30 mm, respetivamente), mas tem menos 4 mm em altura. Isto traduz-se em alguns ganhos na habitabilidade: mais 5 mm na altura à frente e mais 8 mm atrás, e mais 8 mm à frente e 10 mm atrás na largura à altura dos ombros. Contudo, o que é que isto representa face ao Classe A? Medimos: mais 1 cm na largura à frente e atrás e mais 1 cm no comprimento para pernas atrás. Na altura, e considerando versões com teto panorâmico, mais 10 cm à frente e 2 atrás em altura.

Avancemos para as bagageiras, deixando o balanço para o final. A mala do novo Classe B tem 455 litros (menos 33 do que na geração anterior) e mais 85 litros que a do Classe A. Rebatendo os bancos, o B oferece compartimento com 1530 litros, enquanto o A se fica pelos 1200. Acrescente-se que em meados deste ano, o Classe B contará com argumento extra na funcionalidade: a possibilidade de adotar mecanismo que faz avançar e recuar a posição dos bancos da 2.ª fila em 14 cm, variando também a volumetria da zona de carga entre 455 e 705 litros.

Analisando tudo o que escrevemos no parágrafo anterior, e à exceção da mala (e enquanto não é possível mover os bancos traseiros), não é gigantesca a vantagem do B face ao A na vertente familiar, mesmo que a acessibilidade do primeiro seja muito melhor e, seguramente, uma vantagem.

Mantendo-nos no interior, é evidente que se trata do mesmo do A, o que é ótima notícia e uma tremenda evolução para o B. A secção dianteira é dominada pelos enormes ecrãs da instrumentação e do sistema de infoentretenimento que conferem ao Classe B uma impressionante ambiência high-tech. O ecrã de infoentretenimento de 10,25’’ é opcional e pode ser gerido de três formas: tocando no próprio ecrã, num botão sensível ao toque no volante, no touch-pad da consola central e ainda através da simpática «Mercedes» (MBUX, o sistema multimédia da Mercedes- Benz, que integra o sistema de conectividade «Mercedes me»), que se apresta a oferecer os seus serviços sempre que lhe dizemos o nome. Muitas soluções para gerir a informação dos dois ecrãs, que garantem que todos se poderão adaptar à gestão da farta tecnologia.

A mecânica que testámos, 200 d com 150 cv, gerida pela caixa de dupla embraiagem de 8 velocidades, garante uma utilização confortável e prestações razoáveis. Contudo, desagradou-nos o elevado ruído de funcionamento em esforço, bem como a dificuldade da caixa em gerir a pressão do pedal do acelerador a fundo, demorando a responder em termos de aceleração. Por fim, o consumo médio de 6,5 l/100 km é um pouco excessivo tendo em conta as prestações, culpas repartidas entre a juventude da unidade e, eventualmente, da referida dificuldade da caixa em gerir a utilização do acelerador. A título de curiosidade, refira-se que em setembro chegará versão híbrida plug-in (B 250 e), que deverá ser bastante interessante para o modelo em questão.

Quanto ao conforto e à dinâmica, apreciação idêntica à que já fizemos ao Classe A, o B é ágil, equilibrado, eficaz, seguro e até divertido, com a altura da carroçaria a não beliscar em nada o seu desempenho face ao A, mesmo em zonas com curvas sucessivas. Por fim, achamos que as jantes de 18’’ acabam por tornar o carro demasiado sensível em mau piso, mas regra geral o conforto é elevado.

Ler Mais

Ficha Técnica

Caracteristicas

MERCEDES B

200 d

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1950 cc
Alimentação Inj. dir. CR, TGV, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 150 cv/3400-4400 rpm
Binário 320 Nm/1400-3200 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,419/1,796/1,562 m
Distância entre eixos 2,729m
Mala 445 - 1530 litros
Depósito de combustível 43 litros
Pneus F 7,5jx18 - 225/45 R18
Pneus T 7,5jx18 - 225/45 R18
Peso 1535 kg
Relação peso/potência 10,2 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 219 km/h
Acel. 0-100 km/h 8,3 s
Consumo médio 4,4 l/100 km
Emissões de CO2 115 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite km
Pintura/Corrosão 3/30 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 224,33 €

Medições

MERCEDES

Acelerações
0-50 km/h 3,2 s
0-100 / 130 km/h 8,6 s
0-400 / 0-1000 m 16,3/29,7 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,4 s
60-100 km/h (D) 4,7 s
80-120 km/h (D) 6 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,2/9,1 m
Consumos
Consumo médio 6,5 l/100km
Autonomia 661 km

Conte-nos a sua opinião 0

TESTE