Seat Tarraco 2.0 TDI 150 cv 4x2

Bom vento e bom casamento

TESTE

Por Ricardo Jorge Costa 29-03-2019 09:00

Fotos: Gonçalo Martins

Seguindo-se ao Ateca e do Arona, o Tarraco é o mais recente e o maior SUV da Seat, e o seu novo modelo de topo de gama, com mais de 4,7 metros de comprimento, lotação para sete lugares e o nível mais elevado de construção, motorizações e sofisticação tecnológica.

O automóvel que acaba de desapossar o monovolume Alhambra do cimo da hierarquia da marca espanhola, comparação devida à similitude das características de meio de transporte assumidamente familiar de ambos, sobressai a este pela superior modernidade, decorrente de bastante mais recente, pelo melhor dinamismo na estrada e ainda as tecnologias de condução, conforto. Sem descurar o facto, não menos determinante na escolha do cliente atual, de ser SUV e ostentar o design da moda.

Mas não só por (tudo) isso, o Tarraco é um produto de mérito para a Seat, mas ainda pela suavidade, facilidade e ligeireza elogiáveis com que se deixa conduzir, que lhe confere o dom de transmitir a impressão de ser mais compacto e dinâmico do que os seus similares no segmento, sem ser necessariamente menos confortável. E o Tarraco, mais do que semelhantes na classe, tem modelos quase gémeos. Pelo menos, são-no na base técnica e nas motorizações, por via das sinergias do Grupo VW, o Skoda Kodiaq e o Volkswagen Tiguan Allspace, todos partilhando igualmente a característica de terem sete lugares.

Os materiais (a qualidade) que o Tarraco dispõe na construção do habitáculo (e o rigor da montagem e dos acabamentos) estão, todavia, mais próximos dos do Tiguan Allspace, num patamar apenas ligeiramente superior aos do Kodiaq.

Tal como estes, o habitáculo escalona-se em três filas de bancos, sendo que a segunda (de três lugares) divide-se em duas partes assimétricas (na proporção 60:40) e é deslizável longitudinalmente 16 cm através de uma calha para negociar o espaço com a fileira de trás. Acrescentam-se-lhe os encostos (para as costas) reguláveis em três diferentes níveis de inclinação.

Para aceder aos (dois) lugares mais recuados, basta puxar um manípulo no topo do encosto dos assentos na segunda fila e empurra-se o banco para a frente (sem obrigar a muita força). O espaço disponível na terceira fila é exíguo – aqui residindo a principal desvantagem para o Alhambra, que o tem mais amplo -, restringindo-os apenas ao transporte (recomendável) de crianças ou adultos de pequena estatura em viagens breves. A cota mais restritiva é a da altura livre ao teto, escassa para pessoas com mais de 1,70 metros.

De qualquer forma, através da referida gestão (delicada) de espaço com os ocupantes da fila intermédia (através da movimentação desta), atenua- se o comedimento para a colocação das pernas. Quando não são utilizados, os dois assentos à retaguarda podem ser rebatidos sob o piso da bagageira (de forma simples e rápida). Nesta configuração do habitáculo (cinco lugares), a bagageira dispõe de 700 litros de capacidade, reduzindo-se a 230 litros com a lotação do Tarraco esgotada. O acionamento da porta do compartimento de carga é elétrico. Com todos os bancos das filas intermédia e traseira rebatidos, transformando a área de carga totalmente plana, amplia-se a capacidade desta para muito amplos 1775 litros. Permite transportar uma bicicleta de adulto sem ter de retirar as rodas.

A qualidade de construção e da montagem da maioria dos componentes e revestimentos é convincente, e a tecnologia a bordo harmoniza-se com a cada vez mais importante sofisticação do infoentretenimento e da conectividade, de que é elemento nevrálgico o ecrã tátil de 8 polegadas (de série nesta versão topo de gama Excellence), ao centro da consola, em posição cimeira (dispõe de comando vocal ou, opcionalmente, por gestos) é flutuante em vez de estar embutido na consola como nos restantes Seat. O sistema multimédia é compatível com o Android Auto do Google, CarPlay e Mirrorlink da Apple… Também é de série o painel de instrumentos digital, de 12,25 polegadas.

A dotação complementa-se com equipamentos para promoção da segurança e do conforto, como o sistema de travagem de emergência em cidade (de série), de cruise control adaptativo, de alerta de transição involuntária de faixa de rodagem ou de objeto em ângulo morto do retrovisor, ou ainda dispositivo de câmaras com visão a 360º e outros auxílios a manobras de baixa velocidade.

O conhecido motor turbodiesel de dois litros com 150 cv (na versão em teste) contribui, com funcionamento suficientemente suave, para enfatizar esta virtude (estruturalmente) intrínseca deste SUV, e cumpre, nas performances, os requisitos para o transporte famílias numerosas, como pode ser o Tarraco, respondendo muito bem desde regimes madrugadores (o binário máximo fica logo às ordens do pé direito às 1750 rpm e assim permanecendo até às 4000), o que quer dizer que qualquer aceleração ou retoma de velocidade se processam com ligeireza, e tem a consistência para manter velocidades de cruzeiro vias rápidas sem necessidade de recorrer amiúde à caixa manual de seis velocidades. Esta, embora com comando preciso e correto escalonamento, perde para a sua congénere automática de dupla embraiagem (DSG), embora esta mais dispendiosa. O agregado moto-propulsor assegura, ainda, consumo contido considerando o gabarito de peso e volume do Tarraco, restringindo-o sem especial zelo na condução pela economia, ao redor de 7 litros/100 km, em média.

O Tarraco dispõe, de série, de programa de condução em modos selecionáveis (num comando redondo na consola entre os bancos) que permite escolher entre três desempenhos pré-definidos - Eco, Normal e Sport - e ainda um personalizável pelo condutor. Cada um deles modifica a assistência da direção, a sensibilidade do pedal do acelerador (e o funcionamento da caixa automática ou a dureza da suspensão, quando a versão destes dispuser). Nas versões com tração nas quatro rodas têm dois outros programas chamados Snow e All Terrain, mais focados para uso fora do asfalto.

Apesar do peso, das dimensões (e das proporções e da elevação ao solo inerentes a um SUV, acrescentem-se), o Tarraco exibe uma surpreendente estabilidade em curva, sem que tenha sido necessário recorrer a amortecedores e molas de taragem demasiado dura para contrariar a tendência de rolamento da carroçaria nas acelerações transversais. Como tal, o compromisso com o conforto (de rolamento) é bastante equilibrado, contribuindo para um agrado geral (e generalizado, entre condutor e passageiros). A condução, realmente agradável, beneficia ainda de a direção ser comunicativa e direta (apenas 2,2 voltas ao volante de topo a topo significam que com movimentos pouco amplos dos braços o condutor faz quase todas as manobras) e de uma travagem eficaz, embora sem distâncias de imobilização de referência.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

SEAT Tarraco

2.0 TDI 150 CV 4X2

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1968 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 150 cv/3500-4000 rpm
Binário 340 Nm/1750-3000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,9 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,735/1,839/1,658 m
Distância entre eixos 2,79m
Mala 700-1775 litros
Depósito de combustível 58 litros
Pneus F 9,5jx19-235/50 R19
Pneus T 9,5jx19-235/50 R19
Peso 1735 kg
Relação peso/potência 11,5 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 202 km/h
Acel. 0-100 km/h 9,8 s
Consumo médio 4,9 l/100 km
Emissões de CO2 129 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2+2 anos ou 80.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 258,8 €

Medições

SEAT

Acelerações
0-50 km/h 4,1 s
0-100 / 130 km/h 10,8 s
0-400 / 0-1000 m 18 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 5,3 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 8/12,1 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 8,8/12,6/16,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,4/9,9 m
Consumos
Consumo médio 7 l/100km
Autonomia 828 km

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