Cupra Ateca 2.0 TSFI DSG

Faz-se história

TESTE

Por Vítor Mendes da Silva 03-03-2019 12:00

Fotos: Gonçalo Martins

A Cupra lança-se com o formato da moda, SUV, podendo discutir-se se uma nova marca com ambição ao estatuto de fabricante independente e posicionamento à parte não mereceria estrear-se no mercado com modelo especial e único, em vez de recorrer a base conhecida, mesmo que profundamente modificada. Na verdade, não falta muito para o dia em que a Cupra será a marca a lançar modelos inteiramente novos, que só depois aparecerão em versão civilizada no portefólio da Seat. Mas para a história, como o primeiro automóvel a envergar o logótipo de estilo tribal, fica este super Ateca.

Por fora, as evidências desportivas são fortíssimas, quer por intermédio das grelhas dianteiras em preto brilhante, mas principalmente pela vista de traseira, dominada pelas quatro saídas de escape e agressiva decoração dos para-choques. Ficamos avisados ao que vamos. Por dentro, mais detalhes cor de cobre, a mesma que serviu para pintar todos os novos emblemas da marca e jantes. O painel de instrumentos digital e configurável, o conhecido Virtual Cockpit do Grupo VW, adota gráficos específicos e desenhos que aludem ao conceito da marca, especial. E também a instrumentação pode configurar-se à medida das exigências, adaptando os grafismos e as informações ao estilo de condução. A posição de condução, a mais alta de sempre num automóvel com o nome Cupra, é ótima, devido à combinação da diversidade de regulações para o banco e o volante, com as opcionais bacquets, que muito contribuem para uma ideal sustentação lateral do corpo em curva, característica que acrescenta pitada de salero à ação.

Nas medições dinâmicas que efetuámos, recurso ao launch control que garante aceleração de 0-100 km/h em 5,7 segundos e, apesar de toda a estampa de um SUV, nomeadamente na altura exagerada para desportivo, o Cupra Ateca impressiona pela forma como sai disparado em aceleração e devora asfalto a toda a velocidade, mais parecendo contrariar as leis da Física. Existem vários modos de condução disponíveis (cinco, mais um para personalização a gosto), que conjugam a resposta do motor ao acelerador com o tato da direção, sonoridade de escape, amortecimento e atuação da eletrónica de estabilidade (a qual pode ser adormecida em modo Sport ou totalmente desconetada), cabendo a afinação mais radical ao modo de Condução Cupra. É neste programa mais agressivo do sistema que se ativa a referida função especial para arranques balísticos e a mecânica assume definições de pista: o motor 2.0 TFSI reage mais depressa aos movimentos no pedal do acelerador e as trocas das relações, velocíssimas, são sublinhadas, sonoramente, pelo sistema de escape. Já no comfort, (algum) conforto de rolamento…

A suspensão é uma variante da DCC com amortecimento ajustável, sendo mais baixa que a dos outros Ateca em 10 mm, o que permitiu baixar a altura do centro de gravidade na mesma proporção, beneficiando o controlo das massas em todas as situações de condução rápida.

Finalmente, aplausos para a resistência à fadiga do sistema de travagem Brembo, reforçado, e elogios para o tato da direção e para a energia do 2.0 TFSI, com sistema Valvelift, que otimiza o funcionamento das válvulas de escape e injeção dupla (direta e indireta), sempre disponível para acelerar, bem ajudado por uma caixa DSG de dupla embraiagem e sete relações, mais curtas que o normal. A transmissão 4Drive (mantém os mesmos princípios dos outros Ateca que o utilizam, com uma embraiagem central multidiscos de comando eletrónico, que só passa potência para as rodas de trás quando necessário), assegura que todos os Nm passam para o asfalto quando esmagamos o acelerador. E são 400, logo a partir das 2000 rpm e até às 5200 rpm. O motor é, sem dúvida, a estrela da companhia.

O Cupra é automóvel muito veloz e rápido em curva, tendo motor cheiinho em todos os regimes que mostra disponibilidade fabulosa, com a entrega da potência a acontecer sem quebras de baixo a cima. E guia-se sempre bem colado à estrada com bom desempenho da tração integral. Uma vez colocado em curva, basta acelerar e deixar que os 300 cv façam o resto, pois tudo corre sobre carris. Como se a Cupra não quisesse arriscar com SUV que se movimenta em categoria com poucos concorrentes e mais do que satisfaz no plano dinâmico, mas que não chega a deixar-nos com pele de galinha…

A experiência ao volante não desilude, mas surpreende pelo trato pouco brusco e a forma bastante dócil como se deixa levar em cidade. Ou seja, talvez não se esperasse que um modelo deste género e com uma preparação tão especial se conduzisse como qualquer outro Ateca. Mas assim é! A grande diferença está na invulgar capacidade de se transfigurar para conjugar tudo isso com desempenhos verdadeiramente desportivos, cortesia de excecional binómio motor/ caixa, com afinação e equipamentos a condizer. E puxando-se pela mecânica, por preço a rondar os 55 mil euros, deixa de haver rival para o Cupra, seja no formato ou nas performances.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

Cupra Ateca

2.0 TSFI DSG

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1984 cc
Alimentação Inj. direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 300 cv/5300-6500 rpm
Binário 400 Nm/2000-5200 rpm
Transmissão
Tração Integral permanente
Caixa de velocidades Auto., dupla embr., 7 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,8 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,376/1,841/1,601 m
Distância entre eixos 2,631m
Mala 485 litros
Depósito de combustível 55 litros
Pneus F 8jx19 - 245/40 R19
Pneus T 8jx19 - 245/40 R19
Peso 1615 kg
Relação peso/potência 5,4 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 247 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,2 s
Consumo médio 7,4 l/100 km
Emissões de CO2 168 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 235,59 €

Medições

Cupra

Acelerações
0-50 km/h 2,5 s
0-100 / 130 km/h 5,7 s
0-400 / 0-1000 m 9,7 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,5 s
60-100 km/h (D) 2,7 s
80-120 km/h (D) 3,2 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,7/9,1 m
Consumos
Consumo médio 8,9 l/100km
Autonomia 617 km

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