DS 7 Crossback BlueHDI 130 Performance Line

Cereais, mel e framboesa

TESTE

Por João ouro 02-03-2019 18:00

Fotos: Gonçalo Martins

Quase como a ementa de um bom pequeno almoço, os ingredientes aplicados no primeiríssimo modelo da parisiense DS têm tudo para dar certo. E a imagem do que está no prato também ajudará, assente num formato tipicamente SUV que o 7 Crossback não enjeita.

O código genético da marca fará tudo o resto, ainda por cima numa versão com a etiqueta Performance Line, mais exclusiva nalguns detalhes (forro em Alcantara/ pele dos bancos, do tablier e das zonas laterais das portas) e agregando opções interessantes, num pack com o mesmo nome (por 2600 €) que inclui faróis Vision LED (quando se liga a ignição, o efeito giratório inicial das óticas é muito original), navegação 3D avançada e iluminação LED interior.

Por fora destacam-se as jantes em liga leve de 19’’ (a preto, Beijing) associadas aos pneus Continental Sport Contact5 235/50, conjunto que é capaz de tornar este automóvel familiar num SUV bem confortável, embora em mau piso a absorção das irregularidades até pudesse ter maior eficácia, ou seja, podendo estar menos sujeito a reações secas.

O ruído de estrada não é exagerado e as reações do chassis (plataforma EMP2 originária do Citröen Picasso) permitem atitudes estáveis, sendo possível contar com várias ajudas eletrónicas, desde alerta de mudança de faixa (auxílio de correção por parte da direção), monitorização de distância/colisão à frente e do ângulo morto, entre outros.

Entretanto, o habitáculo é elegante e moderno, apesar de tanta invasão de losangos. No ponto! Como o mel...

O ambiente a bordo, aliás, tem um posicionamento de luxo, algo que se entende através da iluminação (níveis de intensidade e cores diferentes), dos acabamentos (ótima montagem) e dos materiais têxteis aplicados. Suaves ao tato e quase adocicados, por assim dizer, tal como a framboesa! Essa sofisticação, repita-se, faz parte do código genético da DS, embora se possa embirrar com alguns pormenores. A saber: os vidros dianteiros não baixam totalmente até às molduras das portas (incomoda nas portagens...); a cortina automática do teto de abrir não evita eventual entalamento (não pára se pressionada à mão...); a consola central está demasiado encostada à perna direita do condutor; e a visão à retaguarda é à justa devido à dimensão mais estreita do óculo, embora existam sensores e câmara traseira de auxílio.

Como se vê nem tudo é perfeito, mas, de uma maneira geral, a ergonomia, equipamentos, a aparência luxuosa e a funcionalidade interna convencem inteiramente. Sem esquecer, ainda, que a bagageira é ampla (555 litros) e de utilização prática, inclusive com abertura/ fecho automático do portão, além de comando gestual à distância sem-mãos. Bastará passar o pé sob o para-choques, como se se tratasse de um remate...

A mecânica 1.5 BlueHDI não é a mais aristocrática da gama, mas a capacidade de resposta é equilibrada e progressiva, sendo possível obter uma condução despachada, sem constrangimentos, em especial no ambiente citadino e em estrada aberta. Talvez se pudesse desejar outra fibra (ou mais cereais...) em certas ocasiões, especialmente ao nível das retomas de velocidade (ver ficha), até porque as últimas relações são um bocadinho longas (5.ª e 6.ª).

As várias transições não são rápidas ou imediatas, é verdade, mas o seletor da transmissão manual não exibe atuação imprecisa, ao mesmo tempo que a baixo regime o motor BlueHDI reage à vontade (binário máximo de 300 Nm às 1750 rpm). Talvez se exigisse inferior ruído de funcionamento, apesar de não existirem vibrações indesejáveis.

O modo Sport projeta um maior empurrão à condução (sigla Desporto aparece no painel defronte do condutor) e aí a assistência da direção passa a ter maior peso. Às vezes demais! Esse feeling podia ser mais exato ou preciso, mesmo sem impedir a correta definição das trajetórias a curvar. Nessas circunstâncias, este SUV da DS é exemplar, seguro e muito estável, inclusive com reduzidas oscilações da carroçaria, como que a justificar a elevada firmeza de todo o conjunto e a avançada técnica de soldadura interpolada com vários pontos de colagem, incrementando em 20% a rigidez. Daí a razão porque o 7 Crossback pode adotar motorizações mais vitaminadas, estando agendada para 2019 a variante híbrida plug-in E-TENSE de 300 cv, que conjuga o bloco 1.6 THP a gasolina (200 cv) com dois motores elétricos (um por cada eixo).

A aerodinâmica está bem resolvida (Classe 1 nas portagens), mas a insonorização a bordo até podia ser mais eficaz, apesar da espessura vidrada e da referida solidez estrutural. O consumo médio coloca-se entre 6 e 6,2 l/100 km, no máximo até 6,7 l/100 km. Nada mau, face ao tamanho e ao peso bruto (2030 kg), embora toda a conceção tenha tido uma dieta rigorosa. É por isso que este 1.5 HDi não é assim muito curto!

Na verdade, este é o primeiríssimo modelo da DS, o qual adota a plataforma estreada no Picasso, comum à da dos 3008 e 5008 da Peugeot, por exemplo. Na versão 1.5 BlueHDI de 130 cv em exame, as coisas não correm nada mal, quer sob o ponto de vista dinâmico, quer nas prestações, assim como ao nível do conforto, apesar da inerente limitação do formato e peso deste SUV. Já agora, a diferença do preço face à versão HDI de 177 cv é-lhe favorável em cerca de 9.000 €.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

DS 7 Crossback

BlueHDI 130 Performance Line

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1499 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 130 cv/3750 rpm
Binário 300 Nm/1750 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 6 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo Multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,570/1,895/1,620 m
Distância entre eixos 2,738m
Mala 555 - 1752 litros
Depósito de combustível 55 litros
Pneus F 8jx18 - 235/55 R18
Pneus T 8jx18 - 235/55 R18
Peso 1495 kg
Relação peso/potência 11,41 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 194 km/h
Acel. 0-100 km/h 108 s
Consumo médio 5,6 l/100 km
Emissões de CO2 148 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 146,79 €

Medições

DS

Acelerações
0-50 km/h 3,7 s
0-100 / 130 km/h 11,1 s
0-400 / 0-1000 m 17,9 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 5,3 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 8/11 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 11,9/17,1 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,1/9,1 m
Consumos
Consumo médio 6,2 l/100km
Autonomia 887 km

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