Abarth 695 Rivale

Homenagem à medida

TESTE

Por Vítor Mendes da Silva 06-01-2019 16:50

Fotos: Gonçalo Martins

Só existe com esta pintura em dois tons, azul e cinzento, separados por liner Acquamarina à imagem dos barcos da Riva que lhe servem de inspiração. No interior, são os painéis de madeira de mogno que reforçam o requinte do ambiente a bordo, inspirado no mais luxuoso universo das embarcações de recreio do famoso fabricante sedeado nas margens do Lago d’Isea, em Sarnico, perto de Bérgamo, e com quem a Abarth partilha valores de eficácia desportiva, prazer de utilização e máxima exclusividade. Eis o 695 Rivale, homenagem à medida de ícone com 175 anos de história, até no preço; este Abarth é brinquedo exclusivo e caro…!

Bem vistas as coisas, sempre são mais de 30.000 € pedidos por carro que tem vários contras, sobretudo de ordem prática e funcional. É tão pequeno e limitado como o Fiat 500 que lhe serve de base e o seu apertado habitáculo homologado para quatro ocupantes ainda encolhe quando equipado com estes bancos made by Abarth: grandes, bem almofadados, do tipo bacquet. Depois, a posição de condução está longe de ser a ideal num desportivo. Mas aí pouco há a fazer, resta-nos aceitar que vamos sentados numa posição demasiado alta e que isso é culpa da estrutura do carro. O mesmo acontece com a falta de espaços para arrumar o básico (carteira e telemóvel…) ou com a bagageira onde cabe apenas um troley de viagem. Tudo defeitos que… rapidamente se esquecem! Não é preocupados com nada disto que fãs e colecionadores procuram esta série numerada. E até nós deixámos de ser picuinhas assim que rodámos a chave e ouvimos o ronco do 1.4 Turbo com 180 cv, sobretudo quando logo de seguida, ainda a frio, pressionámos o botão Sport no tablier: este modo de condução altera a assistência da direção (fica bastante mais pesada e direta), ajusta os controlos de tração e de estabilidade para ação menos expressiva, ou seja, atrasa a intervenção, e altera a força do motor a médios regimes, o que se explica com a variação da pressão do turbo.

A disponibilidade do 1,4 litros é incrível. O ponto de partida foi, obviamente, o conhecido motor T-Jet de 135 cv que, para crescimento descontrolado do rendimento, ganhou turbocompressor Garrett de geometria fixa, gestão eletrónica específica e diversas iguarias tecnológicas que garantiram aumento da potência (para 180 cv) e da genica. O carro acelera com vontade e também recupera bem; a caixa manual de 5 velocidades está bem escalonada (a 1.ª relação é deliciosamente mesmo muito curta para tanto ímpeto no arranque!). E,  mesmo que o seletor seja impreciso, o correto escalonamento permite retirar o máximo rendimento do enérgico T-Jet de injeção multiponto. Embora a potência máxima do motor 1.4 chegue apenas às 5750 rpm, o timing ideal de passagem de caixa situa-se entre as 3000 e as 4000, faixa em que o turbo se encontra cheio e no auge do seu débito. Por esta altura, o Rivale devora asfalto, respirando a plenos pulmões, de forma empolgante.

A eficácia de todo o conjunto rolante é suplementada, ainda, pelo competente sistema de travagem, da Brembo, com discos dianteiros flutuantes, ventilados e perfurados e com pinças monolíticas de quatro pistões, a garantirem desacelerações fortíssimas e sempre equilibradas, além de uma inesgotável resistência à fadiga. Acelerando-se, o mesmo amortecimento seco que pode causar algum enfado aos ocupantes (e até ao condutor...), pois a travessia de lombas sonoras ou buracos é garantia de pancada seca no habitáculo, sendo diminuta a capacidade dos amortecedores em absorverem a energia, ajuda quando guiamos o escorpião mais depressa, aproveitando o temperamento venenoso de míni com motor capaz de 225 km/h e 0 a 100 km/h em menos de 7 segundos! E as prestações elevadas do motor têm correspondência no chassis e nos dispositivos mecânicos e eletrónicos dedicados ao aprimoramento das credenciais dinâmicas. Desde logo, o sistema Torque Transfer Control (TTC), que melhora as transferências de binário entre as rodas do eixo dianteiro ou a suspensão de maior firmeza, com sistema Frequency Selective Damping (FSD) da Bilstein que proporciona, de forma mecânica, o melhor equilíbrio entre os desejos de conforto e as necessidades de eficácia superior, para apreciar ao som do escape Active Dual Mode desenvolvido em parceria com a Akrapovic para otimizar potência e binário, além de produzir sonoridade provocante que provoca... pele de galinha sempre que puxamos pelo motor. E como puxámos por ele...

Boa notícia: o consumo médio está adequado ao que o carro oferece em termos de prestações, significando 7,8 l/100 km em ciclo misto, com alguns esticanços à mistura.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

ABARTH 695

Rivale

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1368 cc
Alimentação Injeção multiponto, turbo
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 180 cv/5750 rpm
Binário 250 Nm/3000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 5 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/9,5 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 3,657/1,627/1,485 m
Distância entre eixos 2,3m
Mala 185 litros
Depósito de combustível 35 litros
Pneus F 7jx17-205/40 R17
Pneus T 7jx17-205/40 R17
Peso 1110 kg
Relação peso/potência 6,1 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 205 km/h
Acel. 0-100 km/h 6,7 s
Consumo médio 6,8 l/100 km
Emissões de CO2 139 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite km
Pintura/Corrosão 3/8 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 165,32 €

Medições

ABARTH

Acelerações
0-50 km/h 3 s
0-100 / 130 km/h 6,9 s
0-400 / 0-1000 m 14,8 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 3,9 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 3,9/5,2 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 5,4/6,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,7 m/- m
Consumos
Consumo médio 7,8 l/100km
Autonomia 488 km

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