Ford Focus 1.0 EcoBoost

Arte de bem-fazer

TESTE

Por Ricardo Jorge Costa 12-12-2018 13:15

Fotos: Gonçalo Martins

Não surpreende o design da quarta geração do Focus. A dianteira manteve em destaque a grelha com formato quase trapezoidal que se estreou quando a geração antecessora do modelo foi remodelada, em 2015. Pela imponência da peça, a renovação dos faróis passa quase despercebida. Na secção posterior da carroçaria, a ação dos designers no centro de estilo desta marca norte-americana com base estabelecida na Europa foi mais profícua, e são os novos farolins que conferem um estilo mais moderno e apelativo ao automóvel, sobressaindo entre as extremidades da carroçaria e a porta da bagageira, em que se escreve agora, ao centro, o nome do modelo, destacado em letras cromadas. A silhueta berlina manteve os contornos tradicionais de hatchback, e só com fita métrica se afere o aumento de 1,8 cm do comprimento total, ou tão pouco os significativos mais 5,3 cm da distância entre eixos.

Todavia, neste caso, olho que não vê, de fora, conforto que se sente, lá dentro. A ampliação daquelas medidas repercute-se em espaço no interior, no habitáculo e na bagageira. No primeiro, mais do que na segunda, mas em ambos colmatando um defeito geracional do Focus. Nos lugares de trás, onde a habitabilidade é mais sensível, aplaude-se a extensão de todas as cotas, com relevância para a do comprimento (para as pernas), que esticou 4 cm para 72 cm totais entre os encostos dos dois bancos (frente e de trás). Ou ainda mais, na largura, porta a porta, que distendeu 8 cm para gordos 138 cm. E na altura apenas houve um discreto crescimento de 2 cm, mas que foi o suficiente para passar a acomodar passageiros acima dos 1,85 metros sem rasparem a cabeça no tejadilho. De resto, estes indivíduos de estatura acima da média beneficiam da ampliação da volumetria geral do habitáculo, elevando o compacto familiar a posição de topo na classe.

Volumetria que é superior, reforce-se, também na área de carga, que ganha 12 litros – o equivalente a quase três garrafões de água – à do modelo antecessor, para uns 375 litros mais… familiares. À maior capacidade, acrescente-se a possibilidade de a ampliar até um máximo de 1354 litros através do rebatimento dos encostos dos bancos, que para maior flexibilidade com os lugares disponíveis para passageiros reparte-se em proporção de 60:40. O acesso ao compartimento para o seu carregamento faz-se facilmente e a porta dispõe de pegas interiores para fechá-la.

Ainda no interior, regista-se a renovação completa do painel de bordo, sem degenerar à identidade estilística da marca ou até do modelo precedente, principalmente no predomínio do azul marinho nos componentes (retro) iluminados. A mudança mais visível é da instrumentação, agora num elemento único, quando antes era dois mostradores separados para velocímetro e conta-rotações. Contudo, o Focus ainda não se digitalizou na íntegra e mantém os principais instrumentos analógicos (com ponteiros físicos). Outro destaque é o do monitor central, que deixou de estar integrado no tablier para se instalar em posição cimeira a este, continuando a dispor de ecrã tátil, em que se comanda, intuitivamente, as diversas funções do também modernizado sistema de infoentretenimento. O tablier e a consola foram igualmente revistos no design, mas deveriam ter sido, com maior empenho, na qualidade dos materiais, no que é das poucas coisas em que o Focus permanece algo distante das referências.

Nos píncaros desta, sem pingo de mácula, mantém-se a dinâmica deste Ford, ainda que, nesta passagem de geração, às versões que não são topos de gama tenha sido retirado o direito a suspensões independentes nas quatro rodas. O motivo deve-se à mudança de plataforma (C2), que restringe o Focus com motorizações menos potentes – como o 1.0 EcoBoost de 125 cv aqui analisado – a uma arquitetura de eixo posterior de torção. De qualquer modo, se existem diferenças (e há certamente) de dinâmica ou de conforto de rolamento com cada uma das variantes da plataforma, serão muito pouco sensíveis, uma vez que, desde logo, a menos elaborada é muitíssimo competente. Como esta, as virtualidades reconhecidas ao dinamismo do Focus nas últimas duas gerações estão incólumes, senão terão sido mesmo otimizadas, continuando a fazer deste um dos automóveis do seu gabarito mais ágeis, fáceis e agradáveis de conduzir. E um dos que melhor compatibilizam essa eficácia com a filtragem das irregularidades do piso, mesmo com o seu amortecimento de afinação firme.

Por último, mas não menos importante, a previsibilidade inteligente e sensata da Ford continuar a rentabilizar o manancial de qualidades do motor a gasolina de três cilindros e 1 litro, o mais consagrado da família EcoBoost, aqui na versão mais potente, de 125 cv. Uma mecânica de excelência, que inovou no seu tempo, e foi precursora da revolução tecnológica em curso dos motores a gasolina, com arquitetura simples, baixa cilindrada, sobrealimentados para performances (rendimento e eficiência do consumo de combustível) incomparavelmente melhores aos antecessores, a sonoridade incluída. Com este 1.0 EcoBoost de 125 cv, o Focus está bastante bem servido, e quiçá não só nesta geração.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

FORD FOCUS

1.0 Ecoboost

Motor
Arquitetura 3 cilindros em linha
Capacidade 999 cc
Alimentação Injeção direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./12v
Potência 125 cv/6000 rpm
Binário 170 Nm/1400-4500 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,378/1,825/1,452 m
Distância entre eixos 2,7m
Mala 375 - 1354 litros
Depósito de combustível 52 litros
Pneus F 6,5jx16-205/60 R16
Pneus T 6,5jx16-205/60 R16
Peso 1322 kg
Relação peso/potência 10,5 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 200 km/h
Acel. 0-100 km/h 10 s
Consumo médio 4,8 l/100 km
Emissões de CO2 108 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 101,5 €

Medições

FORD

Acelerações
0-50 km/h 3,3 s
0-100 / 130 km/h 11,1 s
0-400 / 0-1000 m 17,5/31,8 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 5,6/8,6 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 6,1/8,6/11,2 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 12,9/14,2 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35/8,8 m
Consumos
Consumo médio 7 l/100km
Autonomia 743 km

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