Alpine A110

Por Tutatis!

TESTE

Por José Caetano 23-09-2018 10:30

Fotos: Gonçalo Martins

Tutatis (também designado por Teutates ou Toutatis) foi figura de culto tanto na Gália, como na Britânia, como protetor tribal, que Goscinny (escritor) e Uderzo (desenhador) adotaram para criarem expressão (re)conhecida em todo o Mundo. Celebrizou-a obra-prima da BD que tem Astérix e Obélix como personagens principais do povo irredutível de aldeia que resistiu sempre à invasão do Império Romano, combinando a inteligência do primeiro com a força do segundo. A Alpine fundada em 1955 por Jean Rédélé, à época concessionário da Renault, não tem a dimensão das marcas de referência no segmento dos desportivos, mas possui currículo notável, que inclui títulos no Mundial de Ralis e até vitória em Le Mans. O A110 relança o emblema no mapa da indústria automóvel, mais de duas décadas após saída de cena discreta e sem glória. Os franceses são tão resilientes como os antepassados!

Os números confirmam o sucesso da empreitada: os 1955 Première Edition esgotaram muito rapidamente (o automóvel que testámos é o 17.º da edição de 50 fabricada em Dieppe, França, exclusivamente para o parque de Imprensa) e a lista de espera é cada vez maior (fala-se em 14 meses), consequência da capaciade de produção limitada. Problema à espera de solução...

O A110 é inspirado e em desportivo homónimo que a marca produziu de 1962 e 1977 (dois dos 7176 exemplares ganharam o Rali de Portugal, em 1971 e 1973). Logo, trata-se de carro muito diferente do A610 que a marca fabricou até 1995, com V6 3.0 Turbo, primeiro com 250 cv, depois com 280 cv. O francês Antony Villain liderou a equipa que desenhou o automóvel, inspirando-se no original do italiano Giovanni Michelotti, autor de vários automóveis célebres apresentados nas décadas de 1940, 1950 e 1960, com os emblemas de Ferrari, Maserati, Lancia ou Triumph.

Visualmente, missão muito bem cumprida! O A110 recorda-nos o modelo de 1962, mas não é cópia do original, embora mantenha os faróis adicionais na dianteira, o monograma Alpine e o nervo central sobre o capot ou os farolins instalados horizontalmente na traseira, onde sobressai, também, o óculo em vidro. O automóvel novo não possui carroçaria em plástico, nem pesa só 706 kg, mas tem construção em alumínio, motor mais potente do que o instalado no desportivo apresentado há 56 anos, que tinha apenas 55 cv... Em contrapartida, mantém as dimensões compactas (4,18 m em vez de 4,05 m) e a arquitetura de sempre, com motor central-traseiro e tração posterior, características que explicam a agilidade e a rapidez de concorrente de Porsche 718 Cayman & Cia.!

O Alpine A110 recupera os princípios que explicam tanto o sucesso, como o prazer na condução do... A110. O Première Edition pesa 1103 kg, com o equipamento completo a explicar os quilogramas a mais (nesta versão, confirma-o o configurador, escolhe-se a pintura da carroçaria e pouco mais), mas a massa apresenta-se repartida quase equitativamente pelos dois eixos (44-56%), característica que beneficia a dinâmica. Complementarmente, centro de gravidade muito baixo e suspensão com desenho de triângulos duplos sobrepostos. A leitura das características técnicas confirma a vocação desportiva de automóvel que também mantém os dois lugares do carro de 1962, mas conta com sistema de travagem desenvolvido e produzido, especificamente, pela Brembo, que combina muita potência com resistência à fadiga. Estas qualidades, combinadas, constituem convite a acelerarmos...!

Na 1.ª geração do Alpine, entre 1962 e 1977, o A110 teve motores de 4 cilindros com capacidades entre 1,1 e 1,6 litros e potências de 55 cv a 200 cv (produziram-se versões de ralis com 250 cv, otimizando-se a mecânica com sistema de sobrealimentação). O modelo novo tem variante menos musculada da mecânica do Mégane R.S. com 252 cv em vez de 280 cv. Mas, mais potência para quê?! Os 4,3 kg/cv antecipam números excecionais, que os franceses reivindicam: arranque 0-100 km/h em 4,5 s e velocidade máxima de 250 km/h. Quer nas acelerações, quer nas recuperações, devido à resposta imediata do motor aos movimentos acelerador, Alpine A110 rapidíssimo em todas as condições!

A atuação da caixa de 7 velocidades, de embraiagem dupla (DCT), sistema de origem Getrag, contribui para este comportamento, devido ao funcionamento ótimo de mecanismo que inclui programa manual controlado em patilhas, de forma sequencial. Como complemento, controlo de arranque (Launch Control). O volante tem revestimento em pele, mas apenas parcialmente, e inclui botão Sport para seleção de três modos de condução (a apresentação do painel de instrumentos, digital, muda em função do programa ativo). Pressionando-o de forma insistente, programa Track, maior liberdade de movimentos, possibilidade de desfrutarmos mais da agilidade, estabilidade, precisão e capacidade de tração do A110. Excitante!

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Ficha Técnica

Caracteristicas

ALPINE A110

PREMIÈRE EDITION

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1798 cc
Alimentação Injeção direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 252 cv/6000 rpm
Binário 320 Nm/2000 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 7 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. triângulos duplos
Suspensão T Ind. triângulos duplos
Travões F/T Discos ventilados (320 mm)
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/-
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,180/1,798/1,252 m
Distância entre eixos 2,42m
Mala 100 (F)/96 (T) litros
Depósito de combustível 45 litros
Pneus F 7,5jx18-205/40 R18
Pneus T 8jx18-235/40 R18
Peso 1103 kg
Relação peso/potência 4,3 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 250 km/h
Acel. 0-100 km/h 4,5 s
Consumo médio 6,1 l/100 km
Emissões de CO2 138 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 5 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 235,59 €

Medições

ALPINE

Acelerações
0-50 km/h 1,9 s
0-100 / 130 km/h 4,7/7 s
0-400 / 0-1000 m 12,8/23,3 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,1 s
60-100 km/h (D) 2,7 s
80-120 km/h (D) 2,9 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,3/9,1 m
Consumos
Consumo médio 8,8 l/100km
Autonomia 511 km

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