Ford Mustang GT

Agora a sério!

TESTE

Por Vítor Mendes da Silva 21-09-2018 09:10

Fotos: Gonçalo Martins

No nosso Portugal com mão fiscal pesada, conduzir automóvel equipado com mecânica com cilindrada acima dos 2 litros já roça a prática de espécie de exercício de ostentação. Ao contrário, do outro lado do Atlântico, por terras de Tio Sam, apesar da pressão crescente de opinião pública e indústria, carros e motores continuam a querer-se grandalhões, imponentes, musculados, barulhentos, potentes e, como consequência, gastadores. Foi por aquelas paragens que há muitos anos começaram a fazer sentido os chamados muscle cars, como o Mustang, que passeámos por Lisboa, com todo o espalhafato! Mesmo depois da decisão da marca da oval azul de propor este ícone globalmente, imediatamente contestada por alguns fãs por haver risco de perder-se a magia da exclusividade, continua a ser raro encontrar um por estas bandas. E todos olham.

O que há para ver?

O capot rebaixado com entradas de ar integradas, grelha redesenhada e luzes com tecnologia LED, além de uma nova paleta de cores exteriores (11 ao todo) e novas opções de jantes em liga leve, não alteram uma vírgula às linhas iconográficas do costume. Agora mais baixo e ainda mais largo, o Mustang é automóvel que se topa a léguas, com a sua carroçaria do tipo coupé, com capot muito longo e vão traseiro muito curto. A distância entre eixos foi mantida ao antecessor, o que significa também que o carro também muda pouco na oferta de espaço, mantendo configuração do interior de dois ótimos lugares à frente, mais dois atrás apenas para desenrascar. Os melhores desportivos europeus não fazem diferente. E o que quase nenhum destes têm é uma bagageira com tanta arrumação. Ponto para o americano.

Ainda sobre o interior, confirmar que continua sem deslumbrar em matéria de qualidade, com aplicações em plástico a imitar cromados, um tablier com mistura de revestimentos de toque mais ou menos suave com outros bem duros. O monitor digital de 12’’ na instrumentação é, talvez a exceção, personalizável consoante os modos de condução selecionados.

«Engine On»

Com esta frase inscrita no painel de bordo, o Mustang informa-nos que o V8 em alumínio está acordado, como se o V8 tivesse um despertar silencioso. Há a possibilidade de ativar-se o modo de boa vizinhança, que permite diminuir os decibéis através do denominado sistema de escape ativo, configurável no ecrã de bordo ou no painel digital à frente do condutor. Mas, sem filtros, aquele motor enorme, quer na capacidade (5.0 litros), quer no rendimento (450 cv, mais 29 cv que o antecessor), expressa-se em notas graves e contagiantes. Inimitável!

Esta 6.ª geração do automóvel elevado ao estatuto de quase mito assenta numa plataforma totalmente nova, exclusiva no universo das marcas da Ford. A suspensão traseira é independente com multibraços e foi reforçada a quota de aços de ultraelevada resistência para garantir o comedimento do peso na medida europeia. O amortecimento (mais suave no eixo dianteiro e mais firme no posterior do que no Mustang que se vende nos Estados Unidos) com afinação correta e a rigidez estrutural do chassis, asseguram surpreendente dinamismo, até quando o carro é levado aos limites, com a eficácia indispensável ao estabelecimento de autênticos tempos canhão no nosso protocolo de medições; o ícone norte-americano precisa de 4,9 s para acelerar de 0 a 100 km/h. A caixa de velocidades pode ser rápida e precisa ser manuseada com alguma perícia, ainda que a engrenagem das diferentes mudanças seja sempre viril. Esta longe de ser o melhor equipamento que encontramos no mercado. Cumpre.

Quase normativa em desportivos que se prezem, a eletrónica que permite ao condutor modificar o funcionamento de diversos componentes do carro de acordo com as suas preferências e condições de utilização. Através de três botões instalados na consola central altera-se a assistência da direção, sistema de controlo de estabilidade e selecionam-se modos de condução (que variam a resposta do acelerador, a sonoridade do escape e a tolerância do controlo de estabilidade): Normal, Drag, que otimiza os arranques, Sport+, o desportivo por excelência, Track, para pista, My mode, o único personalizável, e Neve. A tudo isto juntam-se as funções Launch Control e a Line Lock, que bloqueia as rodas da frente para rédea solta à realização de controlados e fumarentos donuts

Nenhum anula defeito, que é mais feitio: nas curvas rápidas, conduzindo-se depressa, o peso a mais à frente empurra-nos, suavemente, para o exterior da curva, movimento que controlamos sem problemas antes da eletrónica atuar. Até porque nunca existiu Mustang tão fácil de dominar...

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Ficha Técnica

Caracteristicas

FORD MUSTANG

FASTBACK GT

Motor
Arquitetura 8 cilindros em V
Capacidade 4951 cc
Alimentação Injeção mista (direta, indireta)
Distribuição 2x2 a.c.c./32v
Potência 450 cv/7000 rpm
Binário 529 Nm/4600 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. triângulos duplos
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/12,2 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,784/1,916/1,381 m
Distância entre eixos 2,72m
Mala 408 litros
Depósito de combustível 61 litros
Pneus F 9jx19-255/40 R19
Pneus T 9jx19-255/40 R19
Peso 1743 kg
Relação peso/potência 3,87 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 249 km/h
Acel. 0-100 km/h 4,3 s
Consumo médio 12,4 l/100 km
Emissões de CO2 277 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 20000 km
Imposto de circulação (IUC) 232,35 €

Medições

FORD

Acelerações
0-50 km/h 2,2 s
0-100 / 130 km/h 4,9 s
0-400 / 0-1000 m 12,5 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 4,1 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 3,9/5/ 6,6 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 4,2/6,1/12,4 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38,2/8,8 m
Consumos
Consumo médio 13 l/100km
Autonomia 469 km

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