Alfa Romeo Giulia 2.2 D Q4 Veloce

Fulgurante raça latina

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 23-05-2018 09:30

Fotos: Gonçalo Martins

Fazer uso da sigla Veloce, historicamente parece não ser algo digno de um qualquer Alfa Romeo. Na senda de uma marca repleta de tradições e aficionados, a glorificação Veloce nasceu em 1956 na gama Giulietta para selar compromisso de versão especial e de distinto calibre. Espaço a que o mais emblemático Alfa Romeo dos últimos tempos, o Giulia, ganha agora direito(s) de utilização, podendo a nova versão Veloce ser acompanhada de duas motorizações: 2.0 Turbo a gasolina de 280 cv ou esta com a mais potente variante do motor 2.2 Diesel, de 210 cv. Distinção? Tração integral de série.

Muitos foram os olhares curiosos que se deleitaram sobre esta unidade azul de jantes negras e contrastantes pinças de travão amarelas, com Q4 inscrito na zona esquerda da tampa da mala e duas saídas de escape de generoso diâmetro. Elementos visuais que poderão ludibriar interessados na matéria, podendo levá-los a pensar estarem na presença do todo-poderoso Giulia Quadrifoglio (2.9 biturbo de 510 cv), embora o superdesportivo conte apenas com tração traseira e este Veloce surja, como referido, com sistema integral (daí a sigla Q4).

A expressão Veloce faz-se valer por intermédio de extrator de ar posterior a ligar as referidas saídas de escape, ao passo que os para-choques, tanto à frente como atrás, são mais volumosos e de perentória imagem. Pormenores como as aplicações laterais negras em torno das molduras das portas ou a possibilidade de poder montar estas jantes Sport de design igualmente característico na história da marca (1000 €) ultimam o visual exterior, onde não faltam os lettering Veloce colocados nas laterais dianteiras. De lamentar a necessidade de se pagar 400 € para contar com os vidros traseiros escurecidos...

O habitáculo não foi descurado desta veia distintiva, marcado pelos revestimen­tos em pele nos bancos e portas, com bancos dianteiros de formato desportivo a permitir ajuste em extensão da zona de apoio das pernas. As aplicações em alumínio de textura específica ou mesmo os pedais com acabamento metálico (mas dotados de zonas em borracha para que o pé não deslize). O volante também conta com pega própria, diferente das versões Super do Giulia.

MotorO mais potente Diesel do Giulia

Cabe à versão Veloce a não menos peculiar tarefa de tomar conta do mais potente Diesel da gama Giulia. Mantém-se o bloco de 2,2 litros, mas com a potência a subir dos 180 para os 210 cv, com pressão de 2000 bar dentro do rail da injeção. Mesmo de conceção moderna, fabricado totalmente em alumínio, este motor continua a pecar pelo elevado ruído de funcionamento (quer ao ralenti, quer em aceleração), principal pecha de unidade que conjuga excelentes performances, com a caixa automática de 8 velocidades a tirar bom partido dos 470 Nm de binário, disponíveis logo desde as 1750 rpm.

Comparado com um dos seus principais rivais, o Mercedes C 250 d (204 cv), este Giulia Veloce 2.2 Diesel Q4 alcança acelerações e recuperações de calibre semelhante, com a facilidade de arranque conseguida à custa da combinação da potência elevada com a motricidade permitida pelo sistema de tração integral. Mais-valia que, segundo a marca, acrescenta apenas 60 kg ao peso total da viatura, mas que tolda superiormente o desempenho dinâmico do Giulia. De raiz, o sistema envia o máximo de energia para o eixo traseiro, com a gestão eletrónica a encarregar-se de transferir força para a frente (máximo de 60%) sempre que detetada falha na motricidade. Em unidade que contava com autoblocante traseiro, o equilíbrio e a exploração dinâmica do Giulia surgem facilitados. Com frente ligeira e fácil de apontar via direção com a desmultiplicação mais direta do segmento, todo o conjunto depois facilmente acompanha o ímpeto colocado no acelerador. Especialmente quando escolhido o modo mais dinâmico do sistema ‘dna’, ou quando selecionada a máxima firmeza da suspensão variável (extra).

Com equipamento completo (em particular na segurança), esta versão peca pelos consumos, IUC e preço, todos acima da média. E pelos acabamentos... abaixo da média da indústria germânica.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

ALFA ROMEO GIULIA

2.2 D Q4 Veloce

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 2143 cc
Alimentação Inj. dir. CR, TGV, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 210 cv/3750 rpm
Binário 470 Nm/1750 rpm
Transmissão
Tração Integral
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Duplos triângulos
Suspensão T Duplos triângulos
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/-
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,643/1,860/1,450 m
Distância entre eixos 2,82m
Mala 480 litros
Depósito de combustível 52 litros
Pneus F 8jx18 - 225/45 R18
Pneus T 9jx18 - 255/45 R18
Peso 1610 kg
Relação peso/potência 7,7 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 235 km/h
Acel. 0-100 km/h 6,8 s
Consumo médio 4,7 l/100 km
Emissões de CO2 122 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite km
Pintura/Corrosão 3/8 anos
Intervalos entre revisões 20000 km
Imposto de circulação (IUC) 252,47 €

Medições

ALFA ROMEO

Acelerações
0-50 km/h 2.3 s
0-100 / 130 km/h 7/11.6 s
0-400 / 0-1000 m 15.1/27.8 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3.3 s
60-100 km/h (D) 3.9 s
80-120 km/h (D) 5.3 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36.5/9.1 m
Consumos
Consumo médio 7.3 l/100km
Autonomia 712 km

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