Abarth 695 XSR Yamaha

Rebeldia ‘motard’

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 05-03-2018 17:44

Fotos: Gonçalo Martins

Da parceria entre Abarth e a Yamaha nasceu a série especial limitada 695 XSR de que se farão precisamente... 695 unidades (e outras tantas do descapotável). Versão do pequeno desportivo italiano com afinações específicas para se fazer às curvas com agilidade de moto... japonesa!

A culpa é do escape. Desde longe que o Akrapovic de duas saídas se faz ouvir de forma tumultuosa, gritando em tom rouco e provocante nas acelerações, enrolando e desdobrando-se em impetuosos rateres nas reduções. «Deve vir de lá uma grande máquina!». Não será difícil adivinhar o pensamento de quem ainda não viu o pequeno Abarth a dobrar a última curva antes de se cruzar com a audiência já expectante, qual toureiro em praça aguardando pela entrada do touro esbaforido. «Um Fiat 500?!»

Parecido, sim, mas com toda a essência de provocação e distinção tomada pela Abarth, neste particular ainda de âmbito mais especial por se tratar de exemplar numerado da mais radical das séries especiais criadas este ano, saindo este 695 XSR Yamaha de parceria com o fabricante nipónico de motos, o qual também conta na sua gama de duas rodas de versão especial do referido modelo com assinatura Abarth.

Desta troca de conhecimentos entre os fabricantes resulta, no caso do Abarth 695 XSR Yamaha, em modelo de produção limitada (695 fechados, como este, e outros tantos com capota de lona), devidamente identificados por placa metálica colocada atrás do travão de mão, e por decoração única (exterior e interior) que apenas à referida especificidade. Não existe alternativa ao cinza exterior nem às aplicações em vermelho nas zonas inferiores dos para-choques e a pintar as pinças de travão. Ainda na lateral, faixa vermelha com Abarth escrito em letras de tamanho vistoso, além das jantes de acabamento forjado.

Nas capas dos retrovisores, tablier e braços do volante contam com aplicações em fibra de carbono, funcionando visualmente bem com o contrastante em Alcantara e pele perfurada do volante. A pala da instrumentação é também forrada a Alcantara.

São tudo toques com evocações desportivas ao mais alto nível, não fugindo os bancos do tipo integral, forrados a pele negra e de costuras vermelhas com lettering Abarth na zona dos encostos de cabeça a esta chamada de aclamação desportiva. Nem o punho da caixa de velocidades fugiu à apreciação dos designers, com acabamento metálico, tal como os pedais.

No seio da simplicidade, enquanto um Fiat 500, este Abarth tem o dom de abrir portas a um novo e emotivo mundo de sensações, desde logo despertadas pela sonoridade do escape Akrapovic: o tom forte e grosso, de facto, assemelha-se ao de máquinas de grande calibre, não  fugindo ao que se ouve em competição.

Escapes Abarth 695E, como dizem os peritos, o estímulo cerebral alimenta-se dos sentidos, pelo que anexando o som de escape às rápidas reações do motor 1.4 turbo, em particular quando indexadas ao modo de condução Sport (a direção ganha peso, o acelerador sensibilidade e o ESP pauta-se por algum atraso ao despertar), não é difícil cair em euforias, qual motard serpenteando entre o trânsito.

Alicerçando as boas performances na relação peso/potência e num correto escalonamento da caixa de 5 velocidades, esta pequena bomba desaparece entre os outros veículos, deixando no ar apenas um enorme rasto auditivo!

Os mais atentos irão perceber que o red line do conta-rotações digital está mal marcado (6000 rpm no modo normal e 7000 em Sport, sendo que o motor acaba por volta das 6500). A rigidez da suspensão e a reatividade da frente  permitem brincar  de curva em curva, até porque a aderência dos Pirelli PZero Nero e a reduzida distância entre eixos permitem leitura e... diversão!

Ativando-se o modo Sport e com algum empenho na condução, este pequeno desportivo pode tornar-se uma fera em estradas recortadas e de serra, ou mesmo nas periferias urbanas. Alia motor pujante e muito rápido a subir de regime a suspensão firme e bem suportada para garantir a necessária estanquecidade dos movimentos laterais da carroçaria em curva. Como  o ESP não se desliga, há que conduzir limpinho, aproveitando a motricidade e a inércia da massa.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

ABARTH 695

Yamaha

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1368 cc
Alimentação Inj. multiponto, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 165 cv/5500 rpm
Binário 230 Nm/3000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 5 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados e perfurados/Discos perfurados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/9,5 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 3,660/1,627/1,480 m
Distância entre eixos 2,3m
Mala 185 litros
Depósito de combustível 35 litros
Pneus F 7jx17 - 205/40 R17
Pneus T 7jx17 - 205/40 R17
Peso 1035 kg
Relação peso/potência 6,3 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 218 km/h
Acel. 0-100 km/h 7,4 s
Consumo médio 6 l/100 km
Emissões de CO2 139 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite km
Pintura/Corrosão 3/8 anos
Intervalos entre revisões 20000 km
Imposto de circulação (IUC) 166,65 €

Medições

ABARTH

Acelerações
0-50 km/h 2.7 s
0-100 / 130 km/h 7.5/11.6 s
0-400 / 0-1000 m 15.5/28 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 4.5 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 4/5.6/8.9 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 5.5/7.8 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38.6/9.5 m
Consumos
Consumo médio 7.6 l/100km
Autonomia 460 km

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