Vem aí chuva. Cuidado com o risco de aquaplaning

O que se deve saber sobre perda total de aderência em piso molhado

Reportagem

Por AF 20-10-2022 15:19

O aquaplaning resulta do movimento rápido dos pneus sobre uma superfície encharcada – tão rápido que não há tempo e/ou capacidade suficiente para os pneus drenarem a água da estrada sob a área de contacto. Nestas condições o pneu eleva-se sobre a água, perdendo totalmente o atrito necessário à tracção e ao controlo da direcção.

Em menos de um segundo o veículo pode perder completamente o contacto com a estrada, correndo imediatamente o risco de sair da trajectória inicial e resultar num acidente grave.

Imagine-se um veículo a alta velocidade sobre uma camada de gelo: essa imagem aproxima-se do que acontece ao travar ou corrigir a trajectória numa situação de aquaplaning. A viatura continua a rodar sem controlo!

Numa estrada com piso liso, em condições de chuva moderada, a uma velocidade de 95 km/h, cada pneu tem de escoar cerca de 4 litros de água por segundo para garantir uma superfície de contacto com a estrada equivalente à da sola de um sapato. Cada pedaço de borracha do pneu está em contacto com o chão apenas por 0,15 segundos e durante este tempo deve drenar a quantidade maior de água, comprimir a fina camada restante e aderir ao asfalto. Por isso, os pneus muito desgastados são extremamente perigosos em piso molhado.

«Não menos de 3 mm»

Pierre Poncelet, director de testes da Goodyear, esclarece que, um automóvel, quando entra em aquaplaning «deixa de reagir às ordens da direcção e a eficácia de travagem torna-se bastante limitada. Se o fenómeno ocorrer em curva, o automóvel tem tendência a derrapar sem controlo».

Para evitar o aquaplaning, o mesmo responsável daquele fabricante de pneumáticos recomenda aos automobilistas que, «logo que chova e a estrada fique encharcada, devem moderar muito a velocidade», embora considere que os cuidados começam ainda antes do primeiro arranque. «Apesar de, por lei, a profundidade mínima dos sulcos dos pneus ser 1,6 mm, não deve ser inferior a 3 mm. De qualquer maneira, aconselho vivamente aos automobilistas que, para segurança acrescida, nunca deixem baixar de 6 mm».

Antecipar o perigo

Por vezes, é difícil apercebermo-nos de uma situação de aquaplaning. Sente-se, eventualmente, a traseira do veículo a fugir, especialmente em condições de vento cruzado. Também a direcção pode parecer mais solta ou leve.

É necessário tomar atenção à estrada adiante, quer para evitar entrar em lençóis de água, quer para tomar atenção ao spray lançado pelos carros que seguem à frente. Caso este aumente consideravelmente de forma instantânea, isso poderá significar que o condutor da frente atingiu uma poça que lhe pode ter feito entrar em aquaplaning.

O que fazer quando «hidroplanar»

Há essencialmente duas regras importantíssimas a ter em conta quando o veículo entra em aquaplaning: não utilize bruscamente os travões e não gire o volante. Se o fizer, poderá levá-lo a perder por completo o controlo do carro.

Pense no volante como o leme de um barco, segure-o firmemente tentando só seguir a direito, retire o pé do pedal do acelerador até que o carro abrande e a direcção volte ao normal. Se necessitar mesmo de travar, faça-o com pequenas pressões, muito ligeiras.

Caso o carro dispuser de ABS, poderá travar normalmente. Os sensores electrónicos deste sistema de segurança activa do veículo encarregam-se de gerir, autonomamente, o melhor possível a travagem.

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