Mazda MX-30 Advantage

Um elétrico chamado MX-30

TESTE

Por João Ouro 22-11-2021 16:55

O SUV 100% elétrico da Mazda é um automóvel «fora da caixa» e a nova versão Advantage, neste caso com o «pack» Vintage Leatherette, é proposta numa edição limitada e a partir de 25.990 €. Trata-se de um valor bastante atrativo, em vez dos 35.190 € presentes na tabela da respetiva gama, nada vulgar para um modelo EV deste género, mas a exigir a adesão a campanha de financiamento.

A imagem exterior do MX-30 é marcante, assim como as portas traseiras de abertura invertida (designadas «freestlye»), as quais ao fim de algum tempo podem tornar-se um bocadinho irritantes. Talvez só um bocadinho. Ou seja, ao princípio é engraçado as portas abrirem ao contrário – as da frente têm sempre de se abrir antes –, mas à medida que a utilização é mais frequente conclui-se que o design se impôs demasiado ao lado funcional. E isto apesar da abertura a quase 90º de todas as portas, uma vez que não existe pilar B, tornando diferente a entrada para os lugares à retaguarda. É engraçado no início, lá isso é verdade, mas essa diferença poder-se-á tornar cansativa nos tempos seguintes.

O acesso atrás é facilitado pelo deslizar dos bancos da frente – o do condutor através de comando elétrico –, ambos a permitirem reclinações quase totais, o que se poderá tornar interessante para os momentos de lazer ou para aqueles em que se aguarda o carregamento das baterias. Já lá iremos.

Atrás, os lugares não são muito apertados, inclusive na largura e na altura até ao teto, com duas pessoas adultas de estatura média a não terem problemas para viajarem aí, não faltando sequer um apoio de braços ao centro. Já os cintos de segurança estão fixados nas portas e os vidros traseiros não abrem. A distância para os encostos da frente poderá ser negociada com os ocupantes da 1.ª fila – para que as pernas possam ficar mais estendidas –, mesmo que o comprimento disponível esteja de acordo com o que é usual num SUV deste tamanho. No entanto, o formato estreito dos vidros atrás e a impossibilidade de os abrir faz passar a sensação de se estar num local demasiado fechado, aí sim, mais uma vez, com o design a impor-se de forma evidente, até porque os assentos estão numa posição baixa. A fazer lembrar o C-HR da Toyota, por exemplo.

Interior bem equipado

À frente regista-se outra amplitude e há muita luz a entrar pelo habitáculo, elogiando-se a centralidade do posto de condução (típica dos Mazda), com o banco a regular-se eletricamente em oito posições, com memória e ajuste do apoio lombar. Diante do volante entende-se a ótima envolvência e a excelente visibilidade para a estrada, mesmo que a visão à retaguarda seja minimizada pelo formato do óculo posterior e pela dimensão dos pilares traseiros, algo que é atenuado pela existência de câmara traseira, a qual projeta imagens com boa definição no monitor central. Nota-se a ausência de sensores acústicos.

A interação do condutor com todos os comandos é funcional, embora se possam apontar alguns detalhes menos conseguidos, como por exemplo no manuseio do seletor da caixa automática, que exige sempre um movimento lateral (pouco natural) a partir da posição P (parque) para os modos Drive (D), Reverse (marcha atrás) ou neutro (N). Também é fácil não gostar da iluminação do monitor digital de 7’’ que está na zona inferior da consola, o qual controla a climatização, embora a intensidade possa ser regulada com o veículo parado. Mesmo assim, no nível mais forte, há alguns brilhos e reflexos que, por vezes, dificultam a leitura e os devidos ajustes nesse ecrã, os quais são impossíveis de fazer em movimento. Podiam existir mais locais para a arrumação de pequenos objetos, sendo o mais amplo o da consola central flutuante, que está numa posição ligeiramente recuada. A capacidade da mala atinge 366 litros úteis e o acesso é prático, tendo uma entrada elevada e o piso revestido a borracha, além de estrado divisório, incluindo uma bolsa especial que guarda o cabo de carga doméstico e o de posto público.

O monitor central de 8,8’’ (a cores) do sistema multimédia tem boa qualidade gráfica, sendo controlado pelo botão rotativo da consola, como é usual na marca, destacando-se ainda a funcionalidade do «head-up display» (de série) que projeta informações no vidro do para-brisas à frente do condutor. A boa qualidade dos revestimentos é visível por todo o habitáculo, assim como o rigor da montagem, os quais se conjugam com a aplicação de materiais originais, como é o caso da cortiça de origem portuguesa (nos forros das portas) ou dos tecidos feitos a partir de plástico reciclado, além do couro artificial Vintage Leatherette, este último a revestir os bancos (aquecidos
à frente) e alguns dos acabamentos do tablier e da consola.

A versão Advantage acrescenta alguns conteúdos exclusivos, tais como jantes em liga leve de 18’’ (brilhantes), iluminação LED adaptativa (com luzes diurnas e de assinatura), vidros traseiros escurecidos e retrovisores de comando elétrico, aquecidos e rebatíveis automaticamente. A cor da carroçaria pode ser Machine Grey ou Ceramic, articulada com a tal composição Vintage.

2,50 € por cada 100 km

O painel de instrumentos é mais analógico do que digital, sendo aí que surge a indicação da autonomia, a qual atinge com frequência um valor próximo dos 200 quilómetros em ciclo combinado. Durante o nosso teste, o intervalo máximo estimado colocou-se entre 207 e 214 km, tendo como referência um consumo médio de 15,9 a 16,5 kWh por cada 100 km, em trajeto maioritariamente urbano e sem exageros – cerca de 2,40 € a 2,50 € por 100 km, se se calcular o kWh doméstico a 0,15 €, por exemplo.

A capacidade da bateria de iões de lítio é de 35,5 kWh e os tempos de carga previstos (0 a 100%) atingem mais de 15 horas nas recargas domésticas a 2,3 kW, cerca de 10 horas a 3,7 kW (AC) e apenas 36 minutos nos postos rápidos de 50 kW (DC), sendo este o limite máximo de carregamento. 

A condução do novo SUV da Mazda é prática e segura, inclusive com ligações consistentes ao solo (pneus Bridgestone Turanza 215/55 R18), as quais permitem um bom conforto em qualquer tipo de estrada. As reações são previsíveis – maior subviragem do que o contrário –, e não existem modos de condução, ao mesmo tempo que a velocidade máxima está limitada a 140 km/h. A direção tem uma assistência precisa e não exige esforço, pelo que o MX-30 é fácil de manobrar.

Há a possibilidade de ativar diferentes níveis de regeneração da energia através das patilhas do volante, o que poderá aumentar a autonomia, eventualmente até aos 265 km (valor anunciado), e isto se a maior parte do percurso for em cidade. Apesar do peso elevado – inclusive com vários reforços estruturais para minimizar a ausência do pilar central –, as prestações não se ressentem disso, como se vê nas medições principais, quer nas acelerações (9,4 segundos até aos 100 km/h), quer nas retomas de velocidade. Isso justifica as reações rápidas face à pressão exercida no pedal do acelerador, corroborando a potência de 145 cv e o binário máximo de 271 Nm. Graças à denominada tecnologia e-Skyactiv, a condução é silenciosa, como em qualquer elétrico que se preze.

Ainda o preço

O preço proposto de 25.990 € da nova versão Advantage exige a adesão a campanha especial de financiamento levada a efeito pela marca, acabando por colocar o MX-30 num patamar imbatível face à concorrência. Existem ainda as vantagens inerentes ao facto de se se tratar de um automóvel 100% elétrico, como seja a isenção do IUC ou a dedução do IVA por parte das empresas, estas a poderem contar com um valor efetivo de 21.130 €, igualmente através de campanha de financiamento.

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