Citroën C4 1.2 PureTech 155 Shine Pack

O motor que embala o berço

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Por Paulo Sérgio Cardoso 14-11-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

A atual geração do C4 define bem o ADN da Citroën: modelo pragmático e prático, espaçoso e extremamente confortável, com algumas soluções que continuam a definir a toada inovadora com que a marca francesa tem assinalado a sua presença no mundo automóvel.

Berlina compacta de forte tónica familiar, o C4 foge um bocadinho às origens do segmento (onde participam Ford Focus, VW Golf, etc.) por se apresentar de carroçaria mais volumosa e com os 156 mm de altura ao solo a colocarem as proporções exteriores já a caminho de um crossover – com tudo o que tal representa numa utilização quotidiana, caso da facilidade de acesso ao habitáculo e mala e ainda o manter as zonas inferiores da carroçaria afastadas dos passeios mais proeminentes!

A motorização 1.2 PureTech de 155 cv posiciona-se no topo da gama a gasolina, surgindo apenas associada à caixa automática de 8 relações, e ficando bem acompanhada com os elementos do nível de equipamento Shine Pack, igualmente no topo da hierarquia de mordomias, tecnologias e bem-estar. Face à versão de 130 cv, é notória a (ainda) superior naturalidade com que trabalha e responde nos baixos e médios regimes, o que confere algum descanso à caixa de velocidades automática (ou seja, menos trocas de relações) e maior fluidez à condução. Mesmo com apenas 10 Nm de acréscimo no binário máximo (240 vs. 230, disponíveis às mesmas 1750 rpm), o certo é que esta motorização de 155 cv mostra-se realmente bem mais expedita em todos os cenários de atuação e não apenas nos regimes mais elevados, como seria de esperar. Na traseira, as duas saídas de escape são reais, e não apenas cenário desportivo!

O motor de 3 cilindros apenas deixa transparecer um pouco mais a natureza da arquitetura em acelerações fortes e em rotações mais altas, pelo que se se rolar a velocidades constantes em autoestrada (o regime fica quase sempre abaixo das 3000 rpm) ou mesmo numa condução normalizada em cidade, ninguém irá perceber a auditiva ‘ausência’ de um cilindro. Os mais atentos e sensíveis poderão notar ligeiras vibrações no arranque e despertar do motor.

A intensidade da mecânica e do trabalho da caixa pode ser gerida através dos três modos de condução, sendo que em Eco a gestão eletrónica da transmissão soma a função de velejar, para a contenção de combustível – também existem patilhas no volante para gerar imediatismo extra à transmissão. Com algum tento no acelerador, os consumos poderão rondar os 6,2 l/100 km, mas o melhor será contar com médias a rondar os 7 litros, em particular se este C4 for utilizado algum tempo em cidade.

Este feitio do motor 1.2 PureTech, com as doses necessárias de suavidade e elasticidade a que se soma resposta perentória nas acelerações mais exigentes (espelhado nas lestas retomas de velocidade aferidas) casa muito bem com todo o cenário de condução descontraída proporcionada pelo C4. A suspensão é branda e os níveis de conforto e serenidade rolante não conhecem igual neste segmento: este C4 preza e é um fiel precursor da linhagem de ‘sofá com rodas’ da marca francesa! Mesmo a arquitetura de eixo traseiro de torção não é fonte de ruídos ou vibrações à passagem por pisos mais esburacados ou bandas sonoras, havendo sempre uma corretíssima absorção da maioria das irregularidades das estradas, vindo ao cimo as valias técnicas dos amortecedores de batentes hidráulicos progressivos. Esta atitude tipicamente Citroën culmina, depois, em pronunciadas inclinações laterais da carroçaria, em curva, e longitudinais, em aceleração e travagens mais fortes. A direção ligeira, a posição de condução sobrelevada e as diversas câmaras de ajuda ao estacionamento são outros contributos para o conforto na condução, não obstante a reduzida visibilidade traseira, fruto do design do portão.

O interior é largo e espaçoso em todas as direções e lugares, com vasta oferta de locais de arrumo na zona dianteira, onde não falta generoso porta-luvas, gaveta sobre este e ainda um suporte para fixar um tablet em frente ao passageiro da frente. À noite, as bolsas nas portas são iluminadas. Os 380 litros da mala estão centrados com a concorrência, existindo plataforma para dividir e organizar os planos de carga.

O painel digital à frente dos olhos do condutor (5,5’’), não obstante os vários cenários e vistas possíveis (cinco), coloca sempre em grande plano as informações mais relevantes, caso da velocidade instantânea e indicação de limite de velocidade. Em complemento, existe ainda um útil head up display em posição cimeira. Na zona central do tablier, a climatização surge com comandos próprios numa zona mais inferior, ao passo que as restantes funções de bordo estão concentradas no monitor tátil, havendo apenas botões para aceder diretamente às regulações do veículo e outro para o menu principal – mais chegado ao passageiro, botão rotativo do volume do sistema áudio.

A bem recheada versão Shine Pack conta com bancos revestidos a pele com aquecimento nos dianteiros, navegação 3D, sistema mãos livres para abertura e trancamento das portas (funciona por afastamento e aproximação), iluminação LED com comutação automática entre médios e máximos, assistente ativo de faixa de rodagem, cruise control adaptativo, entre outros pequenos pormenores que podem fazer a diferença nesta faixa de preço, caso da travagem ativa de emergência com deteção de peões e ciclistas, carregamento indutivo para smartphone, tomadas USB a servir os lugares traseiros.

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