Combustíveis: Dicas para poupar

Com a escalada dos preços dos combustíveis, adie a visita à bomba com pequenas alterações dos hábitos de condução

Reportagem

Por AF 15-10-2021 17:35

A vida está cada vez mais difícil para os automobilistas portugueses, com a escalada dos preços dos combustíveis. Perante a perspetiva de mais despesas, impõem-se medidas de contenção, cuja maioria dependerá do condutor. A melhor recomendação – ou será a única? – consiste em economizar combustível, através de pequenas alterações dos hábitos de condução, que conjugadas ajudam a atingir resultados. E os gastos poderão baixar até um terço.

A maneira como conduzimos determina uma diferença até 35% no consumo de combustível e de emissões poluentes entre as práticas mais e as menos eficientes.

TÉCNICAS AO VOLANTE

- Não é necessário aquecer o motor antes de iniciar a marcha do veículo. Após ligar a ignição, arrancar, passando rapidamente para a 2.ª velocidade.

-Utilizar o acelerador com suavidade.

- Evitar acelerações que elevem o regime do motor das 2000 rpm. Em trajetos citadinos, ganhos de apenas 2,5 minutos por cada hora provocam aumento de combustível até 37%.

-Não ultrapassar 2500-3000 rpm em motores Diesel e 3000 rpm nos a gasolina. A partir destes regimes, o consumo será muito maior. Logo que possível, passar de relação de caixa (para as mais elevadas).

-Evitar meter a caixa de velocidades em ponto morto ou em neutro (caixa automática). Além de ser um risco para a segurança, o motor vai consumir mais ao ralenti que em funcionamento, porque numa descida o motor corta a injeção ou fornecimento de combustível. O motor trava o automóvel, sem consumir qualquer combustível. Sempre que possível, retirar o pé do acelerador e deixar o carro rolar com a caixa de velocidade engrenada, porque assim corta-se a admissão de combustível e consome-se zero.

-Moderar a velocidade: por cada 10 km/h acima dos 100 km/h, a eficiência no consumo de combustível baixa 10%.

-Manter a velocidade estabilizada, por exemplo, em autoestrada, ajuda a poupar. Como para tal também contribui acelerar suavemente ou prevenir desacelerações bruscas, antecipando os movimentos do trânsito à frente. Guardar uma distância ampla para o veículo precedente é uma boa estratégia.

-Não desligue o sistema start-stop do motor nas viaturas que disponham daquele dispositivo economizador. Nas que não o têm, os veículos menos modernos, e quando se prevê uma imobilização durante mais de 30 segundos, desligue-se o motor. Dez segundos ao ralenti consomem mais combustível do que o arranque do motor. Em dez minutos, o gasto médio atinge pouco menos de 0,3 litros.

-Não usar o regulador de velocidade de cruzeiro (cruise control) em percursos com muitas subidas, sobretudo longas e de declives acentuados ou com o tráfego intenso. Ao invés, o recurso aquele dispositivo é proveitoso em trajetos com relevo plano ou muito pouco acidentado, por manter automaticamente a velocidade estabilizada.

-Observar as indicações do computador de bordo do veículo para os momentos de passagem de caixa ideais (geralmente uma seta para cima ou para baixo e/ou o número da mudança recomendada). O respeito por aquelas indicações permite poupar até 10% de combustível. No computador de bordo deverá controlar-se, amiúde, o consumo médio (e o instantâneo) aferir a eficiência económica da condução.

-Deslocações curtas, inferiores a 5 km, são mais gastadoras e poluentes porque o motor e o sistema de controlo de emissões não chegam a atingir a temperatura ideal de funcionamento.

MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DO AUTOMÓVEL

-Manter os pneus com a pressão adequada. Basta um dos pneus ter a pressão 8 psi inferior ao indicado pelo fabricante para aumentar o consumo até 4%, além de reduzir a durabilidade do pneumático em média cerca de 15.000 km. Os valores de pressão recomendados referem-se a uma relação de compromisso segundo a carga que se transporta. A pressão dos pneus deverá ser controlada pelo menos uma vez por mês, e se necessário corrigida.

-Suprimir peso supérfluo, essencialmente objetos desnecessários que se transporta na bagageira. Por cada 100 kg a mais, o consumo sobe 2%. Poderá parecer muito peso para pequenos volumes, mas quando estes são muitos, aquele valor torna-se plausível.

-Óleo do motor: o estado avançado de degradação do óleo do motor ou a utilização de lubrificante de grau incorreto podem fazer aumentar o consumo de combustível até 2%. Para o evitar, é indispensável respeitar os intervalos de substituição do óleo e a recomendações do fabricante sobre o tipo e o grau do lubrificante.

-Filtro do ar: um filtro bastante usado, entupido, que não permita que entre ar suficiente nas câmaras de combustão poderá contribuir para aumentar o consumo em 10%. A substituição deste componente deverá coincidir com a do óleo do motor, ou mesmo numa periodicidade mais curta quando o veículo circula frequentemente em estradas empoeiradas (de terra, por exemplo).

-Bom funcionamento do motor: a manutenção correta dos órgãos mecânicos nevrálgicos do automóvel e a sua devida afinação são fundamentais para conter o consumo de combustível em cerca de 15%. Respeite-se o programa de revisões recomendado pelo fabricante.

OUTRAS DICAS

Planeamento da viagem: deve escolher-se o trajeto mais adequado para a viagem/deslocação, pois poderá contribuir para aumentar a eficiência. Prefira-se percursos pouco congestionados e, de preferência, com subidas pouco acentuadas que exijam reduções de caixa. Estradas degradadas fazem gastar mais, pois forçam o condutor a fazer quebras de velocidade e reduções frequentes, e consequentes retomas de velocidade. Calcular a duração das viagens por excesso, para evitar stresse e acelerações bruscas. Escutar as informações de trânsito na rádio e não dispense a utilização de aplicações de navegação para smartphone com indicações de trânsito em tempo real.  

-Racionalizar a utilização dos consumidores elétricos de bordo: evitar ou moderar o recurso aos equipamentos de bordo do automóvel, como o sistema de climatização (ar condicionado) e o aquecimento e/ou ventilação dos bancos, que têm funcionamento elétrico, que implica mais esforço do motor para alimentar este circuito. Todavia, em alternativa à climatização, circular com os vidros abertos a velocidade limite em autoestrada, faz com o aumento da resistência aerodinâmica (pela turbulência e a entrada de ar no habitáculo) provoque também a subida do consumo, tornando negligenciável a poupança obtida por não utilizar o ar condicionado.

-Bagageiras e suportes exteriores: as bagageiras de tejadilho e os suportes de objetos no exterior do veículo aumentam a resistência ao ar e são responsáveis pelo aumento do consumo até 5%. Por isso, logo que não são necessários, estes acessórios devem ser removidos.

Ler Mais

Conte-nos a sua opinião 0

Reportagem