Regresso ao futuro

Chama-se 296 GTB, é o terceiro bilugar com motor central na gama da marca italiana e posiciona-se entre o F8 Tributo e o SF90 Stradale. O segundo PHEV, leve e potente, recebe a classificação de «Ferrari com condução mais divertida»

Apresentação

Por José Caetano 07-10-2021 09:05

O Goldman Sachs, banco norte-americano de investimento, reagindo, muito rapidamente, ao anúncio do lançamento de um Ferrari 100% elétrico em 2025, mudou a recomendação para as ações do fabricante italiano, de compra para venda, antecipando o impacto negativo do investimento no desenvolvimento de superdesportivo com tecnologia muitíssimo mais dispendiosa do que os motores de combustão interna. A notícia não surpreende e sublinha o risco associado à mudança de paradigma na indústria automóvel, também a razão por trás da contratação de Benedetto Vigna para administrador-delegado, que o italiano de 52 anos desempenhará apenas a partir de 1 de setembro. Até lá, ao leme da marca, manter-se-á um Agnelli, família que controla a empresa através do fundo Exor, que preside ao conselho de administração de Maranello: John Elkann.

E estas notícias não surpreendem. Depois da renúncia do egípcio Louis Camilleri, o ex-Philip Morris que liderou a Ferrari durante cerca de dois anos e meio, mas renunciou à função em dezembro do ano passado, por razões pessoais, os italianos concentraram-se na contratação de personalidade capaz de liderar transição tecnológica (digitalização e eletrificação). Vigna trabalhava para a STMicroletronics, empresa especializada em semicondutores que ganhou dimensão e fama depois do desenvolvimento de geração nova de sensores de movimento, que a Apple estreou no iPhone 4. Entretanto, a fórmula massificou-se e encontra-se instalada em todos os equipamentos concorrentes. Este sucesso tem números: em 2020, a companhia franco-italiana registou 3,89 mil milhões de euros de receitas (e 20,8% de margem de lucro)!

Paralelamente, a Ferrari está comprometida com o lançamento do PuroSangue (primeiro Sport Utility Vehicle SUV) da marca. Tratando-se do formato automóvel da moda, antecipa-se crescimento tanto  na produção como nas vendas. Até lá, como estrela da companhia, 296 GTB! Em Portugal, anuncia-se preço na ordem dos 322.000 € (com impostos) – Assetto Fiorano por mais 40.000 €.

Primeiro V6 desde o(s) Dino

O 296 GTB é o segundo PHEV no catálogo da marca italiana. O primeiro Ferrari híbrido com sistema de carregamento externo das baterias, o SF90 Stradale, foi revelado em 2019 e tem 1000 cv, por beneficiar de combinação muito otimizada de uma mecânica V8 4.0 biturbo a gasolina (780 cv) com três máquinas elétricas, uma integrada na caixa automática de 8 velocidades, duas no eixo dianteiro, configuração responsável por tração integral, uma característica diferenciadora do cavallino rampante novo. O fabricante de Maranello, para o hiperdesportivo com quatro rodas motrizes, anuncia 0-100 km/h em 2,6 s, 0-200 km/h em 6,7 s e 340 km/h. Mais: a bateria de iões de lítio tem 7,9 kWh de capacidade, o que permite até 25 km de condução em modo EV, à velocidade máxima de 135 km/h.

No 296 GTB, encontra-se pacote tecnológico com alguma semelhança, mas diferencia-se do SF90 por contar com o primeiro V6 na Ferrari desde os tempos do Dino. Aqui, abrimos parênteses: este nome, originalmente, batizou o motor de 6 cilindros em V e 2,5 litros com 180 cv montado num Fórmula 2 estreado pela Scuderia em 1957, no Grande Prémio de Nápoles. Em meados da década de 1960, para contarem com desportivo mais acessível capaz de rivalizar com o 911 introduzido pela Porsche em 1964, os italianos desenvolveram uma máquina que deu origem a uma submarca, criada para diferenciar o automóvel de todos os Ferrari com mecânicas de 12 cilindros.

Em 1965, no salão de Paris, apresentação do estudo. Dois anos depois, estreia mundial da versão de produção em série. O original (206 GT) tinha motor igual ao do FIAT Dino (V6 2.0), embora beneficiasse de aumento na potência, de 160 cv para 180 cv. A Ferrari acabou por colocar ponto final na submarca e somar o nome ao catálogo, abandonando-o apenas depois de terminar a produção de automóvel fabricado sempre com mecânicas de 6 cilindros em V, arquitetura que recupera no 296 GTB. Daí o regresso ao futuro no título...

No Ferrari 296 GTB com tração traseira e apenas dois lugares, V6 novo, com 3 litros de capacidade. A mecânica térmica tem 654 cv (potência específica recorde de 218 cv/litro) e é apoiada por motor elétrico com 122 kW (165 cv). Combinados, 830 cv! E anunciam-se 2,9 s para o arranque 0-100 km/h e mais de 330 km/ /h, de velocidade máxima.

No Grand Turismo Berlinetta (nomes na origem do acrónimo GTB), a bateria de iões de lítio que alimenta a máquina com 122 kW (165 cv) tem 7,45 kWh, capacidade mais do que suficiente para 25 km de condução no programa EV, à velocidade máxima de 135 km/h. A caixa automática é a F1 DCT com embraiagem dupla e 8 velocidades. No superdesportivo híbrido novo, quatro modos de ação no e-Manettino: eDrive, Hybrid, Performance e Qualify. No F8 Tributo, V8 3.9 biturbo com 710 cv. Já no Manettino normal, regulação dos recursos que influenciam a dinâmica do automóvel.

O 296 GTB tem dimensões compactas (é o superdesportivo com motor central mais pequeno produzido pela Ferrari em 10 anos!) e tem desenho inspirado em símbolos do passado, nomeadamente no 250 LM de 1963. O pacote aerodinâmico inclui aileron traseiro ativo, fórmula estreada no LaFerrari! Por fim, no cockpit, a marca italiana privilegiou a digitalização da instrumentação e do sistema multimédia, e somou-lhe sistema Head-Up Display para projeção de informações no para-brisas.

As entregas do 296 GTB iniciar-se-ão no primeiro trimestre de 2022. Na gama, versão Assetto Fiorano para condução em circuito, com menos 15 kg do que os 1470 anunciados para o coupé bilugar, suspensão com amortecedores específicos (fixos em vez de variáveis!), elementos aerodinâmicos em fibra de carbono, bacquets e pneus Michelin à medida (apresentam-nos como semislick).

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