À imagem do Classe S

A nova geração do ‘best seller’ Classe C está já disponível em Portugal, nas carroçarias Berlina e Station, e com preços a partir dos 48.000 €. Será o ‘baby Classe S’ que a Mercedes tanto apregoa? Fizemos alguns quilómetros ao volante para ajudar a responder a esta (e outras) questões.

Apresentação

Por Paulo Sérgio Cardoso 19-07-2021 20:10

Por fora e por dentro, a Mercedes fez o novo Classe C à imagem do também recente topo de gama Classe S, orientação extensível ao foro tecnológico.

O comprimento total cresceu até aos 4,751 m, com a distância entre eixos a esticar 25 mm; as proporções da carroçaria foram alteradas com as projeções dianteiras e traseiras mais curtas e pelo efeito criado pelos grupos óticos posteriores, bipartidos, que se alargam à tampa da mala.

À frente, todas as versões contam com a estrela de grandes dimensões a ocupar a zona central da grelha do radiador, com o design desta a variar mediante as versões: Base, Avantgarde e AMG. Mais atrás, a bagageira mantém os 455 litros da anterior geração, ficando como a mais pequena face a Audi A4 e BMW Série 3, pecando ainda pelo acesso mais baixo. Já a carrinha oferece agora mais 30 litros, fixando-se nos 490 litros base.

Este é o primeiro Classe C a surgir com gama de motores totalmente eletrificada, por agora apenas com sistema mild hybrid de 48V, a que se seguirão as variantes PHEV: no final do ano chegará a motorização híbrida Plug-In a gasolina, estando o PHEV Diesel prometido para o primeiro semestre de 2022. Nos dois casos, o recurso a uma bateria de 25,4 kWh permitirá autonomia puramente elétrica a rondar os 100 km e possibilidade de carregamentos a 55 kW (e a 11 kW em corrente alternada). Relativamente aos futuros Classe C AMG, apenas uma certeza: a anterior geração ditou o final da carreira das mecânicas de arquitetura V8. Nesta fase de lançamento, todas as mecânicas surgem associadas a tração traseira.

O interior foi regado a sofisticação e vanguardismo, com a total digitalização de quase tudo o que rodeia o condutor, seja pelo painel de instrumentos em quadrante de 12,3’’, seja pela nova geração multimédia MBUX em amplo monitor tátil vertical de 11,9’’ e ligeiramente inclinado para o condutor (ambos a surgir no equipamento de série em Portugal), bem à imagem do que a Mercedes estreou no Classe S.

Todas as versões contam com sistema de navegação com informação de tráfego em tempo real (assinatura por 3 anos), caixa automática de 9 velocidades, bancos dianteiros aquecidos com ajustes parcialmente elétricos, bacos traseiros rebatíveis, iluminação LED com assistente automático de máximos, modos de condução, carregamento indutivo para smartphone e integração para AppleCarPlay e Android Auto, o que representa um salto evidente face à anterior (e parcamente equipada) geração.

O importador nacional pede 2350 € pela linha de design Avantgarde (estofos em pele e tecido, iluminação interior de 64 cores, volante desportivos e outros pormenores decorativos) e 5500 € pela linha AMG (jantes de 18’’, revestimentos em pele nos bancos, tablier e topo de portas, suspensão desportiva, etc.). Pela primeira vez, o Classe C poderá contar com opcional eixo traseiro direcional (roda até um máximo de 2,5 graus em sentido oposto ao das rodas da frente, acima dos 60 km/h – custa 2200 € e inclui o amortecimento variável) que ajuda a somar dinamismo em estrada e a reduzir o diâmetro de viragem em manobras, estando também disponível (a partir do final do ano) a tecnologia de iluminação exterior Digital Light, estreada no Classe S, que projeta diretamente na estrada sinais de aviso ou marcas auxiliares à condução, funcionando como uma extensão do head up display.

Ainda no interior, destaque para a linha de cintura do tablier, mais baixa em relação ao vidro dianteiro, que ajuda a tornar o habitáculo mais luminoso e amplo, bem como a nova disposição e colocação das pegas de porta e comandos dos vidros elétricos, agora num plano horizontal. Tão importante como a digitalização será a qualidade gráfica dos monitores e a miríade de personalizações e cenários permitidos ao painel de instrumentos e head up display, que poderão vincar o vanguardismo face à concorrência. No entanto, os agora totais comandos táteis no volante (e são muitos) requerem habituação quer à pressão a aplicar, quer à localização dos mesmos: face à ausência de botões físicos que ajudam sempre a posicionar mentalmente os dedos, o condutor terá agora quase sempre) de retirar os olhos da estrada para acertar na função desejada. Sob o monitor central tátil estão os comandos igualmente táteis dos modos de condução (à esquerda) e do volume do som (à direita). Não faltam os comandos vocais com interação a cargo da tecnologia de Inteligência Artificial; mas desaparecem todos os comandos físicos que antigamente permitiam navegar entre os diversos menus do sistema MBUX.

Por agora, apenas dois blocos térmicos de 4 cilindros, com unidade 1.5 turbo a gasolina de 204 cv a animar o C 200 e duas evoluções do motor 2.0 Diesel da anterior geração, com 200 cv (C 220 d) e 265 cv (C 300 d), todos associados a sistema mild hybrid de 48V, que proporciona entrega de 20 cv/200 Nm extra na função EQ boost, mas que também desliga totalmente o motor térmico em momentos de roda livre.

Com estes méritos, e mesmo que o novo Classe C peque pelo peso elevado face à concorrência (quase cerca de 150 kg extra), os consumos registados neste primeiro contacto dinâmico (maioritariamente por autoestrada e vias secundárias) foram muito baixos, a rondar os 6,5 l/100 km na versão a gasolina e os 5,3 l/100 km nos Diesel – curiosamente melhor insonorizados em aceleração face ao gasolina, relativamente ao que seria esperado. Tanto a direção como as ligações à estrada via suspensão são de elevada consistência, espelhando a solidez geral de toda a estrutura, embora mantendo maioritariamente as sensações experimentadas na anterior geração. As ajudas à condução são muitas e prodigiosas, tendo a Mercedes (felizmente!) ajustado a intervenção do assistente de faixa de rodagem, agora sem causar sustos ao condutor.

Preços em Portugal:
C Limousine 200 – 48.000 €
C Limousine 220 d – 53.600 €
C Limousine 300 d – 59.350 €
C Station 200 – 49.750 €
C Station 220 d – 55.500 €
C Station 300 d – 61.150 €

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