Suzuki Swift Sport 1.4 Boosterjet

Despachado e poupado

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 06-06-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

A ditadura das emissões está a levar à extinção de várias ‘espécies automóvel’, como a dos pequenos desportivos. A solução ‘mild hybrid’ que a Suzuki adotou para o Swift Sport é uma forma de garantir boas performances e baixos consumos

Aliar siglas como Sport e Hybrid é quase como querer juntar azeite e água... É certo que alguns fabricantes já o fazem, mas a maioria de exemplos chega de segmentos altos, com soluções que obrigaram a avultados investimentos – e que nem sempre resultam desportivamente da melhor forma – o que a Suzuki não pode fazer quando está em jogo um pequeno desportivo de preço abaixo dos 25.000 €.

Nesta adequação mecânica do Swift Sport aos tempos modernos e mais exigentes em matéria de requisitos ambientais, a Suzuki pegou no existente motor 1.4 da família Boosterjet (antigamente com 140 cv) adaptou-o mecanicamente para dele retirar a máxima eficiência energética – caso da revisão da recirculação dos gases de escape, subida da taxa de compressão e sincronização do trabalho das válvulas – e juntou-o a uma solução do tipo mild hybrid, suportada por uma rede interna de 48 V, onde não falta uma pequena máquina elétrica capaz de um boost de 14 cv, potência que não está contabilizada nos anunciados 129 cv por a entrega da mesma ser feita apenas em baixos e médios regimes, tal como os 53 Nm extra de binário. Para alimentar o motor elétrico existe uma também pequena bateria de 0,38 kWh de capacidade que se carrega apenas por intermédio da energia regenerada por inércia através do efeito travão-motor, em desaceleração. Como tal, o Swift Sport não pode rodar apenas em modo puramente elétrico.

Um dos atributos da tecnologia mild hybrid é a suavidade acrescida à condução, total ausência de vibrações no liga-desliga do motor, extensível à fluidez da entrega de força aquando as trocas de caixa, onde os feitos (e efeitos) dos 53 Nm extra provenientes do motor elétrico mais se fazem sentir. A condução do Swift Sport resulta, assim, extremamente ligeira e agradável em utilização quotidiana, sem pinga de radicalismos ou entregas bruscas e emotivas... como seria esperado num pequeno desportivo de sangue na guelra.

Mas querendo-se ação, basta caprichar no toque do acelerador. Mais de 20 anos volvidos, este Sport híbrido de 129 cv consegue ser muito mais rápido nas acelerações face ao lendário Swift GTI e em nada perdendo para a anterior versão de 140 cv. A caixa de velocidades responde com precisão e rapidez (mas também não tem o melhor feeling mecânico.) e deve apenas ter-se em atenção que para retirar as melhores performances, as trocas de caixa devem ser realizadas às 5500 rpm. A partir desse regime são bem sentidos os efeitos da... não assistência do módulo híbrido, com o 1.4 Boosterjet a perder o fôlego – ou seja, esqueça-se aquele ímpeto de rodar a altos regimes e de sentir a mecânica aos berros.

Este feitio algo morno (mas sem esquecer a boa capacidade de aceleração e, em particular, a forma célere com que o 1.4 turbo ganha rotação nos regimes baixos e intermédios, como é possível verificar nos valores aferidos nas recuperações, independentemente de qual a relação de caixa engrenada) é ainda reforçado pela quase total ausência de sonoridade de escape, visualmente prometida pelas duas saídas laterais que rasgam o para-choques traseiro. Ou seja, o Swift Sport é rápido, sim, mas sem conseguir transmitir carga emotiva.

Por outro lado, a angariação do módulo híbrido é peça-chave para os consumos extremamente comedidos, onde não é difícil manter a informação do computador de bordo abaixo dos 6 l/100 km numa condução normalizada do dia-a-dia, com algumas acelerações à mistura.

A direção de tato ligeiro, os pedais levezinhos e até a taragem algo branda da suspensão contribuem para a referida sensação de facilidade de condução e fácil socialização quotidiana. O Swift Sport não dispensa específicas ligações ao solo, barra estabilizadora dianteira de superior rigidez e amortecedores Monroe em ambos os eixos, bem como sistema de travagem reforçado com discos de maiores dimensões que resultam em curtas distâncias de imobilização e reduzida fadiga. Para a sensação de ligeireza dinâmica contribui o peso contido, pouco acima dos 1000 kg, mesmo contando com o lastro do sistema mild hybrid – bateria e motor/gerador estão colocados na zona central da carroçaria, cada um do seu lado, equilibrando as massas.

A agradabilidade conferida pelo tato confortável da suspensão é, depois, uma das principais causas para que a dinâmica esteja longe de ser acutilante, com perdas de motricidade à mistura a não permitir grande maneabilidade ao chassis, comandado por direção leve e que vai perdendo consistência informativa.

Além do preço e consumos contidos, o lado racional deste pequeno desportivo alarga-se à lista de equipamentos de série, com destaque para o sistema multimédia em monitor tátil de 7’’ com navegação, câmara traseira e a permitir ligações Android Auto e Apple CarPlay, bem como as variadas assistências eletrónicas à condução, com cruise control adaptativo e travagem autónoma.

A adoção da mecânica ‘mild hybrid’ em nada belisca as performances puras do mais espigado dos Swift, com acelerações vigorosas e rápida resposta do motor nos regimes baixos e médios. Tudo aliado a consumos realmente contidos, que facilmente ficam abaixo dos 6 l/100. A condução só não é mais emotiva devido às ligações ao solo que teimam em manter o conforto de rolamento, ou à quase ausente nota de escape. Visual exterior bem trabalhado.

Ler Mais

Conte-nos a sua opinião 0

TESTE