Peugeot 508 Hybrid GT vs BMW 330e

Foco empresarial

CONFRONTO

Por Paulo Sérgio Cardoso 05-06-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

A massificação dos híbridos Plug-In resulta da necessidade de as marcas cumprirem imposições legais. As empresas agradecem, pelo aproveitamento dos incentivos à compra e utilização, como sucede com as propostas novas de BMW e Peugeot, que até ‘ameaçam’ o sucesso comercial das versões Diesel

Os híbridos Plug-In estão a fazer furor no mercado dos veículos de serviço, o qual continua a representar importante fatia comercial para a maioria dos fabricantes de automóveis, não obstante as atuais e quiçá futuras tendências de mobilidade provocadas pela ainda ativa crise pandémica. Fruto dos incentivos fiscais em vigor, os Plug-In do segmento das berlinas médias de prestígio, como BMW Série 3 e Peugeot 508, estão a ganhar terreno face aos Diesel, em particular pela possibilidade das empresas deduzirem a totalidade do valor do IVA no ato da aquisição. E os utilizadores, além de poderem rolar em modo puramente elétrico, mais serenos no trânsito, ainda têm ao dispor potências acima da média e desempenhos dinâmicos desportivos... que entusiasmam!

É essa a partilha de sentimentos entre BMW 330e e Peugeot 508 Hybrid GT, ambos com mecânicas a gasolina associadas a motores elétricos alimentados por baterias (iões de lítio) que admitem recarregamentos externos (Plug- -In). No caso do BMW, motor 2.0 turbo de 184 cv e unidade elétrica de 113 cv, rendendo 252 cv que podem ascender aos 292 cv, durante 10 segundos, devido a inédita função XtraBoost, o que reforça a atitude dinâmica que a marca mantém até num híbrido Plug-In. No Peugeot, unidade mais pequena, de 1,6 litros (com vantagens fiscais ao nível do IUC), de 180 cv, cruzada com motor elétrico de 109 cv, embora este tenha superior débito de binário, comparado com o BMW: 320 Nm contra 265 Nm.

Face às características (algo gastadoras) dos motores a gasolina em questão, estes são dois modelos cuja utilização apenas será rentabilizada se forem aproveitadas as benesses elétricas, ou seja, caso o utilizador possa carregar a bateria com a máxima frequência. Porque, também em ambos os modelos, as baterias com capacidade máxima a rondar os 12 kWh proporcionam interessantes autonomias para circulação em modo puramente elétrico, no quotidiano.

No caso do Peugeot 508, não obstante a informação pós carregamento que aparece inscrita na instrumentação ser muito pouco otimista (nunca mais de 32 km de condução elétrica), é fácil estender a mesma até cerca de 40 km, esteja selecionado o modo de condução Elétrico ou o Híbrido. O computador de bordo permite-nos acompanhar os consumos médios de eletricidade, embora os dados sejam sempre limpos ao final de cada utilização. Ainda assim, foi fácil perceber-se os cerca de 14,5 kWh/100 km nos referidos 42 km, a que se soma a média de 3,2 l/100 km de gasolina para totalizar um percurso de 100 km.

O 330e surpreendeu um pouco mais no alcance em modo puramente elétrico: conseguimos 54 km sem que o motor a gasolina se ligasse. E ao final dos primeiros 100 km a média de gasolina ficou-se pelos 2,9 l/100, com a indicação de que 63 km dos quais foram realizados com o motor térmico desligado. Perante tais dados, ambos reúnem condições para assegurar a maioria dos trajetos quotidianos apenas com recurso à bateria (em média, 7 horas de carga em tomada doméstica), podendo o BMW rodar até aos 140 km/h e o Peugeot até aos 135 km/h em elétrico.

Caso a bateria não seja carregada, podemos adiantar que a média de consumo na berlina da Peugeot sobe um pouco acima da fasquia dos 7 l/100 depois de 300 km percorridos, quando o automóvel da BMW não ultrapassa os 6,6 litros – considerando provas em iguais trajetos e incluindo todo o tipo de percurso, de cidade a autoestradas. Como tal, é preferível recarregar a bateria...

E quanto a sensações?  

Depois de apresentadas algumas contas relativas à utilização, passemos os olhos pelos automóveis no seu todo. A mais recente geração do BMW Série 3 muito progrediu na habitabilidade e no conforto de rolamento, com esta versão híbrida Plug-In a poder usufruir de todas as opções e linhas de equipamento da gama, como a Versão Desportiva M da unidade à prova, onde não faltam os travões desportivos (distinguem-nos as pinças azuis). É também por estes motivos de total personalização que o interior pode ficar a ganhar, quer na qualidade geral elevada, quer nos elementos de digitalização, caso do monitor central tátil de grandes dimensões (que admite controlos gestuais) de ótima definição gráfica, mas cuja navegação continua a ser muito mais intuitiva no comando rotativo do iDrive.

A par dos cuidados ergonómicos da distribuição dos comandos e interação com tecnologias de apoio à condução (embora quase tudo seja pago à parte) a condução do 330e rege-se pela conjugação da extrema suavidade com uma ímpar interação dinâmica entre modelos híbridos Plug-In: quer o tato da direção, quer a gestão e rapidez das passagens de caixa, ou ainda a interação do chassis (tração traseira ajuda) não colocam entraves à fluidez ao volante, podendo o condutor gerir os modos de condução e usufruir da distinta atuação dos mesmos – botões colocados à esquerda da alavanca da caixa. E se acionada a função XtraBoost dentro do modo Sport, as performances são de autêntico desportivo, com acelerações fulminantes e recuperações lestas!

O Peugeot 508 é uma berlina de modos bem distintos, começando pelo estilo coupé de 5 portas, com o charme da ausência de aros nos vidros laterais. O acesso pode exigir mais ginástica e a visibilidade traseira é penalizada pelo design, mas o interior é mais desafogado nos lugares traseiros, somando-se- -lhe uma bagageira gigante. Privilegiam- -se conforto, suavidade e serenidade e a suspensão tem amortecimento variável. Ao condutor chega a sensação de estar aos comandos de um veículo mais pesado e menos ágil, focado que está na oferta de estabilidade em autoestrada, onde a otimização aerodinâmica muito ajuda a cortar o vento. O tato do pedal de travão requer habituação.

A conjugação mecânica é menos subtil face ao BMW (em particular a ação da caixa), mas o certo é que o 508 ganha velocidade de forma avassaladora, em particular a partir dos 100 km/h!  Falando ainda em contas: pelo preço de um BMW 330e base, a Peugeot propõe a versão de topo do 508 Hybrid, recheada de elementos tecnológicos, de conforto e segurança, acompanhados por qualidade geral praticamente ao nível do habitual nas marcas premium – a decoração e a disposição do habitáculo, vanguardista e digitalizado, contribuem para esta impressão. A versão híbrida do Série 3 distingue-se pela excelência dinâmica, performances de altíssimo gabarito e singularidade das sensações durante a condução. Enquanto híbridos Plug-In, dois automóveis muito competentes.

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