Fiat Panda Hybrid Launch Edition vs. Suzuki Ignis 1.2 GLX 4WD Hybrid

Pequenos prodígios

CONFRONTO

Por Vítor Mendes da Silva 30-05-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

A Fiat arrancou (tarde!) com o plano de eletrificação com o popular Panda numa estreante versão ‘mild hybrid’, procurando confirmar um lugar no topo do segmento dos citadinos, onde a Suzuki já acelera com variante ‘eletrificada’ do Ignis, que até conta com pacote reforçado de atributos

O segmento dos citadinos tem evoluído em duas direções bem distintas: por um lado, automóveis que valorizam o aprumo estético, carroçarias com designs arrojados e decorações coloridas associados a intermináveis hipóteses de personalização, como os smart e o Fiat 500; por outro, subespécie que privilegia a racionalidade, muito menos preocupada com a vertente fashion. No segundo grupo de propostas, com posicionamento comercial especialmente competitivo, inclui- -se o Panda, que agora conta com novo motor 3 cilindros atmosférico a gasolina da família FireFly, com 1 litro de capacidade, apenas uma árvore de cames e 6 válvulas, que rende 70 cv de potência. Trata-se da mecânica que substitui 1.2 de 69 cv fora de forma e o primeiro eletrificado na gama do construtor italiano – pequeno motor elétrico com 5 cv do tipo BSG (Belt-integrated Strarter Generation) permite aproveitamento da energia regenerada (proveniente das desacelerações e travagens) e armazenada em pequena bateria de iões de lítio, de 3,6 kW, instalada sob o banco do passageiro. Simplificado, o sistema mild hybrid (MHEV) é em tudo idêntico ao do Ignis, que a Suzuki também acaba de renovar. O SUV míni japonês recebeu novo motor 1.2 Dualjet (K12D), de injeção dupla e admissão VVT com comando eletrónico, além de bomba de óleo de capacidade variável e novo método de arrefecimento dos pistões apoiado por sistema elétrico associado a bateria de iões de lítio com 10 Ah (anteriormente, tinha 3 Ah). Como no Panda Hybrid, o motor elétrico do Ignis nunca serve de meio autónomo de locomoção, mas contribui para mais eficiência ao recuperar energia decorrente da desaceleração para uma utilização posterior nas fases de aceleração, o que reduz consumos e emissões.

No Fiat, para explorar o estreante milinho eletrificado, também nova caixa manual de 6 velocidades, a que temos de recorrer sempre que precisamos espevitar o andamento. A mecânica mostra boa elasticidade e vivacidade nos baixos regimes (faixa de utilização onde mais se sentem a entrega e suporte do motor elétrico), mas o modesto valor de binário – só 92 Nm –, não permite que se destaque pelas performances. Já os consumos são referenciais: com trocas de caixa em regimes baixo, é possível conduzir abaixo dos 4,5 l/100 km; 5,5 l/100 km em circuito misto fora da cidade. No citadino da Suzuki, números não muito diferentes, com muito melhor compromisso entre as prestações e os consumos. Com mais 13 cv e mais 15 Nm, o 4 cilindros japonês, associado a caixa com 5 relações curtas, consegue ser mais rápido em todas as acelerações e retomas de velocidade medidas, sendo igualmente mais económico, mesmo com quatro rodas a puxar. No Ignis 4WD, sistema AllGrip de acoplamento viscoso, que leva binário automaticamente ao eixo posterior quando se detetam perdas de tração no eixo dianteiro, nas incursões light por estradões de terra. As torres de suspensão do Suzuki têm um curso mais elevado do que as do Panda Cross e a altura ao solo do SUV nipónico (18 cm) também é superior à do utilitário italiano. Mesmo assim, centro de gravidade mais baixo do que o Panda, que é automóvel um nadinha mais bamboleante quando conduzido por traçados mais serpenteantes. Isto sem prejuízo das ótimas credenciais urbanas de modelo cujo chassis já acusa o peso da idade… Nota mais positiva, ainda, para o tato da direção do Suzuki e para a forma como esta comunica com o condutor.

Virtudes urbanas

Apesar das dimensões compactas, nos dois citadinos deve elogiar-se o espaço do habitáculo, algo que chega a surpreender em automóveis tão pequenos. Ambos são amplos q.b. nos lugares dianteiros e nem sequer são muito exíguos atrás, uma vez que a distância para as pernas é razoável até aos encostos do condutor e passageiro. Nesta medição, o Suzuki faz valer os 10 cm que tem a mais na distância entre os eixos, com o Fiat a destacar-se pelo superior desafogo em altura. O Ignis também vence por escassa margem na medição porta a porta (130 cm contra 127 cm no modelo italiano), mas, curiosamente, é no interior mais apertado do Panda que podemos sentar três passageiros nos lugares traseiros (opcional: 100 €). Apesar de ligeiramente mais largo e comprido, o carro japonês tem lotação limitada a quatro adultos, que podem instalar- se sem apertos. Por outro lado, o banco traseiro tem o condão de acrescentar a capacidade de deslizar sobre calhas, longitudinalmente, ao rebatimento 50/50 do encosto, o que permite melhorar muito organização do espaço livre para pernas ou na mala. Esta tem uma capacidade base de 204 litros (260 litros nas versões AllGrip), menos 21 do que no rival de ocasião.


Nos dois, a posição de condução é sobrelevada, habitual nos crossovers, mas os bons bancos do acabamento GLX do Ignis, com amplas regulações, permitem o encaixe perfeito. Só o volante do Panda Cross, revestido a pele costurada, com desenho mais anatómico e tamanho para encher a mão, agradou mais. No Suzuki, imagem mais moderna, com monitor tátil de 7” que concentra a maioria das funcionalidades do carro, por isso permitindo reduzir ao mínimo indispensável o número de elementos físicos no painel de bordo e, assim, os ruídos visuais capazes de complicarem, de alguma forma, a interação homem- máquina – o tablier do concorrente transalpino, afirmamo-lo, apresenta- -se demasiado confuso.

Outro grande destaque do interior do Ignis é, sem dúvida, a qualidade global, com materiais de boa cepa, que casam muitíssimo bem com a reconhecida solidez nas junções entre painéis. Ainda no Suzuki, mais equipamento de segurança e conforto, com oferta de série dos quatro vidros elétricos (apenas à frente no míni da Fiat), bancos aquecidos, cruise control, câmara para apoio ao parqueamento, alerta de mudança de faixa, aviso de fadiga do condutor e travagem de emergência.

Interiores modernos, cotas interiores condizentes com as dimensões compactas e estética exterior agradável são atributos destes pequenotes, atualizados com novas mecânicas eletrificadas, capazes de servir compromisso equilibrado entre prestações despachadas em cidade e consumos frugais. No frente a frente, Suzuki com sinal mais em todos os capítulos da condução e superior, também, na dotação de equipamento de série – nesta versão, quatro rodas motrizes. No Fiat, verdadeiro preço-canhão e ‘plus’ importante na versatilidade: só ele permite até cinco ocupantes a bordo.

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