Mercedes-Benz Classe A 250 e

Equilíbrio (quase) perfeito

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 03-05-2021 16:51

Fotos: Gonçalo Martins

Sem ‘fobias’ de autonomia ou dependência direta dos demorados tempos de carregamento dos 100% elétricos, este Classe A híbrido Plug-In ‘dá conta’ de viagens quotidianas, até cerca de 70 km, sem queimar gasolina. E se for preciso acelerar, os 218 cv do conjunto ganham perfil ‘despachado’.

Antigamente tudo parecia mais simples... A escolha, movida por preferências ou razões de custo, cingia-se a gasolina ou Diesel. Ponto. Agora, o tema alastra-se aos meandros da mobilidade e sustentabilidade, e não apenas em ter um automóvel, pelo que as marcas têm já vasto leque de soluções que irá obrigar cada utilizador a orientar a escolha ou compra mediante as necessidades de utilização. E quem não o fizer... está a perder dinheiro e/ou recursos!

A fórmula híbrido Plug-In está na ordem do dia – encaixe quase perfeito nas homologações de emissões poluentes, ajudando a cumprir metas ambientais – com a Mercedes a dar especial atenção ao tema, alargando-o ao mais pequeno A 250 e, solução realmente alternativa às até agora tão populares motorizações Diesel do compacto premium. Porque, aproveitando os benefícios fiscais, de que resulta em preço base para empresas na ordem dos 34 mil euros (deduzindo o IVA), o A 250 e ainda oferece contidos custos de utilização, em particular quanto é ligado à tomada de forma regular.

A origem da solução passa pelo casamento do motor 1.3 turbo a gasolina a uma máquina elétrica, que mais do que os 102 cv, demarca-se da concorrência pelo generoso débito de binário, de 330 Nm. Outro importantíssimo fator para o sucesso prático está na bateria de iões de lítio de elevada capacidade (15,6 kWh, sendo que a Mercedes não anuncia o valor útil), colocada rsob o piso da mala, dali roubando algum espaço (perde-se o fundo falso, sobrando 310 litros, que ainda requerem um cantinho para arrumar os cabos) e obrigando à presença de suspensão traseira por eixo de torção.

Da junção dos motores térmico e elétrico pode resultar um máximo de 218 cv e muito expressivos 450 Nm, sendo este o dado mais marcante no desembaraço dinâmico do A 250 e, pisando- se a fundo! Mas o certo é que os veículos Plug-In (quase como os totalmente eletrificados) serão utilizados de forma a aproveitar ao máximo as raízes ecológicas e os baixos custos proporcionados pela tecnologia, ou seja, com o pedal do acelerador tratado com pezinhos de veludo...

Saindo de casa com a bateria atestada – confirmámos as 5,5 horas de carregamento em ligação doméstica – não será difícil percorrer 68 km em modo totalmente elétrico, entre trânsito citadino, vias rápidas e até com um pouco de autoestrada à mistura, pelo que se o foco de utilização estiver quase todo numa circulação fluida a velocidades médias-baixas, a bateria pode mesmo aguentar 72 km.

O elevado binário do motor elétrico ajuda a um menor esforço do mesmo (e consequente menor consumo, que ronda os 15,3 kWh/100 km nos referidos 68 km) mesmo com acelerações vigorosas e capacidade para rolar até 140 km/h sem ligar o motor térmico. A atuação pode ser gerida através dos modos de condução, distinguindo-se o A 250 e pelos programas Electric para forçar o desempenho elétrico, e Battery Level para preservar a energia da bateria para gasto posterior. Ainda assim, o sistema do Classe A, ao contrário do que a Mercedes propõe nos Classe C e E, não permite forçar o carregamento da bateria através do motor térmico, apenas guardar a energia existente.

Condução preditiva

No modo ECO, cruzando informações sobre limite de velocidade na zona e dados de cartografia fornecidos pelo sistema de navegação (que tal como o monitor central de 10,25’’, Pack Parking e Pack Espelhos surge de série nesta motorização enquanto parte do Pack Advantage), a eletrónica vai dando sugestões de condução, nomeadamente sobre o momento para aliviar o pedal do acelerador. Nos restantes modos (exceto em Sport), assim que se reteria o pé do acelerador, o A 250 e utiliza o radar de aproximação a veículos da frente para gerir a distância e aplicar ora função de Velejar, ora travagem regenerativa de forma imediata – não havendo ninguém à frente, o sistema opta quase sempre por Velejar. Este sistema preditivo, embora contribua para reduzir o consumo, pode causar quebra de fluidez na condução, particularmente em situações de trânsito. O tato do pedal de travão e gestão das distâncias de travagem também obrigam a habituação. Questões que a Mercedes resolve no modo Sport, onde o A 250 e se deixa levar como um veículo normal, com a vantagem de ser muitíssimo rápido a acelerar.

Gastos os cerca de 70 km reais de utilização em modo 100% elétrico, o A 250 e soma média de 2 l/100 km ao final dos primeiros 100 km percorridos. E caso a bateria não seja novamente carregada, o consumo médio de gasolina sobe para não mais que 4,5 l/100 km ao final de 260 km – 130 km dos quais com o 1.3 turbo desligado. Ou seja, à elevada autonomia em modo puramente elétrico, o A 250 e soma uma exemplar gestão híbrida.

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