Dacia Spring: Guiámos o elétrico mais barato do mercado

Percorremos 100 km elétricos com o novo SUV e havia bateria para (muito!) mais...

Apresentação

Por Vitor M. da Silva 01-05-2021 19:11

O formato é o de SUV urbano da moda e até parece maior nas fotos. Mas o Spring, elétrico 100% novo no catálogo da Dacia, não ultrapassa os 3,73 m de comprimento, medindo depois 1,77 m em largura e 1,52 m em altura. É praticamente do tamanho de um Renault Twingo, com 1,23 m de porta a porta (medidos à altura dos ombros no interior). Mas mais alto (89 cm do assento do condutor ao tejadilho) e com mais de 15 cm na distância ao solo. Para subir passeios…

Também como no citadino da marca losango, o Dacia Spring oferece no seu habitáculo quatro lugares individuais. Só a bagageira está em melhor plano, com 290 litros de capacidade; 690 litros com os encostos dos bancos posteriores rebatidos. Ainda assim, as dimensões compactas confirmam o cariz vincadamente citadino.

E confirmado está também o preço “mini”: o pequeno SUV da Dacia é o elétrico mais acessível à venda em Portugal, com preços que arrancam nos 16.800 euros (ou 13.800 €, com o apoio do Estado para a aquisição de veículos movidos exclusivamente a baterias).

Fórmula de racionalidade

A aposta do consórcio francês é a de acelerar a democratização da eletrificação, com a entrega das primeiras unidades do Dacia Spring previstas para setembro, em dois níveis de equipamento.

A versão entrada de gama, Comfort, incluindo de série equipamentos como a assinatura luminosa LED, o ar condicionado, o rádio com Bluetooth e USB, o computador de bordo, os vidros dianteiros e traseiros elétricos, os espelhos retrovisores exteriores com comando elétrico, as jantes de 14 polegadas, o sistema de ajuda ao arranque em subida e o limitador de velocidade.

O condutor tem à frente dos olhos um ecrã digital TFT de 3.5” ao centro do painel de instrumentos, mas não há ajuste em altura e alcance da coluna da direção, nem em altura do banco. Também não há comandos de áudio no volante, revestimentos para disfarçar os plásticos duros ou qualquer tipo de equipamentos supérfluos. A pintura metalizada, por 400 €, é dos poucos “extras”; o pneu de substituição custa 100 € e pelo cabo de carregamento DC de 30 kW a Dacia pede 550 €.

Contudo, por mais 1.500 € (18.300 € ou 15.300 € com o incentivo do Estado), a marca propões a versão Comfort Plus distingue-se pelos inúmeros detalhes estilísticos, em laranja, no exterior e no habitáculo, mas também por um superior nível de equipamento, com destaque para: a câmara de marcha-atrás, os estofos em pele sintética (TEP), o sistema de ajuda ao estacionamento traseiro, o sistema multimédia MediaNav de 7 polegadas e o “stripping” lateral com decoração em laranja.

Autonomia para 230 km

As unidades que conduzimos na ação que decorreu no Porto são “pré-séries”, significando que o modelo tem margem para progredir até à chegada do produto final e acabo. Ainda assim surpresa muito positiva em todos os aspetos relacionados com a montagem e com o “feeling” da condução.

O novo elétrico da Dacia vem equipado com um motor de 33 kW/44 cv, que não é um prodígio em matéria de prestações: a marca anuncia 125 km/h de velocidade máxima, enquanto a aceleração de 0 a 100 km/h se 'arrasta' por 19,1 segundos (5,8 segundos para chegar de 0 a 50 km/h...). Há um modo ECO, que se ativa num botão na consola, para limitar a velocidade máxima a 100 km/h e a potência do motor a 30 cv, mas que não interfere de forma evidente na condução urbana.

Até porque com 125 Nm imediatamente disponíveis debaixo do pé direito, o andamento em cidade é despachado q.b., também cortesia de um conjunto que é muito leve.

O Spring pesa 970 kg (20% do peso está nas suas baterias com 27,4 kWh úteis, arrumadas sob o banco traseiro), é silencioso e confortável e só não retirámos mais partido da agilidade acima da média porque os pneus muito finos do SUV, sobre o asfalto molhado da Invicta, pediam contenção.

De qualquer forma, o propósito do Spring nada tem a ver com condução desportiva, apesar da atitude neutra e equilibrada a que não é alheia a repartição de peso pelos dois eixos na proporção 47/53.

E mais relevantes para o cliente tipo serão certamente as suas credenciais urbanas. Nomeadamente, no que respeita à autonomia. Testámo-lo num percurso de cerca de 100 quilómetros, num trajeto misto por cidade, estradas nacionais e autoestrada, e que terminámos com uma reserva de bateria suficiente para percorrer mais 130 quilómetros. Contas feitas, são exatamente os 230 km de autonomia anunciados pela marca, com uma média de consumo de 12 kWh/100 km.

A bateria admite carregamentos DC a 30 kW, recuperando 100% da carga em 1h30, na Wallbox (7,4 kW), em menos de 5 h, ou na tomada de casa, em cerca de 14 h.

 

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