Citroën AMI 6 faz 60 anos

A 24 de abril de 1961, a Citroën apresentou o AMI 6, automóvel inovador, construído na fábrica francesa de Rennes, como complemento à gama que já tinha os populares 2 CV e DS.

Atualidade

Por VM 20-04-2021 10:13

Com o seu inesquecível óculo traseiro invertido e com uma sua silhueta totalmente diferente do habitual, batizada de “Linha Z”, o AMI 6 foi lançado inicialmente na versão berlina, mas foi a carrinha (Break), a partir de 1964, que obteve maior sucesso, com uma fatia de 550.000 unidades, para um total de 1 milhão de exemplares produzidos até 1971.

Depois de desenhar o Traction Avant (em Portugal conhecido como “Arrastadeira”), o 2 CV e o DS com a equipa de design Citroën, Flaminio Bertoni ficou encarregue da criação ‘a solo’ de um modelo de gama média, internamente designado “Projeto AM”. O resultado foi o Ami 6, que o italiano chamou de obra-prima.

Pela primeira vez, Bertoni teve a oportunidade de se expressar plenamente e sozinho, sem nenhuma influência externa na definição do estilo deste modelo.

No Ami 6, atreveu-se a desenhar um óculo traseiro invertido, que não só se mantinha limpo quando chovia, como também permitia uma bagageira de abertura convencional e boa capacidade, e um amplo espaço nos bancos traseiros, tudo num formato de dimensões reduzidas.

Ideal para as senhoras

Com o motor de dois cilindros, com 602 cc, desenvolvido a partir do bloco do 2 CV, o AMI 6 não foi apenas surpreendente em termos estéticos, combinando uma frente de linhas elaboradas e grandes faróis retangulares – uma estreia na época – um capô mergulhante, um tejadilho do tipo pagode e flancos realçados por linhas estampadas, também inovou em termos de marketing, mostrando-se em campanhas publicitárias como “o segundo carro ideal para as senhoras”.

Aliás, o nome Ami 6 vem de uma mistura fonética das palavras do nome do projeto (veículo AM), da palavra “miss” (“senhorita” em inglês) e “amici” (“amigos” em italiano), provavelmente inspirada no seu designer, o também italiano Flaminio Bertoni.

E Yvonne de Gaulle, esposa do General de Gaulle, era uma das personalidades que o usava nas suas deslocações. Tratava-se de uma unidade inaugural da fábrica Citroën em Rennes-La-Janais, quando esta ainda estava em construção, a 10 de setembro de 1960, pouco mais de um ano antes do início da produção do modelo.

Conforto acessível

O interior do Ami 6 teve inspiração direta no modelo DS, uma referência neste campo. Do volante monobraço aos manípulos das portas e comandos e bancos, tudo se assemelha ao então topo de gama da Citroën.

Já em estrada, foram unânimes os elogios em torno do seu comportamento e da agilidade deste sedan, herdados da famosa suspensão do 2 CV. Em linha com o espírito Citroën, o Ami 6 mostrou-se, desde o início, um automóvel original e inovador. Os fãs incondicionais mostram particular interesse nas versões Club, com quatro faróis e pneus com faixas brancas, comercializadas a partir de setembro de 1967.

O slogan publicitário mais expressivo do Ami 6 continua a ser “A relação conforto/km mais barata do mundo”.

A 5.ª porta para o sucesso

O ponto de viragem decisivo ocorreria no final de 1964, com a chegada de uma pequena Break (com 320 kg de carga útil) concebida por Henri Dargent (assistente de Flaminio Bertoni) e por Robert Opron (sucessor de Bertoni, entretanto falecido em 1964). Esta Break iria impulsionar as vendas e, nesse aspeto, acabaria por ultrapassar o sucesso da berlina, um caso raro na história do automóvel.

Modelo mais consensual, as suas linhas também ofereciam uma bagageira de grande volume para um veículo de passageiros desta classe, bem como um acesso fácil e prático. Versátil, permitia a uma família viajar com um conforto apreciável, sendo também compatível com uma utilização profissional, tanto em funções comerciais como ao serviço de um artesão.

O Ami 6 tornar-se-ia o automóvel preferido dos franceses em 1966.

A produção da Berlina terminaria em março de 1969, seis meses antes do fim de carreira da Break, dando lugar ao novo Ami 8, menos invulgar, já com um óculo traseiro montado na ‘posição correta’. Este último foi, depois, substituído pelo Visa, em 1978.

Atualmente, uma unidade Ami 6 em pleno funcionamento e bom estado pode alcançar uma valorização a partir dos 5.000 euros.

Ler Mais

Conte-nos a sua opinião 0

Atualidade